MULHERES
25/05/2018 16:00 -03 | Atualizado 25/05/2018 17:50 -03

Os dois livros que Harvey Weinstein estava segurando ao se entregar à polícia

Um livro é sobre o diretor Elia Kazan, que foi banido por Hollywood.

AFP/Getty
Harvey Weinstein was clutching two books when he turned himself in, one of which was the story of Elia Kazan

Harvey Weinstein se entregou para a polícia em Nova York nesta sexta-feira (25) carregando dois livros que geraram ainda mais especulações sobre como o produtor se viu injustiçado em meio ao escândalo que deu início a um movimento mundial de mulheres contra o assédio sexual. Weinstein nega qualquer envolvimento em ato sexual não consensual.

Quando ele chegou ao 1º Distrito Policial de Manhattan, em Nova York, estava carregando dois livros de não-ficção: Something Wonderful: Rodgers and Hammerstein's Broadway Revolution de Todd S. Purdum e Elia Kazan: A Biography, por Richard Schickel.

Something Wonderful foi anunciado como um retrato revelador da "sociedade criativa que transformou o teatro musical e forneceu a trilha sonora para o American Century". O livro conta a história de Richard Rodgers e de Oscar Hammerstein II.

The Guardian sugeriu que "é fácil imaginar que Weinstein possa ver algo de si próprio na história de empresários bem-sucedidos no meio artístico e responsáveis pela mudança do cenário cultural", antes de dizer que houve "paralelos ainda maiores" na história de Elia Kazan.

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Weinstein holding, Something Wonderful, which tells the story of Richard Rodgers and Oscar Hammerstein II

Kazan, um diretor imigrante de clássicos como A Streetcar named Desire, mais tarde foi banido por Hollywood por testemunhar diante da Comitê de Atividades Anti-Americanas (House Un-American Activities) em 1952.

A habilidade do diretor com as mulheres também é detalhada na biografia de 2005. Kazan foi casado três vezes e teve inúmeros affairs com atrizes, incluindo Marilyn Monroe.

Atriz e escritora Carol Drinkwater detalhou ano passado um suposto encontro com Kazan quando ele estava na casa dos 60 anos e ela, na dos 20.

Ela alegou ao The Guardian: "Ele entrou, me atirou no sofá e começou a arrancar minhas roupas forçosamente tentando fazer sexo comigo".

Mais de 70 mulheres acusaram Weistein, o co-fundador do estúdio de cinema Miramax e Weistein Co, de má conduta sexual, incluindo estupro com algumas acusações que datam de décadas atrás.

As acusações, primeiramente relatadas pelo The New York Times e The New Yorker no ano passado, deram origem ao movimento #MeToo, em que centenas de mulheres acusaram publicamente homens poderosos de negócios, governo e entretenimento de má conduta.

*Esse texto foi publicado originalmente HuffPost Reino Unido e traduzido do inglês