COMPORTAMENTO
30/05/2018 11:26 -03 | Atualizado 30/05/2018 11:31 -03

Afinal, para que serve o óleo de canabidiol?

Analisamos alguns de seus benefícios, mas temos algumas ressalvas.

O CBD está sendo mais e mais usado como possível tratamento para problemas de saúde.
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O CBD está sendo mais e mais usado como possível tratamento para problemas de saúde.

Para um produto que visa deixar as pessoas mais tranquilas, o CBD está causando grande repercussão.

O CBD, ou canabidiol, é um dos componentes não psicoativos encontrados na canábis, ou planta do cânhamo. Isso significa que, diferentemente da maconha, ele não provoca "barato" no usuário. O consumo de CBD vem aumentando; as pessoas estão usando o ingrediente para uma série de problemas de saúde.

O CBD pode ser encontrado em forma de óleo, possivelmente sua apresentação mais conhecida e frequentemente estudada. Também pode ser fumado num cigarro eletrônico, ingerido, como em balas de goma de CBD, ou acrescentado a artigos como cremes e produtos de beleza. Parece mágico, não?

Como é o caso com a maioria dos produtos ligados à saúde, é recomendável informar-se sobre os benefícios e restrições do CBD antes de começar a usar produtos como óleo de CBD. Veja abaixo algumas das coisas que é bom saber, segundo especialistas e pesquisas.

O óleo de CBD pode ajudar com problemas de saúde mental

Uma das utilizações mais comuns do produto talvez seja para conseguir alívio do estresse ou outras questões de saúde mental, e por um bom motivo. Virginia Thornley, neurologista credenciada de Sarasota, Flórida, que revê artigos científicos sobre o canabidiol, disse ao HuffPost anteriormente que os efeitos do CBD podem ser semelhantes aos de ansiolíticos e antidepressivos.

As pesquisas também soam promissoras: um estudo publicado em 2017 pela USP constatou que o CBD pode reduzir a ansiedade de pacientes com fobia social. Uma revisão publicada no periódico especializado Schizophrenia Bulletin sugere que o CBD pode trazer benefícios clínicos para pacientes com psicose em estágio inicial.

O óleo de CBD pode ajudar pessoas com dependências

O CBD pode ser um método de tratamento promissor para pessoas com dependências, diz a neurocientista Yasmin Hurd, diretora do Instituto de Adição da Escola Mount Sinai de Medicina.

Hurd e seus colegas realizaram estudos clínicos de CBD com animais e humanos para verificar como a substância pode ajudar com a drogadição. Eles obtiveram resultados positivos nos dois ensaios clínicos.

"Analisando o CBD... constatamos que ele reduz a busca dos pacientes por heroína", disse Hurd. Agora os pesquisadores estão conduzindo estudos com outras pessoas pelo mundo afora para aprofundar os testes da eficácia do CBD no tratamento de dependência.

"Não existe medicamento milagroso", falou Hurd. "Mas este pode ajudar a combater pelo menos alguns aspectos da fissura."

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CBD oil may help people living with mental health issues, addiction and pain conditions, according to experts and research.

Há evidências de que o CBD pode ajudar a combater a dor e outras condições médicas

Um estudo de 2016 sobre ratos com artrite constatou que o gel de CBD aplicado às articulações dos animais reduzia a inflação e a dor nas juntas. Isso sugere que o CBD pode ter efeito analgésico para pessoas com essa mesma condição. Mas são necessárias mais pesquisas para verificar se esse efeito pode ser reproduzido com humanos.

Muitos usuários de CBD dizem que o produto alivia a dor e os efeitos colaterais de condições médicas, e especialistas estão encontrando evidências preliminares nesse sentido. O efeito benéfico inclui o possível alívio de convulsões epilépticas, dor crônica e dor provocada por câncer. Mas, também neste caso, são necessárias mais pesquisas.

O óleo de CBD pode ajudar com o sono

O CBD pode gerar sonolência, disse Hurd. O cansaço também pode ser visto como efeito colateral do produto (falaremos mais sobre isso mais abaixo).

Segundo o psicólogo clínico e especialista em sono Michael Breus, pelo fato de ajudar a acalmar o estresse e a ansiedade o CBD também pode ajudar as pessoas a terem um sono melhor. Ele indicou em artigo no HuffPost em 2017 que estudos também vêm constatando que o CBD pode combater transtornos que impedem as pessoas de terem um sono tranquilo.

O CBD pode combater a ansiedade, ajudando a reduzir as dificuldades de sono e melhorar a qualidade do sono. O CBD também pode aumentar as horas totais de sono e reduzir a insônia, segundo pesquisas. Já foi comprovado que o CBD reduz a insônia entre pessoas que sofrem dor de costas crônica.

É claro que tudo isso é ótimo, mas Hurd avisou que as pessoas devem ficar atentas, mesmo assim. Existem algumas restrições ao CBD que os consumidores precisam levar em conta.

Existem diferenças de opinião quanto às dosagens

Os produtos à base de CBD não são aprovados pela Food and Drug Administration (órgão americano que regulamenta os alimentos e medicamentos). Sua pureza e suas dosagens não são controladas, como é o caso de outros medicamentos.

Segundo Hurd: "No caso de qualquer produto médico, é preciso que se possa reproduzi-lo e é preciso saber o que o paciente vai estar tomando a cada dose. Quando uma pessoa toma uma aspirina, ela não vai ficar na dúvida – 'será que este comprimido me dará o dobro da dose que eu necessito?'."

Ainda segundo Hurd, usar óleo de CBD é a melhor maneira de usar a quantidade correta da substância, porque o usuário pode ter controle maior sobre quanto emprega.

Há alguns efeitos colaterais possíveis

Algumas pessoas podem apresentar sonolência quando usam CBD, mas, como explicou Hurd, o produto também pode ser empregado para combater problemas do sono. Já houve relatos de diarreia após o uso de altas concentrações de CBD, mas nem todos os estudos validaram essa observação. O CBD pode provocar irritabilidade ou náuseas. A Academia Americana de Pediatria desaconselha seu uso em crianças, devido a preocupações com o desenvolvimento cerebral.

De modo geral, porém, diz Hurd, o CBD não tem muitos efeitos colaterais comprovados, razão por que os pesquisadores esperam estudá-lo como tratamento potencial para problemas de saúde.

O CBD ainda pode ser considerado ilegal em alguns estados e países

A legislação muitas vezes é confusa e aberta a interpretações, mas o CBD ainda pode ser visto como substância ilegal em algumas partes dos Estados Unidos. A Cannabis, da qual são derivadas tanto a maconha quanto o CBD, é considerada uma droga da categoria um, o que, segundo a Drug Enforcement Administration, significa que "não existe no momento uma utilização médica aceita da droga, enquanto o potencial de abuso dela é alto".

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While CBD is rising in popularity, it still may be considered illegal in some states and researchers say more studies need to be conducted on the products.

Em última análise são necessárias mais pesquisas sobre o óleo de CBD

O CBD soa como um produto milagroso na teoria, mas especialistas, incluindo Hurd, destacam a necessidade de obter mais informaões antes de serem tiradas conclusões definitivas. E, devido à classificação da canábis como droga de categoria um, é difícil conseguir apoio para pesquisas clínicas sobre os possíveis efeitos positivos do uso de maconha e CBD.

"Faltam dados confiáveis relativos ao CBD", disse Pritham Raj, médico internista e psiquiatra em Portland, Oregon, falando anteriormente ao HuffPost. "Houe apenas ensaios pequenos até agora. Alguns indicaram que o CBD traz benefícios, e outros não apontaram nenhum benefício."

Em última análise, opinou Hurd, "o CBD possui valor medicinal potencial", mas a palavra de ordem no momento é "cautela". Adquirir CBD de um dispensário de medicamentos ou na internet, mesmo que seja legal, ainda traz algumas restrições quando se trata de tratar um problema de saúde.

"Acho que as pessoas devem agir com cautela em relação ao CBD que possam estar usando, porque ainda não foram feitas pesquisas suficientes", disse Hurd. "É isso o que estamos tentando fazer. Queremos promover muitos ensaios clínicos para sabermos mais sobre como as pessoas podem usar CBD com mais eficácia para seu problema de saúde específico."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.