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30/05/2018 16:45 -03 | Atualizado 30/05/2018 16:45 -03

Em meio à greve dos petroleiros, País retoma lentamente à normalidade

"Não temos tudo em todo os postos, é um processo lento para repor os estoques, mas caminhamos para a normalidade”, assegura o ministro Etchegoyen.

Ricardo Moraes / Reuters
Apesar da decisão do TSE contrária à greve, Petroleiros mantém a paralisação por 72 horas.

Aos poucos, os impactos da greve dos caminheiros começam a ser dissipados. A circulação de caminhões, por exemplo, de acordo com a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustível, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural), já chega a 60% nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.

Os postos de gasolina também estão voltando a serem reabastecidos. Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), o Pará é o estado que ainda preocupa, pois só a capital, Belém, foi reabastecida.

De acordo com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, 53% da distribuição de combustível está normalizada. "Não temos tudo em todo os postos, é um processo lento para repor os estoques, mas caminhamos para a normalidade", afirmou.

Segundo ele, com ajuda da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Exército, da Força Aérea Brasileira e da Polícia Militar de São Paulo a rodovia Régis Bittencourt, que era um ponto de resistência foi liberada. O entroncamento de Rondonópolis (MT) também está livre para circulação. Ainda há, no entanto, 540 pontos de manifestação.

A situação dos aeroportos também está sendo normalizada. Nos aeroportos administrados pela Infraero, dos 555 voos programados até 12h desta quarta-feira (30), 33 (6%) foram cancelados pelos mais diversos motivos. Mas ainda assim ainda falta combustível em 9 aeroportos. São eles os aeroportos de Belém (PA); Campina Grande (PB); Imperatriz (MA); Juazeiro do Norte (CE); Londrina (PR); Montes Claros (MG); Palmas (TO); São José dos Campos (SP) e Uberlândia (MG).

Em Brasília e em Natal, que são concedidos à Inframerica, a situação também se normalizando. Natal não chegou a sentir os efeitos da greve, já Brasília, embora haja restrições, apenas 3 voos sofreram atrasos, de 86 pousos e 72 decolagens.

Ainda assim, é recomendado aos passageiros que verifiquem a condição do voo antes de se deslocarem até os aeroportos.

Prejuízos

Esses 10 dias de greve já causaram prejuízos de R$ 6,6 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em nota, a confederação afirmou que os danos podem ser ainda maiores até que a condição seja completamente normalizada. A entidade alerta para "caos extremo" se as paralisações continuarem.

Greve dos petroleiros

Em greve por 72 horas, os petroleiros manifestam contra as medidas de privatização da Petrobras e pedem o afastamento imediato do presidente da estatal Pedro Parente.

Em comum, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) também defendem o fim da política de preços da Petrobras. Atualmente, a empresa reajusta os valores dos combustíveis diariamente, sempre com base na cotação do dólar e do barril do petróleo no mercado internacional.

A paralisação, entretanto, ainda não afeta as atividades das refinarias de produtos como diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha).

A greve é considerada ilegal pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Foi estipulada uma multa diária de R$ 500 mil na terça-feira (29), mas a Advocacia-Geral da União pediu nesta quarta-feira (30) ao tribunal para aumentar a multa.