POLÍTICA
29/05/2018 10:15 -03 | Atualizado 29/05/2018 12:11 -03

Maia diz que Câmara não irá aumentar impostos para acabar com greve de caminhoneiros

Presidente da Câmara chamou proposta do ministro da Fazenda de irresponsável: "Está botando a pouca gasolina que o governo tem na sociedade."

AFP/Getty Images
No 9º dia de greve dos caminhoneiros, presidente da Câmara, Rodrigo Maia, entra em embate com governo e diz que não votará aumento de impostos.

O presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato do DEM à Presidência da República, Rodrigo Maia (DEM-RJ), subiu o tom em relação ao governo de Michel Temer e disse que os deputados não irão votar aumento de impostos para dar fim à greve dos caminhoneiros.

As concessões do governo para atender às demandas dos grevistas somam R$ 9,5 bilhões até o fim do ano. Nesta segunda-feira (28), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou, em coletiva de imprensa, que uma das possibilidades estudadas para aumentar a receita era o aumento de tributação.

Nesta terça-feira (29), Maia negou a possibilidade ao ser questionado por jornalistas. "De jeito nenhum. Não tem a menor chance. Os brasileiros pagam impostos demais. Ninguém aguenta mais pagar imposto. Enquanto eu for presidente da Câmara, não vai se votar nenhum aumento de imposto", afirmou.

O democrata fez duros ataques a Guardia, cuja conduta classificou como "irresponsável'. "Não vai ter (aumento de impostos) porque isso aqui é uma democracia e ele não manda no Congresso Nacional. O que ele fez ontem foi muito irresponsável. Num momento de crise em que está se tentando diminuir a mobilização, tentar colocar o Brasil no eixo novamente, ele vem falar de aumento de imposto. O movimento todo tem de fundo a redução de imposto e ele fala o contrário", disse o presidente da Câmara.

De acordo com Maia, a equipe técnica precisa entender que "os números deles tiraram o Brasil da recessão, mas os brasileiros continuam na recessão" e deve ser encontrada outra solução. "Não adianta falar apenas para os investidores. Falta o governo falar para os brasileiros", disse. "Não pode devolver para a sociedade uma responsabilidade que é do Estado", completou.

Ele (Guardia) está botando a pouca gasolina que o governo tem na sociedade brasileira.Rodrigo Maia

Nesta terça, o ministro da Fazenda negou o aumento de impostos. Em audiência no Senado Federal, Guardia afirmou que houve uma "incompreensão na comunicação" feita por ele e que gostaria de deixar "absolutamente claro" que o governo não irá adotar essa medida.

Também foi alvo de crítica a postura de outros ministros, que não haviam chegado, no momento, à comissão geral da Câmara sobre a crise de combustíveis na manhã desta terça. "É muito fácil estar no gabinete dele e não vir discutir com a gente (...) O governo talvez não esteja com a dimensão da crise que o Brasil vive", disse Maia.

O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, compareceu ao evento.

O presidente da Câmara defendeu a discussão de propostas de redução do tamanho do Estado e citou como possíveis fontes de receita o Fundo Soberano e a expectativa de excesso de arrecadação no setor de petróleo de R$ 13 bilhões para o governo federal e R$ 14 bilhões para estados e municípios.

Ainda de acordo com Maia, um projeto que prevê a adoção da cessão onerosa no setor pode gerar uma arrecadação extra de R$ 40 bilhões aos cofres públicos.

Sobre os pedidos de intervenção militar por parte dos grevistas, o democrata classificou como uma demanda de infiltrados. Ele considerou, contudo, que o governo foi precipitado ao determinar, na última sexta-feira (25) o uso das Forças Armadas para desbloquear as estradas.

Em meio à greve dos caminhoneiros que chega ao 9º dia, a relação de Maia com o governo está desgastada desde a divergência nas contas da proposta de reoneração da folha de pagamento aprovada pela Câmara na última quarta-feira (23). O texto zerou o PIS/Cofins para o diesel até o fim do ano.

De acordo com as contas da Câmara, o impacto seria de cerca de R$ 3 bilhões, mas o governo sustenta que o montante seria de R$ 14 bilhões. O texto está em discussão no Senado, onde ainda não há consenso sobre a solução.

Greve Geral em 28 de abril de 2017