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25/05/2018 13:26 -03 | Atualizado 25/05/2018 13:58 -03

Temer apela às Forças Armadas para desbloquear as rodovias do País

Michel Temer: “Quem bloqueia estradas, quem age de maneira radical, está prejudicando a população. E, saliento, será responsabilizado”.

Entre os reflexos da greve, que está no seu 5º dia, estão a disparada do preço da gasolina nos postos, o desabastecimento de combustível em algumas regiões do País e o comprometimento do transporte coletivo, com redução de frota na rua.
AFP/Getty Images
Entre os reflexos da greve, que está no seu 5º dia, estão a disparada do preço da gasolina nos postos, o desabastecimento de combustível em algumas regiões do País e o comprometimento do transporte coletivo, com redução de frota na rua.

O presidente Michel Temer decidiu usar as forças federais de segurança para abrir as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros. Mesmo com o acordo firmado entre o governo e a maioria dos sindicatos presentes em reunião no Palácio do Planalto na quinta-feira (24), os caminhoneiros não desistiram da paralisação.

Além de não estarem circulando, eles mantêm rodovias bloqueadas, impedindo a movimentação dos motoristas comuns e daqueles que querem furar o movimento grevista.

Em pronunciamento no início da tarde desta sexta-feira (25), o presidente anunciou que o objetivo do uso do plano de segurança é "superar os graves efeitos do desabastecimento causado por essa paralisação". Ele solicitou ainda que os governadores façam o mesmo.

Nos 5 minutos em que apresentou a medida, Temer elencou cerca de 12 pontos firmados com os caminhoneiros e destacou que o resultado deveria ter sido a suspensão da paralisação. "Muitos, aliás, estão fazendo sua parte, mas infelizmente uma minoria radical tem bloqueado estradas e impedido que muitos caminhoneiros levem adiante o seu desejo de atender a populações e manter o seu trabalho", ressaltou.

Aos que estão nas ruas impedindo a circulação, o presidente prometeu punição: "Quem bloqueia estradas, quem age de maneira radical, está prejudicando a população. E, saliento, será responsabilizado".

As forças federais de segurança, segundo o Ministério da Segurança Pública, incluem Exército, Marinha, Aeronáutica - que compõem as Forças Armadas - e a Polícia Rodoviária Federal.

"Não vamos permitir que a população fique que sem os gêneros de primeira necessidade, que os consumidores fiquem sem produtos, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas. Não vamos permitir também que crianças sejam prejudicadas sem o funcionamento das escolas", assegurou o presidente.

Bloqueios

Há registros de vias bloqueadas no Ceará, no Maranhão, no Pará, no Paraná e no Distrito Federal, por exemplo. Na quinta-feira (24), a Justiça Federal autorizou ação policial nas vias interditadas, com multa de R$ 1 mil por hora por desobediência para cada réu identificado.

A greve está no seu 5º dia. Entre os reflexos da greve, estão a disparada do preço da gasolina nos postos, o desabastecimento de combustível em algumas regiões do País e o comprometimento do transporte coletivo, com redução de frota na rua.

Acordo com o governo

Na quinta-feira, após quase 7 horas de reunião em Brasília, a categoria acertou com o governo um acordo para suspender a greve por 15 dias. O Planalto aceitou reduzir a zero, em 2018, a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o óleo diesel. Também aumentou para 30 dias o prazo de validade da queda de 10% no preço do diesel nas refinarias, anunciada na quarta-feira (23) pela Petrobras.

A gestão do presidente Michel Temer se comprometeu ainda em extinguir qualquer ação judicial movida contra os grevistas e a prometeu de não incluir o setor de transporte rodoviário nas propostas de reoneração das folhas de pagamento. O projeto que prevê a renoração foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (23), mas o governo esperar retirar o trecho que inclui o setor quando a medida for apreciada pelo Senado.