POLÍTICA
05/06/2018 07:00 -03 | Atualizado 05/06/2018 10:03 -03

Alckmin foca na união da centro-direita e em programa para o Nordeste

“Com Lula fora, tem um espaço eleitoral muito grande. Não tem ninguém despontando na região”, afirma o deputado Betinho Gomes.

Geraldo Alckmin quer votos do Nordeste, região onde 50% das intenções de voto são para Luiz Inácio Lula da Silva.
Adriano Machado / Reuters
Geraldo Alckmin quer votos do Nordeste, região onde 50% das intenções de voto são para Luiz Inácio Lula da Silva.

Com dificuldades em decolar nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), tenta se viabilizar como o nome à frente da unidade da centro-direita, em busca de uma aliança em 1º turno. Para conquistar os eleitores, por sua vez, o tucano irá elaborar um programa de desenvolvimento para o Nordeste e quer reforçar as alianças locais.

Com o nome de "polo democrático", integrantes de partidos como PSDB, MDB e DEM lançam nesta terça-feira (5) um manifesto pela unidade do campo na disputa eleitoral. Com a chancela do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o documento com propostas reformistas tem como objetivo principal garantir que o 2º turno tenha um candidato dessas siglas em vez de ser disputado por Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT).

"Pode ser um candidatura única, pode ser um pacto no 1º turno de ter canais abertos e movimentos articulados para uma perspectiva de 2º turno entre extremos, como alguém se retirar em favor de quem estiver mais bem colocado ou uma união no 2º turno. O problema é a possibilidade real de estar fora do 2º turno como em 1989", afirmou ao HuffPost o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), secretário-geral do partido.

Em 1989, com 22 candidatos ao Palácio do Planalto, o 2º turno acabou entre Fernando Collor, então filiado ao PRN, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O manifesto é um primeiro passo em busca de uma candidatura única que poderia ter Alckmin como cabeça da chapa. Aliados do tucano, contudo, evitam falar abertamente dessa etapa. "Não pode começar a conversa desse jeito. O nome do PSDB é o Alckmin, mas temos que discutir com os outros partidos", afirmou Pestana.

As conversas com pré-candidatos como Álvaro Dias (Podemos) vão começar neste mês. "Esse movimento vai agir como fermento", afirma Pestana. Além das 3 grandes siglas da centro-direita, o manifesto tem apoio de integrantes do PPS, PV, PSL, PSD e PTB.

Alckmin oscila entre 6% a 8% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em abril. Outros pré-candidatos da centro-direita, como Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias chegam a, no máximo, 3%.

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Movimento que pode levar Alckmin a ser cabeça na chapa de uma candidatura única da centro-direita tem aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Alckmin quer eleitores do Nordeste

Se por um lado o tucano se movimenta em busca de apoio no mundo partidário, em outra frente o ex-governador de São Paulo busca aumentar a popularidade no Nordeste.

O cientista político Luiz Felipe Dávila, um dos responsáveis pela coordenação da campanha, articula uma aproximação com senadores e deputados nordestinos. De acordo com o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), a intenção é intermediar a comunicação com lideranças locais, como as juventudes nas bases. "O foco não é só o público partidário", afirmou ao HuffPost Brasil.

A intenção é herdar os votos que iriam para o PT na região, caso se concretize a expectativa de a Justiça Eleitoral impedir a candidatura de Lula, preso desde 7 de abril.

Com Lula fora, tem um espaço eleitoral muito grande. Não tem ninguém despontando na região.Betinho Gomes

Mesmo preso, o petista continua com a preferência dos nordestinos. De acordo com última pesquisa Datafolha, publicada em 16 de abril, ele tem 50% das intenções de voto na região em um dos cenários, a frente de Marina Silva (Rede) e de Bolsonaro, ambos com 7%.

Com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como nome do PT, Marina lidera no Nordeste, com 16% das intenções de voto, seguida por Ciro Gomes (15%) e Bolsonaro (9%).

Ainda de acordo com a sondagem, 51% votariam em um candidato apoiado por Lula na região.

As visitas a cidades nordestinas também vão continuar. Em maio, Alckmin esteve no Maranhão e no Piauí. Em ambos, elogiou, com ressalvas, o Bolsa Família. "É importante. Vamos manter e, tendo necessidade, até ampliar. Agora, você tem que fazer crescer a atividade econômica. O agronegócio vai crescer", afirmou.

Na frente social, o tucano planeja melhorar a remuneração do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), alinhado à promessa de aumentar a renda do brasileiro. Dentro do programa de governo, Alckmin irá incluir propostas de desenvolvimento regionais que ainda estão sendo fechadas. As ações devem incluir áreas como agricultura e abastecimento de água, por exemplo.

Ainda de olho no Nordeste, o presidenciável irá intensificar entrevistas a rádios locais.

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Mesmo com dificuldades de Alckmin em decolar nas pesquisas, PSDB descarta substuí-lo por João Doria na corrida presidencial.

PSDB não quer trocar Alckmin por Doria

Quanto à possibilidade do ex-prefeito de São Paulo João Doria substituir o padrinho político, tucanos negam articulações e afirmam que as especulações vêm de fora do partido. "Não vamos mudar um jogo que mal começou", afirmou Betinho Gomes.

A mudança foi ventilada diante das dificuldades de Alckmin em avançar nas pesquisas. Defensores do ex-governador, por sua vez, apostam que o cenário será mais favorável quando a campanha começar de fato, com a propaganda gratuita de rádio e televisão. A expectativa é que pelo menos 4 legendas formem o bloco do PSDB.

De acordo com correligionários, os brasileiros agora estão preocupados com questões como inflação e desemprego e não com eleições. O desafio é transformar essa insatisfação generalizada no País em votos.

Ainda dentro da estratégia de Alckmin, estão mudanças nas redes sociais, com maior uso de vídeos e um discurso com posições mais firmes. Ele também irá manter a apresentação da equipe. O tucano já anunciou quem irá formular seu plano de educação. O grupo inclui Maria Helena Guimarães de Castro, que deixou a secretaria executiva do Ministério da Educação no início de maio, o ex-secretário de educação do Rio de Janeiro na gestão Sérgio Cabral, Wilson Risolia, e a empresária Ana Maria Diniz, uma das fundadoras do movimento Todos Pela Educação.

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