POLÍTICA
22/05/2018 12:53 -03 | Atualizado 22/05/2018 16:18 -03

Pressionado, Temer desiste de candidatura e abre caminho para Meirelles

"Se chegamos até aqui, temos que prosseguir. Ficarei orgulhoso se um dia o Henrique Meirelles for eleito presidente do Brasil pelo MDB", disse Temer.

Adriano Machado / Reuters
Após ser pressionado por correligionários, Michel Temer desiste de lançar candidatura e apoia nome do ex-ministro Henrique Meirelles.

O presidente Michel Temer desistiu de sua candidatura à Presidência da República e abriu caminho para o MDB lançar o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para a corrida eleitoral. "Temos de aproveitar a campanha para mostrar a unidade do MDB. Se chegamos até aqui, temos que prosseguir. Ficarei orgulhoso se um dia o Henrique Meirelles for eleito presidente do Brasil pelo MDB", afirmou nesta terça-feira (22).

Temer falou no lançamento do Encontro com o Futuro. O documento do MDB traz propostas do partido para os próximos anos do Brasil, como equilíbrio das contas públicas e redução da atuação do Estado.

Em seu discurso, o presidente defendeu o próprio legado. Disse que seu governo atuou para favorecer o mercado sem deixar de contemplar questões sociais, como o aumento do valor do Bolsa Família. Ele também mandou um recado para os partidos da base. "Queira Deus que você, Meirelles, seja o único candidato de centro que possa continuar o que começamos", afirmou.

Com a proximidade das eleições, emedebistas têm pressionado o presidente para desistir da disputa e apoiar a candidatura de Meirelles, a fim de fortalecer o pré-candidato que hoje alcança no máximo 2% de intenções de voto, de acordo com o Datafolha.

Defensores da candidatura do ex-ministro querem descolá-lo da impopularidade de Temer. De acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada em abril, apenas 5% consideravam o governo bom ou ótimo.

Outro fator que pesa contra o presidente são os 2 inquéritos de que é alvo. Em 2017, Temer se manteve no poder após a Câmara dos Deputados rejeitar, por duas vezes, denúncias com base na delação da JBS. O emedebista foi acusado de corrupção, obstrução à Justiça e participação em organização criminosa. Segundo a Procuradoria-Geral da República, ele teria recebido ao menos R$ 587 milhões de propina.

A demora de Temer em anunciar sua saída provocou incômodos dentro da legenda. O atraso é atribuído à atuação de dois ministros da cúpula palaciana: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia). Para eles, o anúncio poderia enfraquecer mais ainda o governo.

Adriano Machado / Reuters
Impopularidade do governo e denúcias de corrupção levam emedebistas a pressionar Michel Temer a desistir de candidatura.

Meirelles é candidato do MDB

A candidatura de Meirelles conta com o apoio da bancada do MDB no Senado e de lideranças locais. O presidenciável tem procurado correligionários para viabilizar seu nome, articulação intensificada com a expectativa de desistência de Temer.

O lançamento de uma candidatura do partido é especialmente importante para a defesa do governo ao longo da campanha. Isso porque outros presidenciáveis de centro-direita querem distanciamento da impopularidade de Temer, apesar das bandeiras similares. É o caso, por exemplo, de Geraldo Alckmin (PSDB).

A defesa da candidatura foi feita pelo presidente da legenda, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ele também destacou a importância da "consolidação social e econômica do País" ao falar sobre o Encontro com o Futuro.

Além de não ser alvo de denúncias e de defender o legado do governo, Meirelles conta com mais um ponto a seu favor: financiar a própria campanha. A trajetória em instituições financeiras permite que ele não tenha de usar os recurso do partido, que ficam, portanto, disponíveis para disputas regionais.

No evento, Meirelles disse que quer encerrar o radicalismo político no País. Sobre a crise de segurança, o presidenciável defendeu tratar "bandidos com o rigor da lei". Meirelles defendeu a retomada econômica para combater o desemprego. "Vamos vencer combatendo o populismo", afirmou.

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Desafio de Henrique Meirelles na corrida eleitoral é crescer nas pesquisas. Hoje ele não passa dos 2% de intenções de voto, de acordo com o Datafolha.

Encontro com o Futuro

No programa elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães, o MDB destaca a importância da reforma da Previdência, proposta que o governo não conseguiu votar. O documento também defende que a presença do Estado seja limitada a áreas essenciais, "para eliminar gastos desnecessários ou redundantes".

"O crescimento baseado no aumento da força de trabalho e na intervenção do Estado no setor produtivo se esgotou. A população começa a envelhecer rapidamente, e a capacidade fiscal dos governos está exaurida. O crescimento vai depender agora da iniciativa privada", afirma o texto.

O Encontro com o Futuro ressalta vitórias da gestão Temer, como a reforma trabalhista, e afirma que ela irá ajudar na recuperação do desemprego. "Em breve, o emprego começará a reagir de forma mais forte e os índices de pobreza começarão a recuar, encerrando este longo inverno recessivo", diz o documento.

Apesar de ter feito parte do governo de Dilma Rousseff, o MDB faz diversas críticas à gestão petista e minimiza o índice de reprovação de Temer. "Todo governo que ousa mudar e reformar sabe que seu caminho está cheio de incompreensões. Não podemos nunca nos esquecer de que o governo que provocou a crise, com seus erros, foi durante quase todo o tempo aprovado pela maioria da população, e que o governo que corrigiu aqueles erros, com resultados inequívocos, é reprovado pela maioria", diz o documento.

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