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24/05/2018 09:12 -03 | Atualizado 24/05/2018 19:05 -03

Como a greve dos caminhoneiros está paralisando o Brasil

Protesto iniciado há 4 dias já afetou postos, supermercados, fábricas, transporte público e aeroportos.

Bloomberg via Getty Images
Caminhoneiros param na BR-040, na altura de Luziânia (GO)

A greve dos caminhoneiros, iniciada pelo descontentamento da categoria com o elevado custo do diesel, chega a seu 4º dia nesta quinta-feira (24) com efeitos reais sobre o cotidiano dos brasileiros e influência sobre o processo político nacional. O desabastecimento provocado pelo protesto atinge de postos de gasolina a supermercados e fábricas. Tanto o presidente Michel Temer quanto o Congresso Nacional tiveram que se mexer para evitar um transtorno ainda maior para a população.

Apreensivos pelo risco de ficar a pé, milhares de motoristas correram para os postos de combustível em diversas capitais. Com a redução de estoque, o preço na bomba disparou. No Recife, o litro chegou a ser vendido por quase R$ 9, conforme registro da TV Globo.

Adriano Machado / Reuters
Caminhoneiros barram a BR-040 em protesto pelo aumento do diesel.

A falta de diesel acendeu o alerta da Prefeitura de São Paulo, que decidiu ontem travar 40% dos ônibus da cidade. Concessionárias do transporte coletivo informaram problemas de combustível que afetariam viagens nas zonas leste, norte, sul e oeste da capital paulista. Nesta manhã, porém, apenas 3% da frota estava parada, segundo a Folha.

A coleta de lixo ainda não sofreu alterações em São Paulo. Mas, se a paralisação continuar nesta sexta-feira (25), o serviço também pode ser prejudicado, de acordo com a prefeitura.

Nesta quinta-feira, os protestos já atingem 15 estados e o Distrito Federal. No Rio de Janeiro, apenas metade da frota está circulando. A BRT decidiu fechar as estações na zona norte e na zona oeste do Rio pela manhã.

A Infraero chegou a advertir que aeroportos brasileiros corriam risco de ficar sem combustível e, portanto, um cancelamento em cascata de voos poderia ocorrer. As empresas aéreas já adotam um plano de contingência para o pior cenário.

O Aeroporto de Congonhas está usando queresone de aviação para abastecer seus aviões. Até sexta-feira à noite, há combustível para cumprir as viagens previstas.

Ueslei Marcelino / Reuters
Caminhoneiros queimam pneus na BR-324 nas proximidades de Salvador.

Impacto da greve dos caminhoneiros na política

A pressão toda dos caminhoneiros já surtiu efeito. Ainda na tarde de quarta-feira (23), a Petrobras anunciou redução de 10% no preço do diesel nas refinarias. A queda é de 25 centavos por litro aos consumidores. A promessa é de que o valor mais baixo vá valer por 15 dias.

O presidente da estatal, Pedro Parente, disse que não estava cedendo a pressões "do governo ou de movimentos sociais". "Estamos fazendo uma avaliação realista da situação do País", justificou.

Entretanto, o presidente Michel Temer deixou sua digital na decisão da Petrobras, na avaliação do colunista Bruno Boghossian, da Folha.

Ainda ontem, Temer prometeu acabar com a Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) sobre o diesel. A Câmara dos Deputados zerou a PIS/Cofins sobre combustíveis até o fim de 2018. A votação simbólica em plenário também aprovou a reoneração da folha de pagamento de outros setores para equilibrar as contas, com a menor arrecadação com impostos sobre combustível. As propostas seguem para apreciação no Senado.

Porém, a Associação Brasileiros dos Caminhoneiros informa que só encerra a greve quando estiver no Diário Oficial da União a isenção de PIS/Confins e Cide sobre o diesel. Está marcada uma reunião da entidade com o governo na tarde desta quinta na Casa Civil.

Stringer . / Reuters
Caminhoneiros ligados a Transpetro param em Barueri (SP).