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28/05/2018 19:47 -03 | Atualizado 28/05/2018 20:33 -03

Líder diz que caminhoneiros querem encerrar greve, mas 'intervencionistas' não deixam

'São pessoas que querem derrubar o governo', diz José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros.

Forças Armadas passam por protesto de apoio aos caminhoneiros em Luziânia (GO).
Ueslei Marcelino/Reuters
Forças Armadas passam por protesto de apoio aos caminhoneiros em Luziânia (GO).

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, um dos líderes da greve dos caminhoneiros, disse nesta segunda-feira (28) que a categoria aceitou as medidas apresentadas pelo governo Michel Temer, mas que motoristas não conseguem voltar ao trabalho porque estão sendo ameaçados por grupos que querem "derrubar o governo" e pedem intervenção militar.

"Não é o caminhoneiro mais que está fazendo greve. Tem um grupo muito forte de intervencionistas nisso aí, eles estão prendendo caminhão em tudo que é lugar. São pessoas que querem derrubar o governo", disse Lopes a jornalistas, em Brasília.

Miguel Schincariol/AFP/Getty Images
Caminhão com pedido de "intervenção militar" participa de bloqueio ao Rodoanel Mario Covas, em São Paulo, no último sábado (26).

"O pessoal quer voltar a trabalhar, mas eles têm medo, porque estão sendo ameaçados de forma violenta. Não mostram armas, mas levantam a camisa, a blusa", completou.

Questionado sobre quem são os autores das ameaças, Lopes afirmou que, primeiro, levará os nomes para conhecimento do Planalto.

"Estou levantando nomes, estou levantando lugares onde isso está acontecendo e vou dar na mão do governo, porque é ele que tem que resolver isso."

Segundo Lopes, o pacote de medidas anunciado pelo governo para os caminhoneiros "resolveu tranquilamente" o problema da categoria.

"O nosso lado nós resolvemos. O pessoal está pronto para trabalhar, pronto para abastecer, mas lamentavelmente não está tendo condição."

A greve chegou nesta segunda ao seu 8º dia, mesmo após o governo ceder e aceitar uma série de reivindicações dos grevistas. Em pronunciamento na TV no domingo, Temer prometeu, por exemplo, reduzir o preço do litro do diesel em 46 centavos, por 60 dias.

Três Medidas Provisórias (MPs) foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) para atender aos caminhoneiros. De acordo com o Planalto, o impacto das medidas será de R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos.