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29/05/2018 17:07 -03 | Atualizado 29/05/2018 17:17 -03

Petroleiros se juntam aos caminhoneiros e prometem parar por 72 horas

A paralisação não vai agravar a situação dos postos de combustíveis no País, diz o presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Os petroleiros são contra as medidas de privatização da Petrobras e pedem o afastamento imediato do presidente da estatal Pedro Parente.
Paulo Whitaker / Reuters
Os petroleiros são contra as medidas de privatização da Petrobras e pedem o afastamento imediato do presidente da estatal Pedro Parente.

Funcionários da Petrobras que trabalham com a distribuição do petróleo e seus derivados prometem uma paralisação para esta quarta-feira (30). De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a paralisação de advertência, prevista para durar 72 horas, tem como pauta a diminuição dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis no País. O grupo também é contrário a venda de 4 refinarias da empresa.

O diretor da FUP, Simão Zanardi, disse que a paralisação não vai agravar a situação dos postos de combustíveis no País.

"Neste momento, caiu o consumo e todas as refinarias estão com o estoque alto, o que daria condições de suprir o mercado de uma forma bem tranquila [em 72 horas]", explicou em entrevista ao R7.

Em nota à imprensa, a Petrobras afirma que "foi notificada pelas entidades sindicais sobre paralisação" e afirma que vai tomar "as medidas necessárias para garantir a continuidade das operações" durante o período da greve.

A Petrobras foi notificada pelas entidades sindicais sobre paralisação nos dias 30/5, 31/5 e 1/6. A companhia tomará as medidas necessárias para garantir a continuidade das operações.

Sobre os impactos da greve dos caminhoneiros nas refinarias, a Petrobras informa que todas as suas unidades estão em operação. Onde há bloqueio nas vias de acesso, a empresa está buscando apoio das autoridades para que sejam tomadas medidas que garantam a circulação.

A decisão da greve foi acordada nas assembleias da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e pega carona na greve dos caminhoneiros, que há 9 dias afeta as atividades de distribuição de mercadorias e as estradas do País.

Os petroleiros se manifestam contra as medidas de privatização da Petrobras e pedem o afastamento imediato do presidente da estatal Pedro Parente.

Em comum, a FUP e a FNP também defendem o fim da política de preços da Petrobras. Atualmente, a empresa reajusta os valores dos combustíveis diariamente, sempre com base na cotação do dólar e do barril do petróleo no mercado internacional.

O diretor da FUP Deyvid Bacelar defende o regime de preços que foi adotado durante a gestão de José Sergio Gabrielli na Petrobras, no qual preponderava o acompanhamento do mercado internacional a longo prazo e os preços dos combustíveis passavam períodos ora acima da cotação externa ora abaixo.

"Tudo bem houve um período de controle excessivo talvez. Mas também, não precisa ser nem 8 nem 80. A pauta é viável, só depende do governo federal", afirmou Bacelar em entrevista à Folha.

Para o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, a sociedade deve apoiar o movimento dos petroleiros.

"O governo reduziu a operação das refinarias brasileiras e isso fez com que o Brasil passasse a importar 30% de todos os derivados que consome e com que os preços praticados aqui passassem a seguir as oscilações do barril do petróleo lá fora", explicou o coordenador em entrevista à imprensa.

A paralisação pode afetar as atividades das refinarias de produtos como diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha).

Governo teme paralisação dos petroleiros

Para o Palácio do Planalto, a paralisação dos petroleiros é "política". O governo teme os reflexos do movimento no abastecimento de combustíveis do País em um momento em que o governo trabalha para normalizar a distribuição.

De acordo com o G1, assessores do presidente Michel Temer questionam como os funcionários da Petrobras podem defender uma pauta que prejudicaria a própria empresa.

Para eles, a estratégia é mostrar que uma mudança na política de preços pode acarretar em mais prejuízos para a estatal, como aconteceu durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, em que a empresa chegou a contabilizar US$ 40 bilhões de prejuízo devido à prática artificial dos preços.