POLÍTICA
19/06/2018 09:00 -03 | Atualizado 19/06/2018 09:00 -03

Alvaro Dias tenta ocupar espaço de Alckmin e quer vice do bloco de centro

“Se vamos liquidar as alternativas agora para ficar só um candidato no centro, podemos dificultar a tarefa do eleitor”, afirmou presidenciável ao HuffPost Brasil.

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"Se vamos liquidar as alternativas agora para ficar um [candidato] no centro, podemos dificultar a tarefa do eleitor. A minha candidatura é diferente [da de Alckmin]”, afirma Alvaro Dias.

Pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) tenta se viabilizar como um nome forte da centro-direita, como alternativa a Geraldo Alckmin (PSDB). Ele quer um vice do bloco de partidos composto por DEM, PRB, Solidariedade, PR e PP. O objetivo inicial do grupo era ter um candidato único na disputa presidencial.

"Como está havendo esse entendimento entre esses partidos, a discussão do vice vai ficar entre eles", afirmou o presidenciável ao HuffPost Brasil. Integrantes desse bloco têm conversado com apoiadores da campanha de Dias, mas por enquanto não há apoio definido. "Estamos esperando em respeito aos candidatos que estão lá. Ninguém desistiu. Fica deselegante", completou o senador.

A estimativa é que um apoio dessas 5 legendas garantiria cerca de 40% do tempo de propaganda de rádio e televisão. Isso porque o cálculo incluiu o tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados. Em 2014, o grupo emplacou 124 deputados. O Podemos, na época chamado PTN, tinha apenas 4 integrantes na bancada.

Hoje, DEM, PRB e Solidariedade têm como pré-candidatos Rodrigo Maia, Flávio Rocha e Aldo Rebelo, respectivamente. A expectativa, contudo, é que que as legendas desistam desses nomes. Antes de lançar um nome próprio para o Palácio do Planalto, uma aliança com o PRB era dada como certa pelo Podemos.

De olho no tempo de rádio e televisão e na capilaridade, o apoio do grupo tem sido alvo de outros presidenciáveis, além de Dias. Apoiadores de Alckmin têm tentado garantir o apoio dos democratas, que também consideram uma aproximação com Ciro Gomes (PDT). O PR, por sua vez, avalia lançar o empresário Josué Gomes como presidenciável. Ele já foi cotado como vice pelo PDT e PT. O PP também flerta com Ciro.

No mesmo espectro político, integrantes do MDB admitem, internamente, desistir da candidatura de Henrique Meirelles. A legenda elegeu 65 deputados nas últimas eleições.

Já uma aproximação do Podemos com Marina Silva (Rede), está fora do jogo. Ela e Dias chegaram a conversar, mas a ex-senadora não irá abrir mão da sua candidatura. "Teve conversa, mas não com esse objetivo. Só na defesa da lisura do processo eleitoral, de defender uma campanha limpa", afirmou o senador.

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O empresário Flávio Rocha, pré-candidato à Presidência da República pelo PRB, faz parte do grupo dos que devem desistir da candidatura e podem apoiar Alvaro Dias.

Dias x Alckmin na centro-direita

Lideranças da centro-direita lançaram no início do mês um manifesto em prol da unidade, com aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nos dias seguintes, a tensão dentro do PSDB ficou evidente, diante da dificuldade da candidatura de Alckmin decolar. As intenções de voto do tucano variam de 6% a 7%, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no domingo (10). O desempenho é o pior para um candidato tucano à Presidência em quase 30 anos.

Na avaliação de Álvaro Dias, a tendência é de que se consolide apenas a candidatura dele e de Alckmin nesse campo. Ele se mostra descrente de uma composição com o tucano. "O PSDB admite compor chapa com alguém, mas acho difícil imaginar que o partido vá abrir mão de ter candidato", afirmou.

Para o senador, essa postura abre espaço para uma contraposição ao tucano neste campo. "Os que não concordam com o PSDB querem uma alternativa. Dizem que o povo é que não sabe votar. Eu acho que os partidos é que não sabem apresentar as alternativas. Se vamos liquidar as alternativas agora para ficar um [candidato] no centro, podemos dificultar a tarefa do eleitor. A minha candidatura é diferente [da de Alckmin]", defendeu.

O Podemos aposta do discurso anti-corrupção para rivalizar com o PSDB, que teve sua imagem afetada especialmente com as investigações do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na Lava Jato e com a prisão de Eduardo Azeredo, pivô do Mensalão tucano. "É um rompimento do sistema e aí passa pelo combate à corrupção, que é um outro sistema de governança. Esse que está aí é uma fábrica de escândalos, aparelhamento. Esse é o diferencial da nossa candidatura porque a gente defende essa mudança com ênfase", afirmou Dias.

O parlamentar ganhou projeção no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando se tornou uma das principais vozes na Casa a favor do afastamento da petista. Apesar da oposição a Alckmin, o senador filiou-se ao PSDB em 1994, onde permaneceu até 2002. Foi para o PDT e retornou ao ninho dos tucanos de 2003 até 2015, quando migrou para o PV. Em julho de 2017, se filiou ao Podemos.

Dias foi citado na delação da Odebrecht, mas a investigação foi arquivada. O presidenciável foi acusado de supostas irregularidades praticadas pela Companhia Brasileira de Projetos e Obras entre 1987 e 1990 pelo delator Pedro Novis.

O suplente do parlamentar, o empresário Joel Malucelli, por sua vez, é suspeito de ter pago R$ 500 mil em propina mil para que sua empresa do setor de energia recebesse aporte de R$ 330 milhões do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).

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Presidenciável pelo Podemo, Álvaro Dias acredita que Geraldo Alckmin (PSDB) será o único além dele na disputa pelos votos da centro-direita.

Pesquisa favorece candidato de São Paulo

Com 4% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, Dias acredita que o resultado de Alckmin poderia ser ainda pior e que ele é favorecido por ter apoio no maior colégio eleitoral do País. "A pesquisa nessa hora favorece quem tem uma base significativa, como São Paulo, que tem 33 milhões de eleitores. Como os nomes ainda não estão plantados no País todo, quem sai da sua base com um percentual significativo porque tem quantidade leva vantagem", afirmou.

Com Fernando Haddad como candidato do PT, o tucano tem 11% das intenções de voto no Sudeste, empatado com Ciro (9%) e Marina (14%), e atrás de Jair Bolsonaro, do PSL (20%). No Sul, colégio eleitoral de Dias, ele alcança 14% nesse cenário, atrás de Bolsonaro (22%). Em seguida, aparecem Marina (9%), Ciro (8%) e Alckmin (5%).

O presidenciável do Podemos registra um desempenho melhor entre os mais ricos. Alcança 9% das intenções de voto entre eleitores com renda superior a 10 salários mínimos. E fica com 7% na faixa dos que ganham entre 5 e 10 salários mínimos.