POLÍTICA
28/05/2018 19:32 -03 | Atualizado 29/05/2018 09:37 -03

Magno Malta diz que sai do PR, mas não deixa Bolsonaro

“Estou com Bolsonaro independente do que o partido decidir. Se tiver que sair, eu saio.”

Senador Magno Malta (PR-ES) ainda não se convenceu a ser vice do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na disputa presidencial, mas garante apoio ao candidato.
Marcos Oliveira/Agência Senado
Senador Magno Malta (PR-ES) ainda não se convenceu a ser vice do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na disputa presidencial, mas garante apoio ao candidato.

Número 1 na lista de cotados para vice do pré-candidato ao Palácio do Planalto Jair Bolsonaro (PSL), o senador Magno Malta (PR-ES) diz que pode até sair do Partido da República (PR), mas não vai deixar de apoiar a candidatura do presidenciável.

"Estou com Bolsonaro independente do que o partido decidir. Se tiver que sair, eu saio", afirmou ao HuffPost Brasil. O senador, contudo, ainda não se convenceu a compor a chapa presidencial. Prefere apostar na reeleição.

O PR está em intensas negociações para estabelecer alianças eleitorais. Na última quarta-feira (23), uma das lideranças do partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participou de reunião com o presidente Michel Temer e com o líder da legenda na Câmara, deputado José Rocha (PR-BA).

No dia anterior, Temer desistiu de concorrer ao Palácio do Planalto e o MDB lançou o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles como presidenciável.

O PR só deve tomar uma decisão sobre a corrida presidencial na segunda quinzena de junho. A expectativa é que até lá se estabeleça uma quadro mais definitivo de quem irá de fato concorrer ao cargo.

Apesar da intenção de fortalecer candidaturas de centro-direita, as legendas desse espectro ainda não conseguiram definir um candidato único para apoiar. Geraldo Alckmin (PSDB) por enquanto conta com PSD, PTB, PPS e PV, apesar de nem todas as alianças estarem formalizadas.

Lideranças do DEM, PRB, PP e Solidariedade, por sua vez, fecharam um acordo para que as siglas decidam juntas a apoiar o candidato mais bem posicionado no campo. Além da pré-candidatura de Rodrigo Maia pelo DEM, o PRB lançou o empresário Flávio Rocha para a disputa. Já o pré-candidato do Solidariedade é o ex-ministro Aldo Rebelo.

Ueslei Marcelino / Reuters
Ainda sem vice, Jair Bolsonaro (PSL) quer senador Magno Malta (PR) em sua chapa na disputa presidencial.

PR vai apoiar quem tem voto

De acordo com Rocha, fator decisivo para a legenda é "quem tem voto". "Vamos decidir por um candidato que tenha viabilidade, que tenha base e capilaridade", afirmou ao HuffPost Brasil.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscila entre 30% e 31% das intenções de voto, seguido de Bolsonaro (15% a 17%), Marina Silva, da Rede (10% a 15%). Alckmin varia entre 6% a 8% e Ciro Gomes, do PDT, alcança de 5% a 9%, a depender do cenário. Maia e Meirelles não passam de 2% das intenções de voto.

Sobre a possibilidade de o PR lançar uma candidatura própria, o líder afirmou que a legenda "não tem isso como meta". Nos bastidores, chegou-se a cogitar lançar o empresário Josué Gomes como presidenciável.

O filho do ex-vice presidente José Alencar vai se reunir com a bancada do PR na Câmara nesta terça-feira (29). "Vamos ouvir ele sobre o momento político brasileiro, as candidaturas, a questão econômica, a visão de futuro da economia do nosso país, o que está dentro do segmento dele de empresário e de político", afirmou Rocha.

O nome de Gomes também foi citado como possível vice na chapa de Ciro Gomes e do candidato do PT. O partido mantém a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril.

Reprodução/Rede TV
Filiado ao PR, empresário Josué Gomes é cotado como vice na chapa presidencial de Ciro Gomes (PDT) e de outros partidos.

PR pode aumentar tempo de TV de Bolsonaro

Se a aliança com o PR se consolidar, Bolsonaro ganha tempo na propaganda de rádio e televisão. Ele passaria de 8 segundos para 2 minutos e 30 segundos, nas contas do deputado Capitão Augusto (PR-SP), principal defensor da união.

São 2 blocos de 12minutos 30 segundos cada um, à tarde e à noite, nas terças, quintas e sábados. A propaganda começa em 31 de agosto e vai até 4 de outubro, 3 dias antes do 1º turno, em 7 de outubro.

Neste período, há ainda 14 minutos diários, por emissora, de inserções, também divididas de acordo com o peso de cada sigla ou coligação.

Do tempo total, 10% são distribuídos igualitariamente entre as legendas e 90% são proporcionais à bancada de deputados federais eleita.

O PR tem hoje 41 deputados e 4 senadores. No início da legislatura eram 34. O PSL, por sua vez, soma 8 deputados após Bolsonaro entrar na sigla. Nas eleições de 2014, contudo, a sigla só conquistou uma cadeira.