POLÍTICA
06/06/2018 01:08 -03 | Atualizado 06/06/2018 01:08 -03

Bolsonaro sempre votou com a esquerda, diz coordenador da campanha de Alckmin

Pérsio Arida: "Se você quiser votar por convicção em um liberal, não é no Bolsonaro que você vai votar”.

Bolsonaro foi um dos primeiros a apoiar a greve dos caminhoneiros.
Ueslei Marcelino / Reuters
Bolsonaro foi um dos primeiros a apoiar a greve dos caminhoneiros.

Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato do PSL à Presidência da República, se diz liberal, mas para o coordenador da campanha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), presidenciável do PSDB, o economista Pérsio Árida, o militar da reserva está (bem) mais à esquerda.

"Bolsonaro votou contra medidas modernizantes o tempo todo. Votou contra a reforma da Previdência, a favor de benefício para o Legislativo e agora ele e o filho dele junto com o PT e o PSol votaram contra o cadastro positivo", afirmou o economista.

Em palestra na Casa do Saber, em São Paulo, que tem organizado eventos com coordenadores da campanhas dos presidenciáveis, o economista, que é um dos idealizadores do plano real, rechaçou a veia liberal do deputado federal.

"Bolsonaro sempre foi estatizante, que sempre votou com a esquerda. Curiosamente, a ideia desenvolvimentista, intervencionista das estatais, é exatamente o que o ocorreu sob o regime militar. Bolsonaro está sendo apenas coerente. O governo militar sempre foi estatizante."

Arida chegou a brincar e dizer que Bolsonaro teve uma iluminação quando encontrou o economista Paulo Guedes e passou a ser liberal. Mas enfatizou que, diferentemente de candidatos como Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, Bolsonaro tem dificuldade em escolher um caminho.

A explicação é que Ciro, por exemplo, afirmou que o Brasil poderia adotar um preço interno diferente para o combustível, já Alckmin disse que o ideal é seguir o internacional. Bolsonaro, entretanto, afirmou que é preciso um meio termo. "O que é meio termo? Ou você está com Ciro ou com Bolsonaro, não tem meio termo." Para ele, Bolsonaro engana, "é um engodo".

Você pode ser tudo menos liberal se apoia uma greve que bloqueia estradas. Liberal não pode apoiar greve que bloqueia estrada.

Política

Na avaliação de Arida, a próxima eleição será mais simbólica pelo que o candidato representa do que pelas ideias em si. "O eleitor vai votar em quem é conhecido. Essa renovação vai ser muito pequena. E próximo presidente vai se defrontar com um Congresso muito parecido com o atual."

A dificuldade para o próximo chefe do Executivo, segundo ele, será mexer em leis e na Constituição. "O presidente eleito tem um capital político que vai diminuindo ao longo do mandato. O presidente vai ter o primeiro ano para colocar o País nos trilhos e tem que ser um político que saiba fazer política, alianças e reconhecer lideranças."