MUNDO
12/06/2018 10:25 -03 | Atualizado 12/06/2018 10:26 -03

Kim Jong-un se compromete com 'desnuclearização' da Coreia do Norte em acordo com Donald Trump

Após tensões em 2017, os líderes prometeram "paz duradoura e estável" em encontro em Singapura.

O tão esperado aperto de mão entre Kim Jong-un e Donald Trump nesta terça-feira (12) na ilha de Sentosa, em Singapura.
SAUL LOEB via Getty Images
O tão esperado aperto de mão entre Kim Jong-un e Donald Trump nesta terça-feira (12) na ilha de Sentosa, em Singapura.

No documento conjunto assinado nesta terça-feira (12), Kim Jong-un e Donald Trump se comprometem em trabalhar pela "completa desnuclearização" da Península da Coreia e fazer esforços para construir uma "paz duradoura e estável". Os EUA ainda oferecem "garantias de segurança" para o regime de Pyongyang.

"Hoje tivemos um histórico encontro e decidimos deixar o passado para trás. O mundo verá uma mudança histórica, gostaria de agradecer ao presidente Trump por fazer esse encontro acontecer", acrescentou Kim.

Questionado por jornalistas sobre o teor do documento, Trump acrescentou que o processo de desnuclearização vai começar "rapidamente". Além disso, afirmou que convidará o líder da Coreia do Norte para a Casa Branca.

Jonathan Ernst / Reuters
Donald Trump e Kim Jong-un se cumprimentam no Hotel Capella, na ilha de Sentosa, em Singapura.
A aguardada cúpula ocorreu no Capella Hotel, na ilha de Sentosa, e começou pouco depois das 9h (22h de segunda-feira em Brasília), com um aperto de mãos de cerca de 10 segundos entre Kim e Trump.

Depois de posar para fotos em frente a bandeiras dos EUA e da Coreia do Norte, os dois se reuniram a portas fechadas por aproximadamente 40 minutos, acompanhados apenas de tradutores.

"Acho que vamos ter uma grande relação", arriscou o norte-americano, antes de dispensar os fotógrafos. "Estamos aqui depois de todos os obstáculos", reforçou o norte-coreano.

Antes do início da segunda fase do encontro, já na companhia de assessores, Trump disse que a primeira reunião havia sido "muito, muito boa". Além disso, acrescentou que ele e Kim têm uma excelente relação" e que os dois resolverão "um grande problema, um grande dilema". A segunda fase do encontro durou mais de duas horas.

Na sequência, as comitivas tiveram um almoço de trabalho. O presidente foi acompanhado pelo seu secretário de Estado, Mike Pompeo, pelo chefe de Gabinete da Casa Branca, John Kelly, e pelo conselheiro para Segurança Nacional, John Bolton, expoente da "linha dura" dos republicanos.

Já Kim tinha a seu lado seu braço-direito, Kim Yong-chol, o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, e o presidente da comissão diplomática da Assembleia Suprema do Povo, Ri Su-yong.

SAUL LOEB via Getty Images
Acordo de desnuclearização da Coreia do Norte foi assinado pelos 2 líderes.

Tensões entre Coreia do Norte e Estados Unidos

Ao longo de 2017, a Coreia do Norte avançou como nunca em seu programa militar e testou, com sucesso, mísseis intercontinentais capazes de atingir o território dos Estados Unidos, além de ter realizado a detonação nuclear mais potente de sua história, supostamente com uma bomba de hidrogênio.

Em resposta, Trump patrocinou uma série de sanções econômicas das Nações Unidas contra a Coreia do Norte, que podem ter abalado ainda mais uma economia já fragilizada. Além disso, se envolveu em uma batalha retórica com Kim, chamando o norte-coreano de "pequeno homem foguete" e ameaçando atacar o país asiático com "fogo e fúria nunca antes vistos".

Por sua vez, o líder da Coreia do Norte prometera bombardear Guam, território ultramarino dos EUA no Oceano Pacífico, levantando ventos de guerra na região. Recorrentes exercícios militares e o envio de submarinos nucleares dos Estados Unidos também aumentaram os temores sobre um conflito iminente.

O clima de tensão na Península Coreana só arrefeceu no início de 2018, quando Kim desejou boa sorte para o Sul na realização dos Jogos de Inverno de PyeongChang. A declaração abriu as portas para a reaproximação entre Seul e Pyongyang, que culminou na participação de atletas do Norte nas Olimpíadas.

Kim anunciou recentemente a interrupção do programa nuclear e de desenvolvimento de mísseis de longo alcance de seu regime, mas ainda é incerto o que ele busca com a reaproximação ou até que ponto está comprometido com a desnuclearização total da península. A saída das tropas dos EUA do Sul, no entanto, deve ser uma de suas exigências para a paz.

Na Casa Branca, a versão é de que as sanções de Trump empurraram Pyongyang para o diálogo, porém o líder da Coreia do Norte usa seu poder de fogo como arma de persuasão, e sua mudança de postura pode indicar que o programa nuclear e balístico já atingiu um estágio suficiente para garantir a manutenção do regime.

Jonathan Ernst / Reuters
Será que o acordo de "paz" entre Coreia do Norte e Estados Unidos é para valer?

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