POLÍTICA
18/05/2018 02:17 -03 | Atualizado 18/05/2018 02:17 -03

Candidatura de Meirelles é ‘torcer para a população cair na real’, diz Marun

“A real é que pegamos um país absolutamente destruído e temos hoje um Brasil que caminha no rumo do desenvolvimento”, afirma ministro de Temer.

AFP/Getty Images
MDB deve lançar Henrique Meirelles como pré-candidato à Presidência da República nas próximas semanas.

Defensor aguerrido do presidente Michel Temer, o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, aposta que os brasileiros mudem a percepção sobre o governo para aumentar a popularidade de Henrique Meirelles (MDB) na corrida eleitoral. O ex-ministro da Fazenda deve ser lançado como pré-candidato ao Palácio do Planalto nos próximos dias.

"É torcer para que a população, digamos assim, caia na real. E a real é que pegamos um país absolutamente destruído e temos hoje um Brasil que caminha no rumo do desenvolvimento. A população tem que conseguir entender isso e associar à nossa atuação de governo. Nós torcemos para que isso aconteça o mais rapidamente possível", afirmou ao HuffPost Brasil nesta quinta-feira (17).

O principal desafio agora é deslanchar nas pesquisas. O presidenciável alcança, no máximo, 2% das intenções de voto, de acordo com o Datafolha. Ele argumenta que os números irão aumentar quando se tornar mais conhecido pelos brasileiros.

Dentro do MDB, há pressa para definir um único nome para a disputa. O lançamento de uma candidatura do partido é especialmente importante para a defesa do governo ao longo da campanha. Isso porque outros presidenciáveis de centro-direita querem distanciamento da impopularidade de Temer, apesar das bandeiras similares. É o caso, por exemplo, de Geraldo Alckmin (PSDB).

Já a falta de apoio popular do presidente poderia impedi-lo de frequentar alguns locais públicos na corrida eleitoral, na avaliação de alguns emedebistas. De acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada em abril, apenas 5% consideravam o governo bom ou ótimo.

Defensores de Meirelles apostam ainda que seu nome pode ser visto como um outsider, longe das tradicionais práticas políticas. Marun discorda das estratégia. "O presidente Temer é até uma personagem mais completo que o Meirelles. Não vejo como vantagem falta de experiência política, mas o que mais depende é a disposição do presidente de disputar", afirmou.

Na avaliação do ministro, a decisão depende da disposição de Temer e do quadro eleitoral. Ele nega que as denúncias contra o presidente tenham influência.

Essas denúncias foram pífias e mal intencionadas. Não entendo que o fato de ele ter sido denunciado possa depor contra a candidatura dele, mesmo que tenha um impacto real. Me recuso a aceitar que uma atitude indevida como essas denúncias possa se tornar um fator que venha a contribuir com a decisão.

Em 2017, Temer se manteve no poder após a Câmara dos Deputados rejeitar, por duas vezes, denúncias com base na delação da JBS. O presidente foi acusado de corrupção, obstrução à Justiça e participação em organização criminosa. Segundo a Procuradoria-Geral da República, ele teria recebido ao menos R$ 587 milhões de propina.

O currículo menos polêmico de Meirelles tem sido apontado como ponto positivo pelos defensores de sua candidatura. Apesar de também ter sido citado na delação da JBS, o caso ganhou menos relevância. O ex-ministro presidiu o conselho de administração da J&F, holding controladora do grupo JBS de 2014 até passar a integrar o governo Temer.

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Ministro Carlos Marun diz que denúncias contra Temer não deveriam ser motivo para ele não ser candidato do MDB.

Meirelles em campanha

Meirelles tem procurado correligionários para viabilizar sua candidatura, especialmente diante da desistência de Temer em ser o candidato do MDB, revelada pelo presidente a aliados.

Na última quarta-feira (16), o ex-ministro passou por uma espécie de sabatina em reunião com a bancada do Senado. A percepção geral foi de aprovação às ideias do presidenciável.

Líder do partido na Casa, Simone Tebet (MS), elogiou não apenas o pensamento econômico, mas propostas na área de segurança e de aumento da renda com a implementação de políticas sociais. "A vontade dele de ser candidato, aliado a esse outro lado, surpreendeu boa parte da bancada", afirmou a jornalistas após o encontro.

O presidenciável também tem conversado com lideranças regionais e irá procurar a bancada da Câmara.

Além de não ser alvo de denúncias e de defender o legado do governo, Meirelles conta com mais um ponto a seu favor: financiar a própria campanha. A trajetória em instituições financeiras permite que ele não tenha de usar os recurso do partido, que ficam, portanto, disponíveis para disputas regionais.

Em pré-campanha, Meirelles já contratou o marqueteiro Chico Mendez e um instituto de pesquisas. Ele também intensificou as viagens pelo País e tem procurado adotar uma linguagem mais próxima da população nas redes sociais. O presidenciável tem ainda criticado publicamente seus adversários, como Alckmin, Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL).

Parte da estratégia eleitoral, o MDB deve lançar, na próxima terça-feira (22), o documento "Encontro com o Futuro", com propostas para o País. O texto é nos moldes da "Ponte para o Futuro", quando o partido defendeu medidas como ajuste fiscal e reforma da Previdência.