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26/05/2018 12:51 -03 | Atualizado 27/05/2018 10:56 -03

Governo aplicará multa de R$ 100 mil por hora a grevistas, diz ministro

Ministro Carlos Marun acrescentou que a Polícia Federal já tem inquéritos abertos para investigar a origem da greve dos caminhoneiros.

Marun concedeu entrevista após três horas de reunião no Palácio do Planalto.
SERGIO LIMA via Getty Images
Marun concedeu entrevista após três horas de reunião no Palácio do Planalto.

O governo aplicará multas no valor de R$ 100 mil por hora parada a quem descumprir o acordo firmado para desbloqueio das rodovias. A decisão foi anunciada no fim da amanhã deste sábado (26) pelo ministro Carlos Marun, em entrevista coletiva após reunião para monitorar a greve dos caminhoneiros que neste sábado (26) chegou ao sexto dia. As multas serão aplicadas aos donos de transportadoras de carga.

O ministro também acrescentou que a Polícia Federal já tem inquéritos abertos para investigar a origem do movimento e que já existem até mesmo pedidos de prisão. O governo tem convicção da existência da prática de Locaute: "Hoje temos a convicção de que, além do movimento paredista, existe o locaute".

Marun concedeu entrevista após três horas de reunião no Palácio do Planalto, com o presidente Michel Temer e ministros que integram o gabinete de crise, criado para avaliar a situação nas rodovias federais.

Segundo a Agência Brasil, participaram da reunião os ministros Raul Jungmann, da Segurança Pública, Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, o general Silva e Luna, da Defesa, e Eliseu Padilha, da Casa Civil.

As negociações para descontinuar a greve

Ueslei Marcelino / Reuters
Farmers attend a protest in support of the truck drivers strike in Cristalina, Brazil May 25, 2018. Signs reads "Without truck, Brazil stop". REUTERS/Ueslei Marcelino

De acordo com o último balanço feito ontem, sexta-feira (25), pelo ministro Raul Jungmann, após o acordo com as lideranças dos caminhoneiros, as interdições diminuíram de 938 para cerca de 500, sendo que em nenhuma das restantes houve interrupção total do trânsito.

"Nenhuma dessas interdição é total, o que aponta para a adesão crescente dos senhores caminhoneiros aos termos do acordo fechado pelo Palácio do Planalto", afirmou em coletiva de imprensa no início da noite desta sexta-feira (25). Novos dados serão divulgados ainda hoje pelo governo.

O acordo fechado nesta quinta-feira (24) após 7 horas de reunião com ministros no Palácio do Planalto previa suspender a greve por 15 dias.

O governo aceitou reduzir a zero, em 2018, a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o óleo diesel. Também aumentou para 30 dias o prazo de validade da queda de 10% no preço do diesel nas refinarias, anunciada na quarta-feira (23) pela Petrobras.

O governo se comprometeu ainda em extinguir qualquer ação judicial movida contra os grevistas e a prometeu de não incluir o setor de transporte rodoviário nas propostas de reoneração das folhas de pagamento.

Na sexta-feira (25), Temer assinou o decreto determinando o uso das forças federais para liberar as rodovias e reabastecer o país com os produtos retidos nas estradas.

O decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, autoriza o emprego das Forças Armadas no contexto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) até o dia 4 de junho.