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16/05/2018 14:59 -03 | Atualizado 25/05/2018 11:56 -03

Copa da Rússia: Na Seleção, voz do povo NÃO é a voz de Deus

Tite deixou de fora jogadores que contam com apoio popular.

Tite deixou jogadores que contam com apoio popular fora da lista da Copa. Vanderlei, Luan e Arthur não tiveram vez no grupo que vai à Rússia.
Lucas Figueiredo/CBF
Tite deixou jogadores que contam com apoio popular fora da lista da Copa. Vanderlei, Luan e Arthur não tiveram vez no grupo que vai à Rússia.

@sponsor-wc2018"A voz do povo é a voz de Deus." Quantas vezes o ditado popular foi usado para ilustrar os mais variados assuntos do cotidiano, do âmbito político ao esporte? Bom, quando se trata de Seleção Brasileira, no entanto, a voz do povo normalmente NÃO é a voz de Deus.

A divulgação dos 23 nomes convocados pelo técnico Tite para a Copa da Rússia reforçou uma tese que há tempos acompanha o time nacional às vésperas de um Mundial. A de que os jogadores queridinhos pelo torcedor raramente têm espaço no coração do comandante da Seleção.

Reprodução/YouTube
Convocação de Taison deixou Luan, um dos favoritos da torcida brasileira, fora da Seleção em 2018.

O goleiro corintiano Cássio, o meio-campista Fred e o atacante Taison, ambos do Shakhtar Donetsk-UCR carimbaram o passaporte para disputar a Copa da Rússia em 2018, mas, na visão de boa parte da torcida, deixaram de fora 3 jogadores que seriam mais merecedores de um lugar no avião rumo ao Leste Europeu.

Vanderlei, goleiro do Santos, Arthur, meia do Grêmio, e Luan, atacante que também joga no Tricolor Gaúcho, são os queridinhos da vez no coração da torcida. O Santos, aliás, fez uma postagem no Twitter 'cornetando' a ausência do goleiro do clube na lista de Tite, mas com bom humor.

Relembre, a seguir, outros jogadores que contavam com o apoio popular, mas que não convenceram os treinadores de que deveriam ir aos Mundiais naquelas ocasiões.

LEÔNIDAS DA SILVA (1950)

Leônidas da Silva, um dos principais atacantes do futebol brasileiro, foi ignorado pelo técnico Flávio Costa em 1950 por conta da idade – 36 anos – considerada avançada para os padrões da época.

CARLOS ALBERTO TORRES (1966)

Considerado o melhor lateral-direito do futebol brasileiro em 1966, Carlos Alberto Torres ficou de fora da lista dos 22 que disputaram a Copa da Inglaterra por uma decisão puramente política. Castor de Andrade, chefe da delegação e patrono do Bangu, era amigo do presidente da CBD (atual CBF) e exigiu que um jogador de seu clube estivesse no grupo.

Reprodução/Instagram
Carlos Alberto Torrres: ignorado em 66, deu a volta por cima e conquistou a taça 4 anos mais tarde.

Com isso, Fidélis acabou convocado no lugar de Torres. A 'vingança' viria 4 anos mais tarde, com o esquecido lateral levantando a taça do tricampeonato como capitão da Seleção Brasileira na Copa do México.

DIRCEU LOPES (1970)

A Seleção que encantou o mundo e é considerada até hoje como a melhor de todos os tempos também teve seus excluídos. O principal deles atende pelo nome de Dirceu Lopes. Presente nas listas de João Saldanha nas Eliminatórias, perdeu espaço com a troca do treinador por Zagallo. A justificativa: o time já tinha muitos bons jogadores para a posição dele.

ZICO (1974)

Reprodução/YouTube
Zico (primeiro à direita) treinou com a Seleção Brasileira em 1974, mas não foi à Copa do Mundo.

Jovem talento do meio-campo do Flamengo, Zico contava com o apoio popular para ir à Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, mas Zagallo, que conquistara o tri no México quatro anos antes (mesmo ignorando Dirceu Lopes), preferiu não levar a revelação do futebol brasileiro no grupo de convocados.

FALCÃO (1978)

Principal jogador do meio-campo do Internacional à época, Paulo Roberto Falcão foi preterido pelo técnico Cláudio Coutinho na Seleção que disputou a Copa de 1978, na Argentina.

Titular com Oswaldo Brandão no mesmo ano, faltou à apresentação de Coutinho como treinador por conta de uma amigdalite, tentou se explicar, mas acabou sendo preterido. Veja a lembrança do próprio Falcão sobre o assunto no vídeo abaixo:

LEÃO (1982)

Goleiro que já havia participado de outras 3 edições de Copa (1970, 74 e 78), Leão vivia ótima fase em 82, mas Telê Santana preferiu apostar em Waldir Peres, Carlos e Paulo Sérgio na lista definitiva para o Mundial da Espanha. Quatro anos mais tarde, com o mesmo Telê no comando, fez parte do grupo que disputou a Copa do México.

RENATO GAÚCHO (1986)

Quem ficou de fora da edição 86 foi Renato Gaúcho. Apesar de ser o melhor atacante em atividade no futebol brasileiro, Renato abusou das 'escapadinhas' da concentração e irritou Telê, que o cortou da lista final. Leandro, lateral-direito do Flamengo e melhor amigo do hoje treinador gremista, pediu dispensa da Seleção em solidariedade e também não foi à Copa.

NETO (1990)

Neto carrega até hoje, com orgulho, o status de ter levado o Corinthians à conquista do primeiro troféu de Campeonato Brasileiro de sua história, em 1990, praticamente sozinho, tamanho foi seu desempenho com a camisa 10 do Alvinegro.

'Voando' em campo, o jogador contava com apoio maciço da população para compor o grupo que disputou a Copa na Itália, mas acabou preterido pelo vascaíno Bismarck na relação final do contestado técnico Sebastião Lazaroni.

RIVALDO (1994)

A Seleção foi tetracampeã na Copa dos Estados Unidos, mas o técnico Carlos Alberto Parreira não escapou da tradicional pressão popular às vésperas de fechar o grupo que acabou conquistando o troféu. A torcida pedia – quase exigia – a presença de Rivaldo, do Palmeiras, na vaga que acabou ficando com o ex-são-paulino Raí, que não vivia boa fase com a camisa do Paris Saint-Germain e terminou a Copa no banco de reservas, substituído por Mazinho.

ROMÁRIO (1998 e 2002)

Romário foi um jogador tão completo e fenomenal que conseguiu a proeza de ser unanimidade popular em 3 Copas do Mundo – mas ficar de fora de duas delas. Dono do time tetracampeão em 1994, o Baixinho só não foi ao Mundial da França 4 anos depois por ter se desentendido com a comissão técnica, à época comandada por Zico e Zagallo. Em 2002, foi uma desavença com Felipão que impediu o hoje senador de integrar o grupo que conquistou o pentacampeonato na Coreia e no Japão.

ALEX (2006)

Carlos Alberto Parreira confiou – e se deu mal – no famoso 'quadrado mágico' de 2006, formado por Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Adriano e Ronaldo Fenômeno na Copa da Alemanha. Para não mexer com as estrelas do grupo, deixou de fora o meio-campista Alex, que era considerado um dos melhores jogadores da temporada no futebol europeu.

PAULO HENRIQUE GANSO E NEYMAR (2010)

A dupla de Meninos da Vila enchia os olhos da torcida brasileira em 2010, mas uma pessoa específica insistia em não percebê-los: Dunga.

Divulgação/Santos FC
Ganso e Neymar foram ignorados por Dunga na lista para Copa da África do Sul em 2010.

Os títulos conquistados com o Santos e o futebol alegre não tiveram vez com o treinador da Seleção Brasileira, que viu a equipe deixar a Copa precocemente após uma derrota para a Holanda.