POLÍTICA
21/05/2018 18:10 -03 | Atualizado 22/05/2018 07:32 -03

Encontro com o Futuro: O documento do MDB que critica o governo de que ele também fez parte

MDB lança nesta terça-feira cartilha que prega importância da reforma da Previdência para salvar o País.

AFP/Getty Images
O MDB, do presidente Michel Temer, rompeu com o governo da então presidente Dilma Rousseff em março de 2016.

O Encontro com o Futuro, documento do MDB que traz a proposta do partido para o futuro, ignora que a legenda fez parte do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Embora ocupasse a vice-presidência do governo e comandasse ao menos 6 ministérios, o MDB se exime do que encontrou quando assumiu o comando do País.

Na cartilha, que será lançada nesta terça-feira (22), o partido afirma que "os dados da economia eram desalentadores e todas as previsões indicavam que o país rumava para o terceiro ano de declínio da renda por habitante e para o aumento, tanto da inflação, quanto do desemprego".

Argumenta ainda que "os erros dos governos anteriores não se limitaram à política macroeconômica e atingiram em cheio nossas principais empresas estatais".

Ao elencar as vitórias do partido nos últimos 2 anos, a cartilha destaca que "em 2016 começamos a agir em cima dos destroços que encontramos" e que, "mesmo com todo o esforço, somente em 2020, se não ocorrerem retrocessos, retornaremos aos níveis de renda por habitante de 2011".

No documento, o partido também reclama das limitações do Congresso. Alega que "dentro ds severas limitações institucionais, legais e políticas que bloqueiam a ação do Poder Executivo para procurar o equilíbrio das contas públicas, o governo Temer foi ousado".

O emedebista assumiu o comando do País com a maior bancada aliada dos últimos tempos, conseguiu aprovar a PEC do Teto de Gastos com 359 votos no segundo turno na Câmara dos Deputados. A base aliada, no entanto, começou a ruir após a delação da JBS.

Futuro

A reforma da Previdência, que o governo Temer tentou pautar, segue na agenda do partido para o próximo presidente. "Caso contrário, voltaremos aos anos de recessão, inflação e desemprego de que mal acabamos de nos livrar."

O partido, entretanto, ressalta que as reformas já aprovadas, como a trabalhista, foram impopulares.

"Não podemos nunca nos esquecer de que o Governo que provocou a crise, com seus erros, foi durante quase todo o tempo aprovado pela maioria da população, e que o Governo que corrigiu aqueles erros, com resultados inequívocos, é reprovado pela maioria."

Rompimento

Embora tenha feito parte do governo até março de 2016, o então PMDB destacou ao romper a aliança que a crise era resultado, principalmente, de escolhas erradas do governo federal. Afirmou ainda que, apesar de o vice-presidente participar da base do governo, ele não foi chamado para discutir soluções para o País.

Em carta à então presidente Dilma Rousseff, Temer disse ser um "vice decorativo" e alegou desconfiança da petista em relação a ele. "Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários."