LGBT
22/05/2018 11:06 -03 | Atualizado 22/05/2018 11:29 -03

Mais da metade dos paulistanos já presenciaram preconceito contra LGBTs

Os dados são da pesquisa sobre diversidade em São Paulo realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope.

Nacho Doce / Reuters
Preconceito contra LGBT+ acontece nos espaços públicos e transportes públicos.

De acordo com a pesquisa Viver em São Paulo: Diversidade realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope, mais da metade dos paulistanos já viveram ou presenciaram cenas de preconceito contra LGBTs.

E são nos espaços públicos (51%) e transportes públicos (49%) em que mais ocorrem as situações de violência em relação ao gênero ou a orientação sexual.

O estudo, divulgado nesta terça-feira (22) no Sesc Pinheiros, na capital, ouviu 800 pessoas. Os entrevistados também apontam ter vivenciado situações de violências em escolas e faculdades (39%), shoppings e comércios (39%), bares e restaurantes (38%), no ambiente de trabalho (35%) e até na família (34%).

A pesquisa ouviu 432 mulheres e 368 homens de todas as regiões da capital. O grupo mais favorável a questões relacionadas à população LGBT+ é composto por mulheres, com maior índice de escolaridade, com renda familiar de mais de 5 salários mínimos e com idade entre 25 e 34 anos.

Já o perfil dos menos favoráveis é composto por homens, menos escolarizados, com renda familiar de menos de 2 salários mínimos e com mais de 55 anos.

Como resultado da pesquisa foi construído de um ""Índice de LGBTfobia" da população paulistana. A ferramenta é baseada nos resultados de diversas perguntas que procuram saber se os entrevistados são "a favor", "nem a favor nem contra" ou "contra" as situações apresentadas.

De acordo com as respostas, o índice da população paulistana é de 0,46 e, de acordo com a metodologia da pesquisa, os paulistanos demonstraram-se "timidamente favoráveis" às questões LGBT+.

São Paulo é acolhedora?

Para metade dos entrevistados, porém, São Paulo é tolerante em relação à população LGBT+.

"A palavra tolerância está qualificando a cidade. Ela não diz respeito ao entrevistado, ou como ele se posiciona em relação as pautas LGBT+. É a opinião dele em relação a cidade. Nesse sentido, a palavra tolerância é usada como similar de aceitação. A questão é: Você acha que São Paulo aceita, respeita e garante direitos à população LGBT+?", explica Américo Silva, gestor de projetos na Rede Nossa São Paulo em entrevista ao HuffPost Brasil.

Apesar da percepção de tolerância, o paulistano demonstra ser favorável às pautas LGBT+ apenas quando as situações apresentadas estão longe de seu cotidiano.

Questionados se apoiam as leis de incentivo à inclusão dos LGBT+ no mercado de trabalho, 54% dos entrevistados disseram que sim.

Porém, quando se tratam de temas como a utilização de banheiros sem a demarcação de gênero ou a demonstração de afeto em locais públicos, mais de 45% dos entrevistados são contra.

A pesquisa também demonstrou que os entrevistados criticam a ausência de políticas públicas focadas em diversidade.

Para 3/4 do público, a gestão municipal tem feito pouco ou nada para combater a violência contra a população LGBT+

Nacho Doce / Reuters

Os números da homofobia e LGBTfobia no Brasil

Entre 2006 e 2016, pelo menos 1 vítima por semana procurou a delegacia especializada de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para registrar uma queixa de crime motivado por homofobia em São Paulo, de acordo com o Mapa da Homofobia do G1.

Porém, esse número tende a ser muito maior. No Brasil, a LGBTfobia não é criminalizada, o que dificulta o acesso às estatísticas tanto locais quanto à nível nacional. As denúncias acabam sendo tipificadas como crimes correlatos, como injúria, lesão corporal e ameaça.

Enquanto isso, grupos de defesa dos direitos humanos chamam atenção para a violência contra a população LGBT+ no País.

Em 2017, um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) registrou o maior número de casos de morte relacionados à LGBTfobia nos últimos 38 anos. Foram 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais assassinados.