POLÍTICA
25/06/2018 09:11 -03 | Atualizado 25/06/2018 09:11 -03

Marina enfrenta dificuldade para formar alianças e continua sozinha na corrida eleitoral

Rede não atrai apoio do PPS, PSB e Agora!. “Ainda temos muito que navegar e crescer”, ponderou o senador Randolfe Rodrigues.

Marina Silva enfrenta dificuldade para alianças que aumentem seu tempo de TV.
MAURO PIMENTEL via Getty Images
Marina Silva enfrenta dificuldade para alianças que aumentem seu tempo de TV.

Segunda ou terceira colocada das pesquisas de intenção de voto, a depender do cenário, Marina Silva (Rede) ainda não atraiu outros partidos para formar alianças na disputa pela Presidência da República. Interlocutores da ex-ministra têm avançado em conversas com siglas pequenas como PHS e PMN, mas o apoio do PPS e do PSB continua distante. O movimento Agora!, que tem o apresentador de televisão Luciano Huck como um dos nomes de destaque, também não irá apoiar formalmente qualquer presidenciável.

Presidente do PPS, o nome do deputado Roberto Freire chegou a ser ventilado como possível vice de Marina, mas o parlamentar nega articulações e mantém o apoio a Geraldo Alckmin (PSDB). "Não teve nenhuma conversa. Foram algumas declarações dadas à imprensa [de integrantes da Rede], mas nenhum contato pessoal. Não tive contato com ninguém da Rede. Estou trabalhando para aquilo que o PPS havia decidido no congresso nacional [do partido], que era o indicativo de apoio ao Geraldo Alckmin. Como presidente do partido, estou trabalhando nesse sentido", afirmou Freire ao HuffPost Brasil.

Freire minimizou o desempenho do tucano nas pesquisas eleitorais, principal preocupação da campanha no momento. Alckmin teve 7% das intenções de voto no mais recente Datafolha e ficou empatado com Ciro Gomes (PDT), que oscila entre 10 e 11%. Marina, por sua vez, está em 2º lugar nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 15%.

"As pesquisas não importam muito. Uma pesquisa que mostra um condenado ficha suja como candidato é uma pesquisa que distorce resultados", disse Roberto Freire, em referência à inclusão do nome de Lula nas sondagens. Condenado em 2ª instância por corrupção e lavagem de dinheiro, o petista pode ser considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa, mas a decisão cabe à Justiça Eleitoral. Enquanto não há essa definição, Lula pode apresentar o registro de candidatura.

O presidente do PPS admitiu, porém, que está aberto ao diálogo e que o cenário eleitoral está indefinido, mas acredita que o partido não irá mudar de posição. Ele também não aposta em uma possível influência de movimentos de renovação política que contam com membros do partido, como o Renova Brasil e o Agora!, que dialogam com Marina. "Quem vai decidir é o PPS", afirmou.

Lula Marques/AGPT
Presidente do PPS, Roberto Freire nega que será vice de Marina Silva e defende apoio do partido a Geraldo Alckmin.

Marina e movimentos de renovação política

Marina Silva tem se aproximado dessas iniciativas e deve incluir ideias desses grupos em seu programa de governo. Em fevereiro, a Rede e o Agora! assinaram uma carta de compromisso, como uma forma de a legenda abrigar as candidaturas, mas manter a autonomia de ambos. Pelo menos 5 integrantes do movimento são filiados ao partido.

Apesar da convergência com a Rede, o Agora! não irá apoiar um nome na corrida presidencial. O foco do movimento é eleger representantes no Legislativo e o grupo também tem integrantes filiados ao PSD, Podemos, PR e PSB. Em fevereiro, também assinou uma carta de compromisso com o PPS, partido pelo qual Luciano Huck poderia ter lançado sua candidatura.

Na última quarta-feira (20), Marina jantou com os cientistas políticos Ilona Szabó e Leandro Machado, cofundadores do movimento, e com o apresentador. Apesar de estar fora da corrida eleitoral, Huck tem dito que deseja contribuir para a renovação no Congresso e mantém proximidade com o Agora! e com o Renova Brasil.

O apresentador tem demonstrado simpatia por Marina e por Alckmin, mas não pretende endossar nenhum dos dois presidenciáveis. Pelas regras da TV Globo, ele pode declarar voto publicamente, mas é impedido de fazer campanha ou de aparecer em compromissos eleitorais.

Stringer . / Reuters
Luciano Huck tem demonstrado simpatia por Marina e por Alckmin, mas não pretende endossar nenhum dos dois presidenciáveis.

PSB não deve apoiar Marina

Cobiçado pelo PT e pelo PDT, o PSB não deve apoiar a campanha de Marina, apesar do histórico recente. Em 2014, sem conseguir viabilizar a Rede na Justiça Eleitoral, a ex-ministra se filiou à legenda socialista e se tornou vice na chapa com Eduardo Campos. Após a morte do ex-governador de Pernambuco em agosto daquele ano, ela assumiu a cabeça de chapa e ficou em terceiro lugar na corrida presidencial.

Vice de Marina à época, o ex-deputado Beto Albuquerque é um dos simpatizantes da aproximação, mas a aliança encontra resistência entre os socialistas. "Estamos insistindo. O PSB é uma prioridade, mas hoje é mais distante", afirmou ao HuffPost Brasil o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Além das articulações com outras alianças, outro entrave para uma união entre Rede e PSB são os interesses eleitorais regionais dos socialistas que têm sido priorizados pelo partido desde que o ex-ministro Joaquim Barbosa desistiu de ser candidato ao Palácio do Planalto.

Para Marina, o apoio seria determinante em relação ao tempo de propaganda no rádio e televisão. A estimativa é que ela alcançasse mais de um minuto. "Melhoraria sensivelmente", admite Randolfe. Com uma bancada de 2 deputados, Marina tem direito a apenas 8 segundos na propaganda de TV.

Do total do tempo, 90% serão distribuídos proporcionalmente ao número de representantes eleitos pelos partidos na Câmara em 2014. Naquele ano, o PSB emplacou 34 deputados. Os 10% restantes serão distribuídos igualitariamente entre as legendas.

O senador aposta que o bom posicionamento da presidenciável nas pesquisas irá ajudar a consolidar alianças até as convenções partidárias, em julho. "Ainda temos muito que navegar e crescer. Pelo menos um mês aí para constituirmos uma coalizão. A prioridade é construir alianças", completou Randolfe Rodrigues.