COMPORTAMENTO
10/06/2018 08:50 -03 | Atualizado 10/06/2018 08:53 -03

A equação dos Amores Líquidos: 6 leitores discutem relações, sexting e medos

Se 'A Quadrilha' de Carlos Drummond de Andrade já parecia confusa de se entender em 1930, 80 anos depois não está mais simples falar de amor...

Divulgação/Netflix
A série 'Black Mirror' trouxe episódio sobre relacionamentos mediados por tecnologia.

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João sumiu e parou de responder as mensagens. Teresa também, mas continuou visualizando o Instagram. Raimundo disse que o problema era com ele, que não estava totalmente pronto. Maria conheceu Carol e Jasmin. Joaquim resolveu arrumar uma mochila e ir desbravar o mundo. Lili baixou o Tinder e tem um relacionamento aberto com Hernandes, que ainda não tinha entrado para a história.

Se a Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade já parecia confusa de se entender em 1930, 80 anos depois não está mais simples falar de amor.

Aliás, é cada vez mais louco acompanhar as threads de relacionamentos.

São tempos de poliamor e de independência, em que o custo de oportunidade em escolher apenas ficar com uma pessoa é muito alto. Vence aquele que se importa menos, não era essa a regra? Temos a mediação dos aplicativos e a seletividade em um clique.

Ao mesmo tempo, nos sentimos cada vez mais sozinhos e isolados. Temos medo de falar sobre as nossas vulnerabilidades, e pedir ajuda é demonstrar qualquer tipo de fraqueza.

Os algoritmos que comandam as nossas vidas não escolhem apenas o que vamos ler ou não no Facebook. Eles nos acostumam com algo que é muito maior: temos sempre alguém nos esperando ou nos oferecendo algo. E as redes criam esse fetiche que nos faz pensar o quanto nosso clique é importante. Produzimos certa arrogância.

Ao mesmo tempo em que criamos a sensação de estarmos mais próximos, as telas são capazes de afastar aquilo que nos tira da zona do conforto e nos incomoda. Construímos o nosso ego sem uma verdadeira referência do outro. Mas o fato é que o outro é importante para significar a nossa existência por aqui.

E é em meio aos desarranjos da vida que descobrimos vários e vários espacinhos de nós mesmos que são válidos de serem explorados. Por nós mesmos e por quem amamos.

Mas como encontrar uma âncora em meio a esse caos de sentimentos? Falando e trocando e construindo juntos. E é por isso que o HuffPost Brasil ouviu 6 leitores sobre os relacionamentos na atualidade.

Os nomes foram trocados para manter a privacidade dos autores, entrevistados ao longo desta semana.

Acompanhe a conversa: