MULHERES
12/05/2018 16:37 -03 | Atualizado 12/05/2018 17:05 -03

Estrelas do Festival de Cannes protestam por igualdade salarial

Número de participantes no ato (82) faz referência às indicações de diretoras em 71 anos da premiação.

82 mulheres protestaram durante 71º Festival de Cannes por igualdade salarial no cinema.
Eric Gaillard / Reuters
82 mulheres protestaram durante 71º Festival de Cannes por igualdade salarial no cinema.

Um inédito e marcante protesto foi o ponto alto da 71ª edição do Festival de Cannes neste sábado (12). Cate Blanchett, Agnès Varda e mais 80 mulheres que exercem as mais variadas funções no mundo do cinema se reuniram em um ato silencioso na famosa escadaria do tapete vermelho da premiação que ocorre na França.

O número de envolvidas no ato - 82 - não foi escolhido por acaso, e simboliza a quantidade de filmes dirigidos por mulheres selecionados para a competição em 71 anos de existência do Festival (representantes do sexo masculino tiveram 1645 indicações no mesmo período).

Cate Blanchett, uma das líderes do movimento, fez o discurso em inglês, enquanto Agnès Varda repetia as palavras na língua francesa.

Eric Gaillard / Reuters
Cate Blanchett, presidente do júri, exigiu que governos apliquem igualdade salarial no mundo do cinema.

"Esperamos que os nossos governos garantam que as leis de igualdade salarial e igualdade de trabalho sejam cumpridas. Nós exigimos que nosso ambiente de trabalho seja diverso e igual, para que reflita de maneira adequada o mundo em que vivemos. Um mundo que permite a todos nós, na frente e atrás das câmeras, prosperar igualmente. Desafiamos os poderes públicos a aplicarem as leis da igualdade salarial", pediu a atriz australiana, que preside o júri do Festival em 2018.

Jean-Paul Pelissier / Reuters
Mulheres se unem e mostram força em inédito e surpreendente protesto no Festival de Cannes.

O ato de parar na escadaria do tapete vermelho também teve uma simbologia maior do que simplesmente anunciar o histórico protesto, conforme comunicado da Fundação Time's Up, criada para ajudar as vítimas de assédio sexual após o caso Weinstein.

"Nem todas as etapas da ascensão social e profissional são acessíveis às mulheres".

As Filhas do Sol

A noite deste sábado será marcada também pela exibição de As Filhas do Sol (Girls Of The Sun), da francesa Eva Husson, primeira produção feminina na disputa pela cobiçada Palma de Ouro.

A produção conta a história de um batalhão de combatentes curdas comandado pela Sargento Bahar (Golshifteh Farahani).