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25/05/2018 18:51 -03 | Atualizado 25/05/2018 19:40 -03

Falta de combustível tira táxis das ruas em São Paulo

Sindicato diz que de 30% a 40% dos taxistas já não circulam na capital. Greve dos caminhoneiros trava rodovias e provoca desabastecimento.

Leonardo Benassatto/Reuters
Greve dos caminhoneiros provoca desabastecimento de combustível e longas filas nos postos.

Com o desabastecimento de combustíveis provocado pela greve dos caminhoneiros, taxistas de São Paulo já deixam de circular pelas ruas da cidade nesta sexta-feira (25).

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo (Sinditaxi), de 30% a 40% dos motoristas estão parados. A entidade representa cerca de 40 mil profissionais.

O taxista gasta, em média, um tanque por dia. Sem combustível não dá para trabalhar.Natalício Bezerra Silva, presidente do Sinditaxi.

"Não temos para onde correr, mas não vamos fazer greve. Nós, brasileiros, vamos todos pagar essa conta", queixa-se.

A paralisação entrou no seu quinto dia nesta sexta, mesmo após o acordo firmado na quinta-feira (24) entre o governo e representantes dos caminhoneiros. Diante da continuidade da greve, o presidente Michel Temer convocou forças federais de segurança para abrir as rodovias bloqueadas.

O taxista José Augusto da Silva, que trabalha em um ponto na Alameda Campinas, no Jardim Paulista, trabalhou nesta sexta, mas não sabe se terá condições de circular no sábado (26).

"Está difícil encontrar combustível", afirma. Segundo ele, 2 motoristas do ponto já recolheram seus táxis. "Só vão voltar quando a situação for normalizada."

Aplicativos

As empresas que oferecem serviço de transporte individual por aplicativos, por sua vez, não têm uma estimativa de quantos motoristas deixaram de circular, visto que os profissionais têm autonomia para trabalhar.

Em nota, a Uber informa que "entende que, como autônomos, os motoristas parceiros têm o direito de se manifestar, dentro do que a lei permite".

A Cabify afirma que "reconhece o direito da livre manifestação pacífica de todo e qualquer brasileiro em relação a assuntos que impactem diretamente suas vidas e profissões".

A empresa diz, ainda, que está "estudando como balancear o impacto da alta do combustível em cada cidade, sem que isso inviabilize a prestação de serviços por parte do motorista parceiro e atinja diretamente os valores cobrados dos usuários".

A 99 informa que "não identificou alteração significativa no fluxo de corridas realizadas em sua plataforma" e acrescenta que eventuais manifestações de parceiros devem ser compreendidas como "posicionamento exclusivo dos motoristas".

Estado de emergência

O prefeito Bruno Covas (PSDB) decretou estado de emergência nesta sexta. A medida permite, por exemplo, que a prefeitura apreenda bens privados, como combustível estocado em postos. O decreto também autoriza a prefeitura a fazer compras sem licitação.

A gestão determinou, ainda, a criação de um comitê de crise e, caso o desabastecimento continue, poderá ser decretado feriado municipal.

O temor é de que serviços essenciais como coleta de lixo, transporte coletivo e entrega de merenda possam ser afetados pela greve, e a ordem é economizar combustível.