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25/05/2018 14:43 -03 | Atualizado 25/05/2018 15:56 -03

O que fazer se o seu voo foi cancelado por causa da greve de caminhoneiros

Combustível acabou em 11 aeroportos. Em Brasília, 11 voos foram cancelados até o momento.

Companhias aéreas vão remarcar voos gratuitamente para clientes atingidos pela falta de combustível nos aeroportos.
Bloomberg via Getty Images
Companhias aéreas vão remarcar voos gratuitamente para clientes atingidos pela falta de combustível nos aeroportos.

A greve de caminhoneiros que paralisou o País afeta, desde o início desta sexta-feira (25), pelo menos 11 aeroportos. Estão sem combustível os aeroportos de Brasília, Carajás (PA), São José dos Campos (SP, Uberlândia (MG), Ilhéus (BA), Palmas (TO), Recife (PE), Maceió (AL), Goiânia (GO), Juazeiro do Norte (CE) e Vitória (ES).

Segundo a Infraero, nos 59 aeroportos com voos regulares administrados pela estatal, 4% dos 592 voos programados foram cancelados e 2,5% estão atrasados às 13h.

A situação desses voos pode ser consultada no site da empresa, mas aeroportos concedidos à iniciativa privada estão fora do levantamento.

Em nota publicada nesta sexta, a Infraero recomendou que os passageiros procurem as companhias aéreas para consultar a situação dos voos. Também aconselhou aos operadores de aeronaves que consultem sobre a disponibilidade de combustível na origem e no destino do voo programado.

No comunicado, a estatal critica o impacto da greve no transporte aéreo. "A Infraero compreende o direito de manifestação, mas entende que os protestos devem ocorrer sem afetar o direito de ir e vir das pessoas, bem como a segurança das operações aeroportuárias", diz o texto.

Em Brasília, foram cancelados 11 voos de 7h às 13h no aeroporto administrado pela Inframerica. A lista inclui 5 partidas para Teresina (PI), Congonhas (SP), Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas, SP), João Pessoa (PB) e um voo internacional para Miami, nos Estados Unidos. Também foram cancelados voos vindos de Miami, Guarulhos, Congonhas, Teresina e Confins (BH).

Só podem pousar no local aeronaves com capacidade para decolar sem a necessidade de abastecimento no terminal brasiliense. Aviões que pousarem fora dessas condições ficarão em solo até que o fornecimento do aeroporto seja regularizado.

Não há previsão de regularização do estoque de combustível. De acordo com a empresa, não houve registro de entrada de novos caminhões no terminal no dia de hoje. Desde terça-feira (22), apenas 10 caminhões chegaram ao aeroporto, todos sob escolta policial. A média diária é de 20 veículos. "É primordial a liberação dos caminhões bloqueados no protesto de motoristas para estabelecer o atendimento e as operações no aeroporto", afirmou a Inframerica, em nota.

MAURO PIMENTEL via Getty Images
Caminhoneiros bloqueiam rodoviam em Duque de Caxias (RJ) e greve atinge pelo menos 11 aeroportos.

O que fazer se o voo foi cancelado

Diante da situação, empresas aéreas têm flexibilizado as regras para atender aos consumidores.

A Latam cancelou 10 voos nesta sexta. A companhia está remarcando gratuitamente os voos que partem, chegam ou fazem conexão nos aeroportos de Brasília, Confins, Goiânia, Maceió e Uberlândia. Os passageiros podem entrar em contato com a Central de Vendas (4002-5700 nas capitais ou 0300-570- 5700 nas demais localidades do Brasil) ou procurar uma loja da companhia.

A Azul disponibilizou o cancelamento ou a remarcação do bilhete para voar até dia 31 de maio para os clientes impactados pela greve. As alterações devem ser realizadas pela central de atendimento, nos telefones 4003-1118 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-887-1118 (demais localidades). Nesta sexta, foram 23 voos cancelados até o início da tarde.

A Gol cancelou pelo menos 3 voos. Os passageiros poderão remarcar suas viagens gratuitamente ou pedir o reembolso das passagens.O contato é pelo 0300 115 2121 ou pelo 0800 704 0465.

A Avianca, por sua vez, também não irá cobrar taxa de remarcação e eventual diferença tarifária para clientes atingidos pela greve. Nesta sexta, a companhia informou que apenas 1 voo foi cancelado.

Ueslei Marcelino / Reuters
Aeroporto de Brasília sofre com falta de combustível e não há previsão para regularizar situação. 11 voos foram cancelados nesta sexta-feira (25).

Mais aeroportos correm risco de parar

Além dos 11 aeroportos sem combustível, há risco de outras unidades serem atingidas pela greve. O Aeroporto Internacional de Fortaleza está operando com os níveis de reserva de combustível. De acordo com a administração, é possível que haja impactos na operação a partir da noite desta sexta.

O Aeroporto Internacional de Porto Alegre também opera com os níveis de reserva de combustível e alerta para possível impacto nos voos.

No Aeroporto de Florianópolis, a perspectiva da administração é que a situação pode se agravar a partir do sábado.

Tanto em Guarulhos (SP) quanto no Galeão (RJ) a operação segue normal. No aeroporto fluminense, o abastecimento é feito por dutos terrestres, então não houve impacto.

Rodolfo Buhrer / Reuters
Após acordo com o governo federal, caminhoneiros seguem bloqueando rodovias e presidente Michel Temer autoriza o uso de força de seguranças.

Paralisações continuam após acordo

Nesta sexta, o presidente Michel Temer anunciou o uso de forças federais de segurança para abrir as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros. Mesmo com o acordo firmado entre o governo e a maioria dos sindicatos presentes em reunião no Palácio do Planalto na quinta-feira (24), a categoria não desistiu da paralisação.

O acordo após 7 horas de reunião com ministros no Palácio do Planalto previa suspender a greve por 15 dias. O governo aceitou reduzir a zero, em 2018, a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o óleo diesel. Também aumentou para 30 dias o prazo de validade da queda de 10% no preço do diesel nas refinarias, anunciada na quarta-feira (23) pela Petrobras.

A gestão do presidente Michel Temer se comprometeu ainda em extinguir qualquer ação judicial movida contra os grevistas e a prometeu de não incluir o setor de transporte rodoviário nas propostas de reoneração das folhas de pagamento. O projeto que prevê a renoração foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (23), mas o governo esperar retirar o trecho que inclui o setor quando a medida for apreciada pelo Senado.