MULHERES
25/05/2018 10:23 -03 | Atualizado 25/05/2018 10:46 -03

Harvey Weinstein se entrega para polícia e vai responder por acusações de assédio

O magnata do cinema foi acusado por ao menos 75 mulheres de estupro e assédio.

Mike Segar / Reuters
Harvey Weinstein se entrega em Nova York.

O produtor de cinema americano Harvey Weinstein está sob custódia do Departamento de Polícia de Nova York. Ele se entregou na manhã desta sexta-feira (25) e vai responder as acusações de crimes sexuais. A investigação está sendo orientada pelo Gabinete do Procurador do Distrito de Manhattan.

A prisão do magnata de Hollywood ocorre após a denúncia de dezenas de mulheres sobre os seus crimes de assédio e agressões sexuais. De acordo com as vítimas, Weinstein perpretava tais crimes por várias décadas. Mas algumas das mulheres pensaram que ele jamais chegaria a enfrentar um processo por seus atos. Esse dia chegou, contudo.

Os primeiros relatos dos crimes de Weinstein foram publicados em uma série de reportagens do The New York Times e da The New Yorker. Depois disso, pelo menos outras 75 mulheres vieram a público no final do ano passado para acusar Weinstein de assédio.

O movimento ganhou força e, nas redes sociais, a hashtag #MeToo foi criada para que outras mulheres pudessem falar sobre os casos de assédio que já viveram ou presenciaram. A tag serviu como símbolo da violência sexual contra as mulheres que ainda é naturalizada na sociedade, não apenas na indústria cinematográfica. Os repórteres do Times e The New Yorker, Jodi Kantor, Megan Twohey e Ronan Farrow, receberam o Prêmio Pulitzer no inicío de 2018 pelo serviço público prestado por seu trabalho.

Depois de se entregar para a polícia, Weinstein foi levado ao tribunal com algemas para enfrentar as acusações formais, de acordo com a Associated Press.

A polícia de Nova York disse em um comunicado que Weinstein foi acusado de "estupro, ato sexual criminoso, abuso sexual e má conduta sexual por incidentes envolvendo duas mulheres diferentes".

Uma das mulheres é Lucia Evans, que contou a The New Yorker que Weinstein havia a convidado para uma reunião de trabalho e, na ocasião, forçou para que ela fizesse sexo oral nele.

"Eu disse várias vezes: 'Eu não quero fazer isso, pare, não'", conta Evans. "Eu tentei fugir, mas talvez não tenha me esforçado o suficiente. Eu não queria chutá-lo ou lutar com ele."

Como parte da investigação, o Departamento de Polícia de Nova York também analisou a alegada agressão sexual contra a atriz Paz de la Huerta, ocorrida em 2010, de acordo com o The Wall Street Journal.

De la Huerta disse à Vanity Fair que Weinstein a agrediu sexualmente duas vezes. Na segunda vez, a atriz disse que havia bebido e afirmou ter sentido medo do produtor.

"Eu disse não, e quando ele estava em cima de mim eu disse: 'Eu não quero fazer isso'. Ele continuou me tocando e foi nojento. Ele um porco ", disse ela à Vanity Fair.

Weinstein nega qualquer envolvimento em ato sexual não consensual.

Conforme as denúncias se tornavam públicas, o produtor tentou silenciar algumas de suas vítimas. Ele contratou investigadores particulares para desenterrar informações sobre as mulheres e os jornalistas que escreviam sobre os seus crimes.

Mike Segar / Reuters

Entenda o caso

Em outubro de 2017 o New York Times divulgou uma reportagem em que demonstra como Weinstein chegou a acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos 8 mulheres ao longo de três décadas, incluindo a atriz Rose McGowan, e que muitas outras mulheres alegam ter sido alvos de assédio sexual ou conduta sexual imprópria por parte dele.

A atriz Ashley Judd contou ao jornal que, numa reunião marcada para um café da manhã, Weinstein "apareceu de robe e pediu para fazer uma massagem nela ou para ela assistir enquanto ele tomava banho".

Uma ex-funcionária temporária de Weinstein contou que o produtor lhe ofereceu uma carreira profissional se ela aceitasse suas investidas sexuais. E um memorando escrito em 2015 por outra ex-funcionária, Lauren O'Connor, descreve a Weinstein Company como "um ambiente tóxico para as mulheres".

Desde então, Weinstein foi demitido da produtora de cinema que ele próprio ajudou a fundar e outras celebridades como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também revelaram que foram assediadas pelo produtor.

Ele também foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, do Producers Guild of America e da Academy of Television Arts and Sciences.