POLÍTICA
22/05/2018 13:20 -03 | Atualizado 22/05/2018 15:32 -03

Policiais federais usam apoio à Lava Jato para lançar 26 candidaturas

Um dos nomes na disputa, Flávio Werneck, foi punido administrativamente por criticar vazamento seletivo sobre investigações.

Policiais federais lançam Frente da Lava Jato, com 26 candidaturas a deputado federal e senador.
Nacho Doce / Reuters
Policiais federais lançam Frente da Lava Jato, com 26 candidaturas a deputado federal e senador.

De olho no apoio de parte dos brasileiros à Operação Lava Jato, policiais federais irão apresentar pelo menos 26 candidaturas nas eleições gerais. Com presença de 2 policiais já eleitos, os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Aluísio Mendes (Podemos-MA), a Frente da Lava Jato será lançada nesta terça-feira (22).

Do grupo, 4 trabalharam em investigações que de alguma maneira contribuíram com a operação que apura desvios na Petrobras. A iniciativa é suprapartidária, com filiados a partidos como PHS, PSL, Rede, Pros e Podemos, mas não conta com integrantes do PT, MDB e PP, 3 das legendas mais atingidas pelo escândalo de corrupção.

"A ideia inicial era de que todos saíssem com candidaturas avulsas, mas o Supremo não julgou a ADIN [ação direta de inconstitucionalidade], então a gente acabou migrando para as candidaturas de acordo com as características de cada região", afirmou ao HuffPost Brasil Flávio Werneck, presidente do Sindipol-DF e pré-candidato a deputado federal pelo PHS.

Também vice-presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), Werneck se envolveu em uma controvérsia ao ser acusado de participar da elaboração de um dossiê contra o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na 1ª instância.

De acordo com o aspirante a deputado, o caso trata de "fraude news". "O parecer do Ministério Público Federal é pelo arquivamento. No caso disciplinar, eu fui absolvido do caso específico desse dossiê até porque um repórter falou que fez toda a documentação", afirmou.

O policial foi punido administrativa com um afastamento, mas a motivação foi outra, de acordo com Werneck. "Eu fui punido por motivo totalmente diverso, que foi falar mal de 30 delegados cedidos, à época, ao gabinete do (então) ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, (...) e afirmar que existiam alguns vazamentos seletivos não apurados", completou.

Nacho Doce / Reuters
Policiais federais se valem de apoio da população à Operação Lava Jato para lançar 26 candidaturas ao Congresso Nacional.

Policiais defendem prisão antecipada

Entre os aspirantes a deputados federais e senadores estão agentes, escrivães e papiloscopistas, inspirados pelo bom desempenho dos representantes da categoria nas eleições municipais de 2016.

A imagem de outsiders, a defesa do combate à corrupção e mudanças no sistema de segurança pública alto no momento de altos índices de violência no País são as apostas da frente para conquistar as urnas.

Entre as propostas defendidas estão o fim do foro privilegiado, a desburocratização do modelo de investigação e a modernização da segurança pública, incluindo o ciclo completo da polícia, com ingresso único pela base. "Todo e qualquer policial, seja guarda municipal, policial militar, civil, rodoviário federal, federal, seja ele quem for, deve ter a possibilidade de fazer as investigações", afirma Werneck.

O grupo é crítico à proposta do novo Código de Processo Penal (CPP), em discussão na Câmara dos Deputados. De acordo com os policiais, as novas regras acabaram com o poder de investigar do Ministério Público e com a autonomia das autoridades policiais.

Um dos temas do novo CPP, a prisão após condenação em 2ª instância, por sua vez, é defendida pela categoria, que também apoia as 10 Medidas contra a Corrupção, proposta parada no Senado Federal.

O grupo organiza um financiamento coletivo. As doações para campanha de crowdfunding que será lançada pela Frente nesta terça poderão ser feitas a partir da próxima segunda-feira (28).

Por enquanto, o único estado sem pré-candidato é o Rio Grande do Norte, mas a expectativa é que até agosto, limite para registro das candidaturas, surjam novos nomes.

Confira a lista de pré-candidatos da Frente da Lava Jato:

Rio Grande do Sul: Ubiratan Sanderson e Marco Monteiro;

Santa Catarina: Edgard Lopes,

Paraná: Bibiana Orsi e Márcio Pacheco;

São Paulo: Eduardo Bolsonaro e Danilo Balas;

Rio de Janeiro: Sandro Araújo e Plínio Ricciardi;

Minas Gerais: Cláudio Prates;

Espírito Santo: Edmar Camata;

Bahia: Anderson Muniz;

Alagoas: Flávio Moreno;

Pernambuco: Jorge Federal;

Ceará: Odécio Carneiro;

Maranhão: Aluísio Mendes;

Pará: Marinho Cunha;

Roraima: Barroso;

Acre: Jamyl Asfury;

Amazonas: Aldenir Araújo;

Amapá: Jorielson;

Rondônia: Bosco da Federal;

Mato Grosso: Rafael Ranalli;

Mato Grosso do Sul: Renée Venâncio e André Salineiro;

Goiás: Suender;

Tocantins: Farley;

Distrito Federal: Flávio Werneck e Santiago da Federal.

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