LGBT
07/06/2018 17:32 -03 | Atualizado 07/06/2018 18:05 -03

O artista plástico que retrata as identidades negra e queer de maneira íntima

“Nossa história não se resume à opressão”, diz Jonathan Lyndon Chase sobre sua mostra, "Sheets".

Em sua nova exposição, o artista plástico Jonathan Lyndon Chase usa lençóis para transmitir uma mensagem "em constante mudança e evolução" sobre raça, gênero e sexualidade.

"Sheets" (Lençóis), a exposição aberta em 1º de junho, em Los Angeles, é uma série de 12 pinturas de Chase, feita com materiais diversos, que pede ao espectador que ele "desenrede ou desvele as camadas de identidades múltiplas que conservamos diante do mundo externo para viver", segundo os organizadores. Uma mostra adjacente vai destacar desenhos adicionais sobre papel.

Para criar a série, Chase, natural de Filadélfia, usou desenhos, fotos e colagens, além de pintura a óleo tradicional. As imagens contorcidas e em muitos casos sexualmente explícitas refletem a experiência de vida do artista, como homem negro queer e não binário. Muitos dos homens retratados usam batom, sombra e bijuterias, num aceno intencional ao mundo da dança de salão de Nova York nos anos 1980 e 1990.

Chase disse ao HuffPost que o objetivo da mostra é incentivar o espectador a "abraçar seu potencial de transformação interior e também fora de seu corpo e no mundo".

"Nossas histórias não são necessariamente baseadas na dor", ele explicou. "A dor é apenas uma parte de nossa experiência. Nossa história não se resume à opressão. É importante continuarmos a centrar nossas próprias narrativas, documentar e enriquecer nossa história para o futuro."

O artista de 28 anos fala com franqueza sobre seus problemas com o transtorno bipolar, algo que ele também procurou mostrar sutilmente em "Sheets".

"Os altos e baixos são de certo modo como sonhos e pesadelos", ele comentou. "Essa é apenas uma faceta de minha própria história de vida, mas é algo que tem destaque na vida de muitas pessoas LGBTQ."

O impulso que o levou a usar lençóis como material de base se deveu a várias coisas.

"Os lençóis têm muitas conotações diversas para mim", disse Chase. "A realidade é composta de fios socioculturais entremeados. Todos fazemos parte da sociedade, e o fio que temos em comum é o do corpo, que usamos para repousar, para resistir e para mapear nossa identidade, além de nos orientar no mundo externo. Penso no lençol como sendo semelhante ao corpo, na medida em que tanto ele quanto o corpo encerram memórias, cheiros e toques."

Enquanto isso, o diretor adjunto da galeria Kohn, Joshua Friedman, elogiou Chase por "transformar a própria natureza da representação" por meio de sua arte.

"Seu trabalho tem raízes em uma narrativa pessoal, mas ele transforma esses temas em um diálogo visual aberto que pode ser entendido e interpretado por todos os espectadores", escreveu Friedman em um e-mail. "Jonathan quer criar imagens que funcionam como nós poderíamos funcionar. Essas obras são a tessitura da vida. Elas encarnam a beleza crua e terna da experiência humana, sem ocultar um único ponto."

A mostra "Sheets", de Jonathan Lyndon Chase, foi aberta em Los Angeles em 1º de junho.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.