POLÍTICA
27/05/2018 10:31 -03 | Atualizado 27/05/2018 10:33 -03

PT inicia mobilização para pré-campanha de Lula e aposta em força no Nordeste

“Lula é o maior patrimônio eleitoral. Nenhum candidato chega à unha do dedão do Lula no Nordeste”, diz deputado Wadih Damous (PT-RJ).

Stringer . / Reuters
PT aposta em candidatura de Lula e inicia mobilização neste domingo (27).

Cinquenta dias após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregar à prisão, o PT começa a mobilizar a militância para o lançamento da pré-campanha à corrida presidencial, em 9 de junho. Diante das controvérsias legais para viabilizar a candidatura, a cúpula do partido trabalha para aplacar dissidências de governadores do Nordeste.

"Lula é o maior patrimônio eleitoral. O que um governador ganha em apoiar outro candidato? Nenhum candidato chega à unha do dedão do Lula no Nordeste", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Wadih Damous (PT-RJ).

Em alguns cenários, Lula chega a 50% das intenções de voto na região, ante 7% de Marina Silva (Rede), mesmo patamar de Jair Bolsonaro (PSL), de acordo com o Datafolha.

Nas últimas semanas, governadores nordestinos têm articulado apoio a presidenciáveis de outras legendas. No Ceará, Camilo Santana (PT), defende o apoio a Ciro Gomes (PDT). Em entrevista ao Estadão, ele afirmou que não acredita que a candidatura de Lula se viabilizará e defendeu que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) seja vice do pedetista.

"Não podemos nos isolar. O momento é de união, não de isolamento. O momento não é de radicalismos, isso não vai levar a nada. O momento é de reflexão, serenidade, desprendimento. Acho que quem pensa de verdade no partido, na sua história de luta, de conquista, não pode apostar no isolamento suicida", disse ao jornal.

Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, Lula é considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa. O PT, contudo, mantém a candidatura do ex-presidente, que deve ser registrada em 15 de agosto, data limite.

O pedido será analisado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde a tendência é de rejeição. Na próxima terça-feira (29), a corte deve analisar uma consulta que questiona se um réu condenado em 2ª instância pode se candidatar à Presidência, o que abriria caminho para uma negativa à candidatura de Lula.

Bloomberg via Getty Images
Diante da possibilidade de a Justiça Eleitoral barrar Lula, petistas defendem apoio à candidatura de Ciro Gomes.

Governadores do Nordeste e apoio a Lula

A fim de apaziguar as dissidências, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), se reuniu com os governadores petistas em Brasília na última quarta-feira (23). Além de Santana, os chefes do Executivo da Bahia, Rui Costa, e do Piauí, Wellington Dias, também haviam demonstrado inclinação a apoiar Ciro. O interesse por alianças locais foi reforçado diante da dificuldade legal de Lula ser candidato.

Costa não participou do encontro em que ficou definido que Wellington Dias atuaria como interlocutor de Lula nas conversas com os governadores petistas e responsável por negociações com legendas historicamente aliadas, como PCdoB e PSB.

O PCdoB lançou a pré-candidata Manuela D'Ávila para corrida presidencial. Já a cúpula do PSB conversa com lideranças do PDT sobre a possibilidade de apoiar Ciro Gomes.

Na reunião dos governadores petistas, foi defendido que o vice da chapa petista seja de outra legenda. "Nossa prioridade é buscar um vice de outro partido e vamos trabalhar para isso", afirmou Gleisi. Nos bastidores, contudo, integrantes do PT acreditam que o nome de Haddad deve ser apontado para o posto.

Coordenador da campanha de Lula, o ex-prefeito esteve no Acre na última semana, junto com a presidente da legenda, em busca de aproximação com o governador Tião Viana.

AFP/Getty Images
Coordenador da campanha de Lula, Haddad é cotado para vice na disputa presidencial e articula aproximação com governadores.

Vice do PT terá aval de Lula

Independentemente da decisão sobre o vice, o nome terá o aval de Lula. De acordo com Wadih Damous, o ex-presidente segue confiante. O deputado visitou o correligionário na última segunda-feira (21).

A estratégia para manter a imagem de Lula presente é gravar vídeos e divulgar cartas assinadas pelo petista. "Situações extremas pedem medidas extremas", afirma o parlamentar.

Na última semana, Lula enviou mensagem a prefeitos, lida por Gleisi, em que chama de "sentença mentirosa" sua condenação. A Marcha dos Prefeitos serviu de palanque para outros presidenciáveis, como Ciro Gomes, Marina, Bolsonaro e Geraldo Alckmin (PSDB).

Neste domingo (27), estão previstas manifestações pelo País para preparar o terreno para o lançamento oficial, marcado para 9 de junho, em Belo Horizonte (MG). Mais de 70 cidades confirmaram atos. "Não importa se teremos 5 ou 1.000 pessoas na rua", afirmou Damous.

O PT continua reforçando o discurso de popularidade de Lula, à frente nas sondagens mesmo depois de preso. De acordo com pesquisa Ipsos divulgada na última sexta-feira (25), 45% dos brasileiros aprovam o petista e 52% desaprovam.

O patamar é mais favorável do que de opositores. Bolsonaro tem 23% de aprovação e 60% de reprovação, enquanto Marina é aprovada por 27% e reprovada por 61%. Ciro, por sua vez, alcança 24% de aprovação e 65% de reprovação e Alckmin tem a menor aprovação no grupo (20%) e a maior reprovação (69%). A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Momentos históricos da vida de Lula