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29/05/2018 19:17 -03 | Atualizado 29/05/2018 21:16 -03

Gasolina a R$ 3,15 e diesel abaixo de R$3: A condição para acabar com a greve

Representante de motoristas autônomos diz que o governo negociou com as pessoas erradas.

Nota técnica do Dieese aponta que o preço do combustível foi reajustado 16 vezes nos últimos 30 dias. 
Rodolfo Buhrer / Reuters
Nota técnica do Dieese aponta que o preço do combustível foi reajustado 16 vezes nos últimos 30 dias. 

Parte dos caminhoneiros que ainda está em greve quer redução maior no preço do combustível. Representante dos motoristas autônomos do Centro-Oeste, Wallce Landim, conhecido como Chorão, afirmou a jornalistas, em Brasília, que o movimento quer o diesel abaixo de R$ 3 e a gasolina, de R$ 3,15.

O grupo quer ainda o congelamento dos preços até o fim do ano. O governo prometeu uma redução de R$ 0,46 no preço do diesel por 60 dias. O valor médio do diesel é R$ 3,788. Nota técnica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que o preço do combustível foi reajustado 16 vezes nos últimos 30 dias.

Segundo Landim, a viagem só vale a pena com esses valores. "A paralisação é de motoristas, somos autônomos, pais de família, trabalhadores, que não têm mais dignidade de cuidar da família. (...) Nossos companheiros falam que se precisar ficar 2 meses, nós vamos ficar", diz. "Se quiserem parar com a greve que chamem a gente para conversar", emenda.

Na avaliação dele, o governo está negociando com as pessoas erradas. "Fizeram um acordo com o pessoal de sindicato, sempre os mesmos que sentam na mesa com o governo para negociar, e a categoria não aceitou", explica.

Ele conta que ficou 4 horas sentado no hall da Casa Civil, que os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) passavam e não falavam com eles. "Passavam e praticamente esnobavam. Você sente o desprezo pela classe trabalhadora."

Landim nega que o movimento seja de intervencionistas ou pela renúncia do presidente. Ele garante que a pauta é unicamente o preço do combustível. "Única coisa que a gente pede é que abaixe o preço do combustível. Deu a pauta, nós voltamos a trabalhar na mesma hora", insiste o motorista.

Embora Landim negue o caráter político do movimento, entidades de classe sustentam que há infiltrados. Em nota, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que concordou com as ações do governo, afirma que integrantes da categoria "estavam sendo forçados e ameaçados a permanecerem parados e que grupos estranhos ao movimento da categoria se infiltraram na paralisação com outros objetivos do que foi apresentado na pauta inicial".

Na segunda-feira (28), o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam), José da Fonseca Lopes, afirmou que caminhoneiros que queriam voltar ao trabalho estavam sendo intimidados. Disse ainda que há infiltrados intervencionistas.

Em nota, os presidentes da República, Michel Temer, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), fizeram um apelo aos motoristas para que voltem a trabalhar.

"Em face do acordo firmado para pôr fim à greve dos caminhoneiros, que tiveram as suas reivindicações acolhidas, os presidentes da República, Michel Temer, do Senado Federal, Eunício Oliveira, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, conclamam todos os envolvidos nas manifestações a retornarem ao trabalho e propiciar normalidade à vida de todos os brasileiros."

O governo e o Legislativo prometeram colocar em prática todos os 12 pontos do acordo feito com os representantes dos caminhoneiros nos últimos dias.