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26/05/2018 14:56 -03 | Atualizado 27/05/2018 11:44 -03

6º dia de paralisação: Como a greve dos caminhoneiros está afetando o Brasil

Governo anunciou novas medidas para lidar com a greve dos caminhoneiros neste sábado (26); cerca de 544 bloqueios foram liberados.

NELSON ALMEIDA via Getty Images

A paralisação dos caminhoneiros contra a alta do diesel chega ao sexto dia neste sábado (26). Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o gabinete de crise da Presidência da República, restam 596 pontos bloqueados pela ação de caminhoneiros pelo País. Outros 544 pontos de bloqueio foram liberados.

Já a associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), uma das principais associações responsáveis pelo movimento, pediu na véspera que os manifestantes retirem interdições nas rodovias, mas mantenham manifestações pacíficas.

Segundo a Reuters, até o momento, algumas estradas seguem com protestos, incluindo bloqueios ao acesso ao Porto de Santos, em São Paulo, tanto na margem esquerda, pela rodovia Cônego Domênico Rangoni, sentido Guarujá, quanto na margem direita, pela rodovia Anchieta, na chegada a Santos.

Na manhã desse sábado (26), o governo anunciou novas medidas e cidades decretaram "estado de emergência". Havia pelo menos 12 pontos de manifestações em estradas do Rio de Janeiro, inclusive na porta Reduc e imediações. Ali estão a Refinaria da Petrobras e pólos de distribuição de combustíveis.

Da 0h às 11h30 de hoje, a PRF registrou que foi possível a circulação de cargas sensíveis, transporte de animais, gêneros alimentícios, equipamentos essenciais e combustíveis. De acordo com a polícia, os manifestantes cooperaram e foi garantida a segurança de todos os usuários das rodovias federais.

No início da noite deste sábado (26), o presidente Michel Temer assinou decreto que permite ao governo assumir controle de caminhões para desobstruir rodovias. A medida, chamada de "requisição de bens", já havia sido anunciada pelo governo na última sexta e só seria tomada caso houvesse necessidade.

Saiba como está a situação pelo Brasil no sexto dia de greve:

A nova posição do governo

SERGIO LIMA via Getty Images

O governo aplicará multas no valor de R$ 100 mil por hora parada a quem descumprir o acordo firmado para desbloqueio das rodovias. A decisão foi anunciada no fim da amanhã deste sábado (26) pelo ministro Carlos Marun, em entrevista coletiva após reunião para monitorar a greve dos caminhoneiros que hoje, sábado (26), chega ao sexto dia.

O ministro também acrescentou que a Polícia Federal já tem inquéritos abertos para investigar a origem do movimento e que já existem até mesmo pedidos de prisão. O governo tem convicção da existência da prática de Locaute: "Hoje temos a convicção de que, além do movimento paredista, existe o locaute".

Marun concedeu entrevista após três horas de reunião no Palácio do Planalto, com o presidente Michel Temer e ministros que integram o gabinete de crise, criado para avaliar a situação nas rodovias federais.

Segundo a Agência Brasil, participaram da reunião os ministros Raul Jungmann, da Segurança Pública, Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, o general Silva e Luna, da Defesa, e Eliseu Padilha, da Casa Civil.

Ontem, sexta-feira (25), o presidente Michel Temer optou por acionar as forças armadas depois de se reunir com ministros para uma "avaliação de segurança" no País, já que a greve dos caminhoneiros continuou, apesar do acordo firmado entre governo e representantes da categoria na noite da última quinta (24).

O "apelo" da área da saúde
MAURO PIMENTEL via Getty Images

É difícil reclamar da greve quando há simpatia com o motivo do protesto. É assim que estão se sentindo os principais representantes da área de saúde. A categoria diz entender os caminhoneiros, parados desde segunda-feira (21), mas faz um apelo para que liberem pelo menos os produtos de saúde.

O impacto vai desde falta de bombinhas para quem tem asma à escassez de oxigênio, essencial para realização de cirurgias. Na Bahia, hospitais como o Martagão Gesteira, de Salvador, e o Hospital da Criança, de Feira de Santana, estão com os serviços afetados.

Diante deste cenário, os profissionais usam o valor da vida para pedir aos caminhoneiros que liberem os insumos de saúde. Ao HuffPost Brasil, o presidente-executivo da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), Sergio Mina Barreto, explica que a maioria dos medicamentos tem vida útil no transporte.

"Alguns caminhões conseguem furar o bloqueio por causa do material que estão carregando, mas não conseguem voltar para serem reabastecidos. Alguns medicamentos são programados para ficarem 4 horas no caminhão, se a viagem passa a durar 12 horas, eles estragam", justifica.

O "Estado de Emergência"

EVARISTO SA via Getty Images

São Paulo

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse neste sábado (26) que o combustível para a maior parte dos serviços essenciais está garantido até a próxima segunda-feira. A cidade enfrenta escassez de combustíveis provocado pela greve dos caminhoneiros, que desabasteceu praticamente todos os postos no município.

A prefeitura decidiu manter, por tempo indeterminado, o estado de emergência. O prefeito não descarta a publicação do decreto de feriado, mas disse que não é necessário no momento. "A situação na cidade ainda é grave, por isso permanece o estado de emergência. Mas a situação está controlada para este final de semana e para segunda-feira".

Distrito Federal

Em entrevista à Rádio Nacional, na manhã deste sábado (26), o governador do Distrito Federal (DF), Rodrigo Rollemberg, descartou a hipótese de "estado de emergência". Segundo ele, há combustíveis para os serviços essenciais na região: saúde, segurança e transporte público. "[Decidimos] priorizar os serviços essenciais. Temos combustível para que as empresas possam rodar na segunda-feira. Ambulâncias e carros da polícia. E garantir os serviços essenciais para a população", disse.

Rio de Janeiro

O Gabinete de Gestão da Crise (GGC), reunido no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, região central do Rio, determinou que a Polícia Militar (PM) faça a escolta de cinco caminhões-tanques para abastecer o BRT, sistema de ônibus expresso por corredores. O serviço deixou de funcionar na madrugada deste sábado (26) e ainda não foi retomado. Vários ônibus estão parados no Terminal Alvorada, na zona oeste da cidade.

Desde ontem, segundo a Secretaria de Segurança do Rio, já foram feitas 27 escoltas para levar combustíveis à Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) e a hospitais do estado. Ainda de acordo com a secretaria, as demandas são atendidas conforme são encaminhadas às forças de segurança que atuam no Rio.

Sergipe

Os caminhoneiros que estavam estacionados em vários pontos no acostamento da BR 101, no trecho que passa por Sergipe, deixaram esses locais ainda na tarde de ontem, sexta-feira (25), após notificação de decisão judicial para que liberassem as margens da rodovia e evitassem o estreitamento da pista. Um desses pontos desbloqueados estava no quilômetro 183, no município de Umbaúba.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no estado, os caminhoneiros estão estacionados nas chamadas áreas de segurança, como pátios dos postos de combustíveis. Os manifestantes estão também permitindo que caminhões com carga viva, medicamentos e insumos hospitalares sigam viagem.

Apesar disso, a frota de transporte coletivo de Aracaju sofreu redução de 50% neste fim de semana por causa dos baixos estoques de diesel. As aulas nas escolas da rede pública estadual e na Universidade Federal de Sergipe estão suspensas, e a maioria dos postos está sem combustível.

Os aeroportos pelo País

Ueslei Marcelino / Reuters

A greve de caminhoneiros que paralisou o País afeta, desde o início desta sexta-feira (25), pelo menos 11 aeroportos. Estão sem combustível os aeroportos de Brasília, Carajás (PA), São José dos Campos (SP, Uberlândia (MG), Ilhéus (BA), Palmas (TO), Recife (PE), Maceió (AL), Goiânia (GO), Juazeiro do Norte (CE) e Vitória (ES).

Segundo a Infraero, nos 59 aeroportos com voos regulares administrados pela estatal, 4% dos 592 voos programados foram cancelados e 2,5% estão atrasados às 13h. A situação desses voos pode ser consultada no site da empresa, mas aeroportos concedidos à iniciativa privada estão fora do levantamento.

O que fazer se o voo foi cancelado

Diante da situação, empresas aéreas têm flexibilizado as regras para atender aos consumidores.

A Latam cancelou 10 voos nesta sexta. A companhia está remarcando gratuitamente os voos que partem, chegam ou fazem conexão nos aeroportos de Brasília, Confins, Goiânia, Maceió e Uberlândia. Os passageiros podem entrar em contato com a Central de Vendas (4002-5700 nas capitais ou 0300-570- 5700 nas demais localidades do Brasil) ou procurar uma loja da companhia.

A Azul disponibilizou o cancelamento ou a remarcação do bilhete para voar até dia 31 de maio para os clientes impactados pela greve. As alterações devem ser realizadas pela central de atendimento, nos telefones 4003-1118 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-887-1118 (demais localidades). Nesta sexta, foram 23 voos cancelados até o início da tarde.

A Gol cancelou pelo menos 3 voos. Os passageiros poderão remarcar suas viagens gratuitamente ou pedir o reembolso das passagens.O contato é pelo 0300 115 2121 ou pelo 0800 704 0465.

A Avianca, por sua vez, também não irá cobrar taxa de remarcação e eventual diferença tarifária para clientes atingidos pela greve. Nesta sexta, a companhia informou que apenas 1 voo foi cancelado.

*Com informações da Reuters e Agência Brasil.

*Esta nota será atualizada com novas informações.