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29/05/2018 10:56 -03 | Atualizado 29/05/2018 12:04 -03

Manifestantes em apoio à greve dos caminhoneiros defendem intervenção militar em SP e no DF

No Congresso, o clima é de preocupação. Governo afirma que subestimou potencial da greve.

Manifestações contra o governo Temer e em apoio à greve dos caminhoneiros.
Ueslei Marcelino / Reuters
Manifestações contra o governo Temer e em apoio à greve dos caminhoneiros.

Cerca de mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no início da noite da última segunda-feira (28). O grupo organizou uma manifestação em apoio ao movimento dos caminhoneiros.

Além da pauta que pedia a queda do preço da gasolina, os manifestantes defendiam a volta da ditadura militar e a saída do presidente Michel Temer do governo.

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Manifestações contra o governo Temer e em apoio à greve dos caminhoneiros.

Os manifestantes percorreram os gramados do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto com faixas escritas "generais do exército, queremos vocês no poder" e "caminhoneiros, estamos com vocês", de acordo com a Folha de S.Paulo. Gritos de "Fora, Temer" também ecoavam entre o grupo.

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Manifestantes protestam contra o governo Temer, pedem a intervenção militar e em apoiam a greve dos caminhoneiros.

Algumas pessoas também vestiam camisetas estampadas com o rosto do candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ), além de trajes em verde e amarelo, camisetas da seleção brasileira de futebol e roupas com estampas camufladas, similares ao uniforme do exército.

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Manifestantes protestam contra o governo Temer, pedem a intervenção militar e em apoiam a greve dos caminhoneiros.

Os "panelaços", outro símbolo que se tornou conhecido nas últimas manifestações no País, também estava presente.

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Manifestantes protestam contra o governo Temer, pedem a intervenção militar e em apoiam a greve dos caminhoneiros.

Em São Paulo, motoristas de diversas categorias como motoboys, fretados e vans fizeram manifestações na última segunda (28).

No fim do dia, um grupo de cerca de 100 pessoas permaneceu na Avenida Paulista para um protesto em defesa dos militares.

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Em São Paulo, manifestantes protestam contra o governo Temer, pedem a intervenção militar e em apoiam a greve dos caminhoneiros.

No Congresso, o clima é de preocupação. Em conversas nos bastidores, Temer avalia que a greve desgastou a sua imagem. O governo diz que subestimou o potencial do movimento dos caminhoneiros e teme que a paralisação tome proporções similares às manifestações que aconteceram em junho de 2013, agora com os pedidos de "Fora, Temer".

O movimento grevista atual, bem como os protestos que acontecem em diversas cidades, não tem uma liderança única. Alguns manifestantes abraçaram a pauta política para além da econômica em meio a paralisação.

"Só vamos sair daqui quando o Temer sair de lá. Não sei se você está sabendo, mas os militares vão tomar conta de tudo", disse o caminhoneiro Alexandre Alves em entrevista à Agência Estado.

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, é um dos líderes da greve.

De acordo com Lopes, a categoria aceitou as medidas apresentadas pelo governo Michel Temer, mas os motoristas não conseguem voltar ao trabalho porque estão sendo ameaçados por grupos que querem "derrubar o governo" e pedem intervenção militar.

"Não é o caminhoneiro mais que está fazendo greve. Tem um grupo muito forte de intervencionistas nisso aí, eles estão prendendo caminhão em tudo que é lugar. São pessoas que querem derrubar o governo", disse Lopes a jornalistas, em Brasília.

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Em São Paulo, manifestantes protestam contra o governo Temer, pedem a intervenção militar e em apoiam a greve dos caminhoneiros.

A greve chegou nesta terça-feira ao seu 9º dia, mesmo após o governo ceder e aceitar uma série de reivindicações dos grevistas. Em pronunciamento na TV no domingo, Temer prometeu, por exemplo, reduzir o preço do litro do diesel em R$ 0,46, por 60 dias.

Três medidas provisórias (MPs) foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) para atender aos caminhoneiros. De acordo com o Planalto, o impacto das medidas será de R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos.