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25/05/2018 17:17 -03 | Atualizado 25/05/2018 19:37 -03

Supermercados e restaurantes de SP estão no limite de funcionamento

Proprietários se preocupam com a reposição dos estoques a partir de 2ª feira.

Paulo Whitaker / Reuters
Paralisação dos caminhoneiros chega ao 5º dia.

A paralisação dos caminhoneiros chega ao 5º dia e as consequências do desabastecimento levaram o prefeito de São Paulo Bruno Covas decretar estado de emergência na cidade nesta sexta-feira (26).

A maior preocupação da prefeitura é com a distribuição de combustível. Porém, de acordo com a Associação Paulista de Supermercados, a paralisação também afetou os carregamentos de frutas e legumes. Carnes, leites e derivados também estão com as entregas comprometidas e podem faltar nas prateleiras dos mercados.

A instituição informa que alguns supermercados já estão limitando a venda de produtos por cliente para não afetar o estoque do estabelecimento.

A APAS se posicionou à imprensa afirmando que as paralisações dos caminhoneiros autônomos têm causado desabastecimento nos supermercados, em especial itens de FLV (Frutas, Legumes e Verduras), que são perecíveis e dependem de abastecimento diário.

Carnes, leite e derivados, panificação congelada e produtos industrializados que levam proteínas no processo de fabricação estão com as entregas comprometidas.

Alguns supermercados já realizam ações de contramedida para não faltar produtos, limitando a venda a uma quantidade máxima por consumidor. Grande parte das lojas, no entanto, trabalha com estoque, especialmente de itens de mercearia.

A entidade espera resoluções imediatas e de fato eficazes do governo para que os empresários não sejam impactados e, principalmente, que a população não sofra com a falta de produtos de necessidade básica.

Bares e restaurantes da capital estão no limite do funcionamento

Os bares e restaurantes da capital estão preocupados com os dias que estão por vir caso a greve se mantenha. De acordo com a Associação de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel), o funcionamento dos estabelecimentos depende das compras de alimentos que são feitas às segundas-feiras, principalmente na Ceagesp.

Se a distribuição não for normalizada após o fim de semana, a situação pode complicar, informou Roberta Coelho, porta-voz da Abrasel ao HuffPost Brasil.

Segundo ela, outros dois cenários preocupam os estabelecimentos: a falta de gasolina impede que os funcionários cheguem até os restaurantes e, ainda, impede o funcionamento do serviço de delivery.

No caso das bebidas, como a cerveja, a situação é mais estável em São Paulo, já que bares e distribuidoras possuem um estoque maior das mercadorias. Segundo a porta-voz, ainda não há situação preocupante.

Fabricio Di'domenico, 43 anos, é proprietário da rede Grill Hall Prazeres da Carne, que tem 10 restaurantes espalhados pela capital. Di'domenico afirma que continuará servindo os clientes, apesar das dificuldades de abastecimento.

"Na última quarta-feira (23), eu paguei R$ 190 em um saco de batatas. Eu costumo pagar R$ 50 em semanas normais", conta em entrevista ao HuffPost Brasil.

O proprietário, ainda, se preocupa com o aumento de preços da carne. Segundo ele, os frigoríficos já avisaram que vão aumentar o valor em 20% a partir da próxima segunda (28).

"Os frigoríficos já avisaram que vão subir o preço da carne, isso se tiver mercadoria. Eles dizem: se quiser que compre logo. Semana que vem vai estar tudo mais caro. É óbvio que eles estão se aproveitando da situação, né", diz.

Porém, Di'domenico afirma que apoia a paralisação dos caminhoneiros.

"Se eu tiver que fechar os 10 restaurantes, a gente fecha. Já deu dessa situação. Nã existe esse preço de gasolina como é no Brasil. E o preço da gasolina foi só o estopim, porque o movimento dos caminhoneiros vai além. O governo precisa mudar e só com o apoio da população é que eles vão nos ouvir", argumenta.

Rodolfo Buhrer / Reuters

Paralisação afeta restaurantes em todo o Brasil

No Distrito Federal, a paralisação afetou em 60% as frotas que entregam mercadorias. Isso gerou uma aumento de preço dos produtos. De acordo com a Abrasel, o saco com 50 kg de batata passou de R$100 para R$160 e do a caisa com 20 kg de tomates aumentou de R$50 para R$130.

Redes de lanchonetes como o Madero, McDonald's e Burguer King também anunciaram que podem ter o seu funcionamento e cardápios afetados.

"A partir de sábado não teremos mais estoque", anunciou Júnior Durski, executivo da rede Madero.

Em Curitiba proprietários de restaurantes tiveram que tirar peixes e frutos do mar do cardápio, informa a Abrasel.

"Temos três fornecedores de peixe do Paraná e Santa Catarina e nenhum deu indicativo de entrega para os próximos dias. Tive que mudar o cardápio. Tirei os peixes e parte da carne de gado. Também tive que mudar o cardápio de frutas e verduras. Essa é a realidade de momento", compartilhou Rafael Justo Rebelato, 37, dono da Hamburgueria Água Verde.

Em Salvador, o Centro de Abastecimento (Ceasa) teve um abastecimento 20 vezes menor do que a média semanal. Desde a última quarta-feira (23) as entregas dos produtos começaram a diminuir.