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25/05/2018 19:35 -03 | Atualizado 25/05/2018 19:44 -03

Jungmann diz que 45% das interdições de caminhoneiros foram liberadas

De acordo com ministro da Segurança, duas dezenas de empresários foram chamados a depor por suspeita de locaute.

Ueslei Marcelino / Reuters
Greve de caminhoneiros permanece com interdições, mas governo vê cenário otimista.

Após a decisão de usar as forças de segurança na greve dos caminhoneiros, o governo de Michel Temer afirmou que a paralisação está se enfraquecendo. De acordo com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, 419 de um total de 938 pontos interditados em rodovias de todo o País (quase 45%) foram liberados até a tarde desta sexta-feira (25).

"Nenhuma dessas interdição é total, o que aponta para a adesão crescente dos senhores caminhoneiros aos termos do acordo fechado pelo Palácio do Planalto", afirmou em coletiva de imprensa no início da noite.

O acordo fechado nesta quinta-feira (24) após 7 horas de reunião com ministros no Palácio do Planalto previa suspender a greve por 15 dias. O governo aceitou reduzir a zero, em 2018, a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o óleo diesel. Também aumentou para 30 dias o prazo de validade da queda de 10% no preço do diesel nas refinarias, anunciada na quarta-feira (23) pela Petrobras.

A gestão do presidente Michel Temer se comprometeu ainda em extinguir qualquer ação judicial movida contra os grevistas e a prometeu de não incluir o setor de transporte rodoviário nas propostas de reoneração das folhas de pagamento. O projeto que prevê a renoração foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (23), mas o governo esperar retirar o trecho que inclui o setor quando a medida for apreciada pelo Senado.

Apesar da negociação entre o governo e a maioria dos sindicatos presentes na reunião, a categoria não desistiu da paralisação.

Sobre as investigações do crime de locaute, Jungmann afirmou que duas dezenas de empresários foram chamados para depor e que ele determinou a abertura de investigação por parte da Polícia Federal.

O locaute é uma paralisação coordenada e incentivada pelos empregadores em prol dos interesses da própria empresa, e não dos trabalhadores. A conduta é vetada pela Lei de Greve.

De acordo com Jungmann, a ilegalidade pode ser enquadrada em 4 tipos de crimes, além de associação criminosa e incitação ao crime.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, reforçou o tom de fim da greve. "Prova de que o movimento está desaquecendo é que uma das federações de caminhoneiros está pedindo a todos filiados que voltem para casa no fim de semana porque a paralisação já atingiu seu objetivo", afirmou. "O governo está cumprindo 100% do acordo, e esperamos que os caminhoneiros também o cumpram", completou.

De acordo com Padilha, Temer assinou decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza o emprego das Forças Armadas em casos de situações de perturbação da ordem pública.

A validade é até 4 de junho. A medida permite o emprego das Forças Armadas em todo território nacional. "O governo negociou e está de portar abertas permanentemente, mas não pode fugir da responsabilidade de garantir o abastecimento para a família brasileira", afirmou.

As missões de GLO ocorrem nos casos em que há, segundo o Ministério da Defesa, "o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem".

"O que vai ser garantido são essas necessidades críticas, particularmente na área de abastecimento de combustível, na área da saúde, produtiva, de alimentação", disse o general Joaquim Silva e Luna.

Na mesma linha de reforçar o arrefecimento da situação, o coordenador do grupo que o governo criou para monitorar a greve dos caminhoneiros, o ministro Sergio Etchegoyen, afirmou que o acesso à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, foi liberado. "A Reduc já normalizou praticamente quase na integralidade, o que vai limpando o horizonte", afirmou.