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24/05/2018 22:30 -03 | Atualizado 25/05/2018 12:58 -03

Caminhoneiros prometem suspender greve por 15 dias após acordo com o governo

Em 4 dias, paralisação contra a alta do diesel provocou bloqueios em estradas e afetou o abastecimento de alimentos e combustíveis.

Protesto de caminhoneiros bloqueia rodovia perto de Salvador, na Bahia.
Ueslei Marcelino/Reuters
Protesto de caminhoneiros bloqueia rodovia perto de Salvador, na Bahia.

O governo Michel Temer e representantes dos caminhoneiros anunciaram na noite desta quinta-feira (24), após quase 7 horas de reunião em Brasília, um acordo para suspender por 15 dias a greve que bloqueou rodovias de mais de 20 estados e afetou o abastecimento de diversos produtos, de alimentos a combustíveis.

Sindicatos, federações e associações que participaram do encontro firmaram o compromisso de apresentar os termos do acordo aos manifestantes. Duas entidades, porém, não assinaram o documento: Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), que representa cerca de 700 mil motoristas, e União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam).

Mesmo assim, a expectativa do governo é que a paralisação já comece a ser "desativada", com a normalização da situação nas estradas "a qualquer momento", disse o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil. Uma nova reunião entre as partes deve ocorrer em 15 dias.

Apesar do acordo, a greve foi mantida nesta sexta-feira (25).

Uma das reivindicações da categoria atendida pelo governo foi a redução a zero, em 2018, da alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o óleo diesel.

Além disso, a queda de 10% no preço do diesel nas refinarias, anunciada na quarta-feira (23) pela Petrobras, foi ampliada para 30 dias – a estatal havia prometido 15 dias. Nas bombas, o congelamento do preço representa uma redução de R$ 0,25.

A principal queixa dos caminhoneiros, que paralisaram as atividades por 4 dias, diz respeito ao aumento sucessivo do valor do diesel, uma das consequências da política de preços adotada pela Petrobras em julho de 2017.

Nesse novo modelo, a estatal repassa para o mercado interno as variações do dólar e do valor do barril de petróleo no mercado internacional, o que faz com que o preço dos combustíveis sofra alterações diárias.

A categoria pediu a revisão da metodologia de preços, mas o governo afirma não abrir mão dessa política. O objetivo, diz o Planalto, é assegurar a autonomia da Petrobras. "A política de preços está mantida", disse o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

O preço [do diesel] ficará fixo nesse patamar que foi definido pela Petrobras, por 30 dias. A Petrobras está oferecendo os primeiros 15 dias e, a partir do 16º dia, isso será pago pela União.Eduardo Guardia, ministro da Fazenda

A estatal estima que, com o preço congelado do diesel, deixará de ganhar R$ 350 milhões em 15 dias.

"A política de preços da Petrobras continua intacta e preservada até a porta da refinaria. Da porta da refinaria para frente, o governo brasileiro decide dispor de recursos para garantir uma política de preços na bomba que seja compatível com a realidade brasileira", completou o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo.

Guardia explicou ainda que, após esse período de 30 dias, o diesel será reajustado conforme a política de preço das Petrobras. Definido o novo valor, o preço voltará a ser congelado por mais 30 dias.

Também fazem parte do acordo firmado entre governo e caminhoneiros a extinção de qualquer ação judicial movida contra os grevistas e a promessa de não incluir o setor de transporte rodoviário nas propostas de reoneração das folhas de pagamento.

O projeto de reoneração foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira e deve ser analisado pelo Senado. De acordo com o ministro Guardia, a promessa de zerar a Cide do diesel depende da aprovação da reoneração pelo Congresso Nacional.