NOTÍCIAS
30/05/2018 20:25 -03 | Atualizado 31/05/2018 15:45 -03

Anistia Internacional lança clipe poderoso com Chico Buarque e Fernanda Montenegro

'Manifestação' celebra os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e é um chamado à resistência; assista.

Para marcar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), a Anistia Internacional reuniu artistas brasileiros como Chico Buarque e Fernanda Montenegro e lançou nesta semana o clipe de Manifestação, "canção-protesto" que fala de resistência e convoca a sociedade a cantar contra a violência, o racismo, o machismo, a homofobia.

Com letra de Carlos Rennó e música de Russo Passapusso, Rincon Sapiência e Xuxa Levy, a canção "vem para lembrar que, quando os direitos humanos de uma pessoa são violados, os direitos de todas e todos estão em risco".

Se você é humano ou humana, esses direitos são seus e para os seus.Anistia Internacional.

Também participaram da gravação os músicos Criolo, Péricles, Rael, Rico Dalasam, Paulo Miklos, As Bahias e a Cozinha Mineira, Luedji Luna, Xênia França, Ellen Oléria, BNegão, Filipe Catto, Chico César, Moska, Pretinho da Serrinha, Pedro Luís, Marcelino Freire, Ana Canãs, Márcia Castro, Larissa Luz e Ludmilla.

Há, ainda, a voz e a presença das atrizes Camila Pitanga, Letícia Sabatella e Roberta Estrela D'Alva.

A banda é formada por Benjamin Taubkin (piano), Os Capoeira (percussão), Siba (rabeca), Marcelo Jeneci (acordeon), Emerson Villani (violões e guitarra), Robinho (baixo), Samuel Fraga (bateria), DJ Nyack (pickups) e Roberto Barreto (guitarra baiana). O clipe foi dirigido por João Wainer e Fábio Braga.

Para Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional, Manifestação é um chamado.

"O lançamento desse clipe é um marco para lembrarmos que, mesmo após 70 anos da Declaração Universal de Direitos Humanos, a mobilização para que nossos direitos sejam garantidos continua crucial."

Confira a letra:

'Manifestação'

Aqui estamos na avenida

Pelas ruas, pela vida

Marchando com o cortejo

Que flui horizontalmente

Manifestando o desejo

De uma cidade includente

E uma nação cidadã

Traduzido numa canção

Numa sentença, num mantra

Num grito ou numa oração

Por todo jovem negro que é caçado

Pela polícia na periferia

Por todo pobre criminalizado

Só por ser pobre, por pobrefobia

Por todo povo índio que é expulso

Da sua terra por um ruralista

Pela mulher que é vítima do impulso

Covarde e violento de um machista

Por todo irmão do Senegal, de Angola

E lá do Congo aqui refugiado

Pelo menor de idade sem escola

A se formar no crime condenado

Por todo professor da rede pública

Mal pago e maltratado pelo Estado

Pelo mendigo roto em cada súplica

Por todo casal gay discriminado

E proclamamos que não se exclua ninguém

Senão a exclusão

Aqui estamos nós de volta

Sob o signo da revolta

Por uma vida mais digna

E por um mundo mais justo

Com quem já não se resigna

E se opõe sem nenhum susto

A uma classe dominante

Hostil à população

Numa ação dignificante

Que nasce da indignação

Por todo homem algemado ao poste

Tal qual seu ancestral posto no tronco

E o jovem que protesta até que o prostre

O tiro besta de um PM bronco

Por todo morador de rua, sem saída

Tratado como lixo sob a ponte

Por toda a vida que foi destruída

Em Mariana ou no Xingu, por Belo Monte

Por toda vítima de cada enchente

De cada seca dura e duradoura

Por todo escravo ou seu equivalente

Pela criança que labuta na lavoura

Por todo pai ou mãe de santo atacada

Por quem exclui quem crê num outro deus

Por toda mãe guerreira, abandonada

Que cria sem o pai os filhos seus

E proclamamos que não se exclua ninguém

Senão a exclusão

Eis aqui a face escrota

De um modelo que se esgota

Policiais não defendem

Políticos não contentam

Uns nos agridem ou prendem

Outros não nos representam

E aquele que não é títere

E é rebelde coração

Vai no Face, no zap e Twitter

E combina um ato ou ação

Por todo defensor da natureza

E todo ambientalista ameaçado

E cada vítima de bullying indefesa

E cada transexual crucificado

E cada puta, cada travesti

E cada louco e cada craqueiro

E cada imigrante do Haiti

E cada quilombola e beiradeiro

Pelo trabalhador sem moradia

Pelo sem-terra e pelo sem-trabalho

Pelos que passam séculos ao dia

Em conduções que cansam pra caralho

Pela empregada que batalha, e como

Tal como no Sudeste o nordestino

E a órfã sem pais hetero nem homo

E a morta num aborto clandestino

Impelidos pelos ventos

Dos acontecimentos

Louvamos os mais diversos

Movimentos libertários

Numa cascata de versos

Sociais e solidários

Duma canção de protesto

Qual 'Canção de Redenção'

Uma canção-manifesto

Canção 'Manifestação'

Por todo ser humano ou animal

Tratado com desumanimaldade

Por todo ser da mata ou vegetal

Que já foi abatido ou inda há de

Por toda pobre mãe de um inocente

Executado em noite de chacina

Por todo preso preso injustamente

Ou onde preso e preso se assassina

Pelo ativista de direitos perseguido

E o policial fodido igual quem ele algema

Pelo neguinho da favela inibido

De frequentar a praia de Ipanema

E pelo pobre que na dor padece

De amor, de solidão ou de doença

E as presas da opressão de toda espécie

E todo aquele em quem ninguém mais pensa

E proclamamos que não se exclua ninguém

Nem nada, senão a exclusão

Dando à vida e à alma grande

Um sentido que as expande

Cantamos em consonância

Com os que sofrem ofensa

Violência, intolerância

Racismo, indiferença

As Cláudias e Marielles

Rafaeis e Amarildos

Da imensa legião

De excluídos do Brasil

Sul ao norte da nação

E proclamamos que não se exclua

Ninguém senão a exclusão.