MULHERES
14/06/2018 12:55 -03 | Atualizado 14/06/2018 16:43 -03

'A esperança é verde': A emoção das mulheres ao conquistar o 1° passo da legalização do aborto na Argentina

Caso projeto de lei seja aprovado no Senado, país se juntará a outros da América Latina, como Uruguai e Guiana, que permitem decisão autônoma da mulher.

EITAN ABRAMOVICH via Getty Images
Ativistas a favor da descriminalização choram e se abraçam após divulgação da decisão da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (14).

Há dois meses uma onda verde -- cor que não representa nenhum partido político -- cheia de esperança e impulsionada por feministas jovens, tomou a Argentina. Lenços da mesma cor, usados pelas ativistas, pediam por "educação sexual para decidir, anticoncepcional para não abortar, aborto legal para não morrer" e se tornou acessório obrigatório. Ir para as ruas e usá-lo foi uma forma pressionar o presidente Maurício Macri e a Câmara dos Deputados a colocar em discussão um projeto de lei que poderia descriminalizar o aborto no país até a 14ª semana de gestação.

Após mais de 20 horas de debate, nesta quinta-feira (14), em uma sessão disputada e histórica, o plenário da Câmara de Deputados da Argentina, decidiu por 129 votos a 125: as mulheres terão direito ao aborto legal em qualquer circunstância até a 14ª semana de gestação. O projeto ainda precisa passar pelo Senado.

Assim que o resultado foi divulgado, ativistas pró-escolha da mulher que ocupavam a frente do Congresso Nacional comemoraram a decisão com choro, gritos, abraços e mostraram que o verde, cor escolhida pelas organizações feministas para representar a luta pelo aborto seguro, é o símbolo da esperança.

Permitido até a 14ª semana de gestação de forma legal, segura e gratuita, o procedimento só poderá ser feito acima do limite estipulado por lei se houver risco de vida para a mulher, má formação do feto "incompatível com a vida extrauterina" ou em caso de estupro.

Segundo o Clarín, os médicos terão o direito de se negar a realizar abortos, por questões de consciência, mas centros de saúde serão obrigados a providenciar profissionais que possam realizar o procedimento e cumprir a lei.

O tema já era discutido no país em âmbito parlamentar havia cerca de dez anos, e o projeto aprovado nesta quinta (14) havia sido apresentado sete vezes ao Congresso. Na América Latina, apenas o Uruguai, a Guiana Francesa, Cuba e a Cidade do México tem legislação que garante o aborto legal. Com a nova postura da Argentina, à favor da decisão autônoma da mulher, países vizinhos como o Brasil poderão sofrer impactos e pressionar pelo debate da questão.

Veja imagens das mulheres comemorando o 1° passo para descriminalizar o aborto no país:

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