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28/05/2018 15:11 -03 | Atualizado 28/05/2018 15:12 -03

Praias cariocas sofrem com o desabastecimento de coco

Nos supermercados, a normalização dos estoques de frutas e legumes pode levar até 10 dias.

Corbis via Getty Images
Greve dos caminhoneiros afeta abastecimento de coco no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, os impactos da paralisação dos caminhoneiros chegou até as praias.

Quem costuma passear na orla e gosta de beber uma água de coco foi surpreendido com escassez da fruta nos quiosques nesta segunda-feira (28).

Como a distribuição do coco é feita por caminhoneiros autônomos, os carregamentos, que vêm do Espírito Santo e de estados do Nordeste, não chegaram até as praias cariocas na última semana.

José Torres Ramos é dono de um quiosque em Ipanema. Ele recebe cerca de 300 cocos por semana, mas desde o início da greve dos caminhoneiros diz que o abastecimento foi afetado.

"O abastecimento está horrível. Nenhuma barraca tem coco aqui na orla e nem nos mercados. Nas feiras também estão sem. É ruim demais. O movimento caiu muito, estou há 5 dias sem vender direito. Mas é isso. Seria ótimo se abaixasse os preço da gasolina, a gente ia sentir aqui. Tá muito caro a vida. Eu recebo coco 3 vezes por semana, uma média de 100 frutas em cada entrega. Mas agora eu não sei quando vou receber. Eu vendia 80 cocos em média por dia, vou ficar no prejuízo. Não tenho o que fazer pra complementar a renda no fim do mês", explicou em entrevista ao HuffPost Brasil.

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Antônio José dos Santos trabalha em outro quiosque na região da zona sul carioca. Normalmente, ele recebe um carregamento de 400 cocos por semana e sua renda depende diretamente das vendas da fruta. Ele recebe parte da porcentagem das vendas, enquanto o resto do lucro fica para o dono do quiosque. Como está sem vender coco há 6 dias, o comerciante está preocupado com as contas do fim do mês.

"Eu compro a R$2,50 e vendo por R$5. Quando é alta temporada a gente vende por R$6. E no quiosque eu não sou dono de tudo. Eu trabalho para um dono privado e a gente ganha do patrão pela porcentagem de coisa que a gente vende. Só que o que mais vende é o coco. Sem vender o coco, eu não ganho a porcentagem no fim do mês e não tenho o que fazer", compartilha em entrevista ao HuffPost Brasil.

Apesar do prejuízo, Santos apoia o movimento dos caminhoneiros. "A gente tem que lutar por um País melhor e é isso que eles fazem. A gasolina é realmente muito cara, tem que baixar esses preços. Mas não tem como não dizer que prejuízo não é grande."

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Não é só o coco que está em falta nas prateleiras.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), todo o estoque de alimentos perecíveis, como legumes, verduras, carnes e laticínios foi afetado no País. A expectativa é de que o abastecimento normalize entre 5 e 10 dias após a greve.

A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) está aguardando os reflexos da última decisão do Governo Federal, que, após acordo com os caminhoneiros, prometeu liberar os bloqueios das estradas.

A expectativa da entidade é de que a situação melhore nas próximas horas, para que o setor possa normalizar o abastecimento da população.

A maioria das lojas trabalha com estoque médio de produtos não perecíveis, e a falta no abastecimento dos supermercados está mais concentrada nos perecíveis no momento.

Por enquanto, ainda não temos as estimativas de perdas e prejuízos. E a normalização do abastecimento, após a greve, pode levar de 5 a 10 dias, dependendo da região.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a paralisação alcançou proporções inesperadas e traz prejuízos a logística de milhões de empresários e comerciantes.

Em relação à greve dos caminhoneiros, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) se soma aos demais segmentos empresariais que acompanham com grande preocupação os desdobramentos do movimento, tendo em vista os impactos nos negócios, na economia e na sociedade como um todo.

A paralisação dos transportes e o bloqueio de estradas afetam diretamente as atividades e a logística de milhões de empresários do comércio de bens, serviços e turismo, prejudicando a circulação de pessoas, bens e mercadorias, gerando desabastecimento e até mesmo riscos para a saúde e a vida da população.

A CNC lamenta que a situação tenha alcançado as proporções do quadro atual, sem que governo e transportadores tenham chegado a um acordo que evitasse prejuízos ao País. E manifesta a expectativa pelo fim do movimento e dos bloqueios, para que o País possa voltar à normalidade.

Movimento dos caminhoneiros chega ao 8º dia de paralisação

A greve dos caminhoneiros chegou ao 8º dia nesta segunda-feira (28). Dezenas de motoristas continuam bloqueando rodovias, mesmo após a publicação das medidas pelo governo em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com a Folha de S.Paulo, ainda há poucos sinais de desmobilização dos caminhoneiros nas estradas paulistas. Para os motoristas ouvidos pela Folha, as medidas do governos são "insuficientes".

Em pronunciamento na TV neste domingo (27), o presidente Michel Temer também prometeu reduzir R$ 0,46 no preço do litro de diesel por 60 dias e, após esse período, reajustar o combustível uma vez por mês.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que não havia assinado o primeiro acordo com o governo da quinta-feira (24), considera que as novas medidas do governo atendem à categoria.

Por isso, está orientando os autônomos a encerrar a paralisação e voltar ao trabalho ainda hoje.