LGBT
09/06/2018 13:30 -03 | Atualizado 11/06/2018 13:59 -03

Por que o Brasil está preocupado com torcedores LGBT na Rússia

Apesar de a homossexualidade não ser crime no país, gays sofrem constantes perseguições na Rússia.

Anton Vaganov / Reuters
O governo brasileiro lançou na última quinta-feira (7) uma cartilha de recomendações para os torcedores na Copa da Rússia.

O governo brasileiro lançou na última quinta-feira (7) uma cartilha de recomendações para os torcedores que pretendem assistir e torcer pela seleção brasileira na Copa da Rússia.

O guia consular provocou comentários ao sugerir que a comunidade LGBT evitasse "demonstrações homoafetivas em ambientes públicos".

A cartilha de 134 páginas traz orientações sobre o que os turistas devem evitar no país, quais são os documentos são importantes para a viagem, além de dados sobre o clima e sobre a moeda do russa.

O governo brasileiro também recomenda que sejam evitadas quaisquer manifestações públicas sobre temas políticos, ideológicos, sociais e de orientação sexual.

Outro alerta do Itamaraty é para o uso de bandeiras estrangeiras em locais públicos.

Veja o que diz a cartilha do governo brasileiro:

Reprodução

Contudo, muita gente considerou o alerta do Itamaraty pertinente, já que o país sede da Copa possui leis contra "propaganda de relações sexuais não tradicionais".

Mas, afinal, como a Rússia trata a comunidade LGBT?

De acordo com a diretora do Departamento Consular, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro, o objetivo da cartilha ao trazer informações específicas para o público LGBT é evitar situações de "constrangimento".

"Na Rússia, há uma lei especificamente sobre comportamento homoafetivo. Se for em público, nossos cidadão brasileiros podem estar correndo risco", explicou em entrevista ao G1.

Apesar de o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não ser crime no país desde 1993, a Rússia ainda enfrenta reações homofóbicas à comunidade LGBT.

Desde junho de 2013 vigora na Rússia uma lei que proíbe a "propaganda gay".

A norma bane manifestações homoafetivas em locais públicos em que crianças podem estar presentes, por exemplo. De acordo com o texto da lei, a proibição serve para que exista a "proteção das crianças de informações prejudiciais a sua saúde e desenvolvimento".

Os turistas que violarem a lei podem ser detidos por até 15 dias, deportados e ainda terem de pagar multa de 5 mil rublos (R$ 287).

De acordo com a Folha, uma pesquisa feita há 5 anos pelo Centro Russo de Estudo de Opinião Pública apontou que 90% dos entrevistados eram favoráveis à lei.