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29/05/2018 18:51 -03 | Atualizado 29/05/2018 19:34 -03

Combustível começa a chegar aos postos, mas situação demora a normalizar

Em São Paulo, apenas 12% dos postos receberam álcool e gasolina. Falta de segurança prejudica abastecimento no Sul e no Sudeste, dizem distribuidoras.

Victor Moriyama/Getty Images
Motoristas e motociclistas formam fila para abastecer em posto de São Paulo, nesta terça-feira (29).

O abastecimento de álcool e gasolina começou a ser retomado nos postos de São Paulo nesta terça-feira (29), de acordo com o Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo).

Longas filas se formam nos postos desde a madrugada. Há relatos de motoristas que esperam até quatro horas para encher o tanque do carro.

A normalização dos serviços, porém, ainda deve demorar. Segundo José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro, apenas 12% dos postos da Grande São Paulo (cerca de 350 postos) receberam combustível.

Gouveia afirma, ainda, que apenas 20% da frota de caminhões-tanque está operando. Sem a confirmação do fim da greve, diz ele, não é possível fazer previsões.

"Se todos [caminhoneiros] voltassem ao trabalho amanhã, poderíamos dizer que em uma semana os postos teriam recuperado os estoques. Mas não sabemos", disse Gouveia ao HuffPost Brasil.

Reprodução/TV Globo
Fila gigante em posto da Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, nesta terça (29).

Além das dificuldades causadas pela greve dos caminhoneiros, que entrou nesta terça no seu 9º dia, o transporte de combustível é prejudicado pela falta de segurança. Para evitar eventuais saques, a maioria dos caminhões-tanque que sai das refinarias em direção aos postos está sendo escoltada pela Polícia Militar.

Há, ainda, relatos de brigas e ameaças a donos de postos que tentam receber combustível. O desabastecimento também afeta os preços e a oferta de serviços de transporte por aplicativos.

No Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão informou que o Estado recebeu 10 milhões de litros de combustível nesta terça. Em dias de abastecimento normal, cerca de 15 milhões de litros circulam no Estado.

Sergio Moraes/Reuters
Carros fazem fila em posto da zona sul do Rio, nesta terça (29).

'Não há um ambiente seguro'

Em comunicado divulgado na noite de segunda-feira (28), a Plural – Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência informou que está fazendo "todos os esforços" para abastecer o País, mas que em "locais como São Paulo, Rio de Janeiro e [Região] Sul ainda não há um ambiente seguro o suficiente para restabelecer o abastecimento".

Nesta terça, a entidade divulgou nova nota na qual afirma que as distribuidoras associadas à Plural e à Federação Brasilcom já conseguiram mais de 80 liminares para retomar as atividades, mas diz que "o cumprimento das decisões é dificultado pela ação dos grevistas".

O texto diz, contudo, que a distribuição "caminha para a normalidade" em algumas regiões do País, sobretudo nos Estados do Norte e do Nordeste.

Diego Vara/Reuters
Polícia escolta chegada de caminhão-tanque a posto em Porto Alegre, nesta terça (27).