POLÍTICA
12/05/2018 07:51 -03 | Atualizado 17/05/2018 11:33 -03

O futuro incerto de Michel Temer 2 anos após ser notificado para assumir a Presidência

Reformas naufragaram, e MDB ainda estuda quem será o candidato que vai defender o legado de Temer nas eleições.

Em 12 de maio de 2016, Michel Temer recebeu a notificação para assumir a Presidência da República, no lugar de Dilma Rousseff.
Ivan Alvarado / Reuters
Em 12 de maio de 2016, Michel Temer recebeu a notificação para assumir a Presidência da República, no lugar de Dilma Rousseff.

Dois anos depois de receber a notificação para assumir a Presidência do País, Michel Temer (MDB) não tem certeza sobre seu futuro político. Depois de chegar ao mais alto cargo do Executivo brasileiro, Temer não sabe se entrará na corrida presidencial nem se o MDB vai lançar candidato próprio.

O plano inicial de Michel Temer de sair do comando do País com o título de reformista naufragou. Embora tenha aprovado a política de teto de gastos e a reforma trabalhista, Temer não conseguiu avançar com a reforma da Previdência. A taxa de desemprego e as constantes denúncias de corrupção abalaram o governo e contribuíram para Temer ostentar a mais alta taxa de desaprovação de um presidente desde a promulgação da Constituição

Se o cenário se desenha como negativo, Temer insiste no oposto. Em entrevista exclusiva à IstoÉ em março, ele afirmou que seria covardia não ser candidato à Presidência. "Porque, afinal, se eu tivesse feito um governo destrutivo para o País, eu mesmo refletiria que não dá para continuar. Mas, pelo contrário, eu recuperei um país que estava quebrado. Literalmente quebrado. Eu me orgulho do que fiz. E eu preciso mostrar o que está sendo feito", disse.

O MDB, entretanto, não está certo de que Temer sairá candidato. Outra opção do partido, que também não tem consenso na legenda, é lançar o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Ao HuffPost Brasil, o deputado Darcísio Perondi (MDB-RS), aliado histórico do presidente, assegurou que o partido terá candidato ao governo. "Temer ou Meirelles, mais provável que seja Meirelles, mas Temer ainda não decidiu", afirmou.

Ueslei Marcelino / Reuters
Michel Temer e Henrique Meirelles: os presidenciáveis do MDB.

Um dos entraves para o partido apoiar uma candidatura à Presidência são os recursos escassos para financiar uma campanha presidencial, que tiraria dinheiro que poderia ajudar a eleger uma bancada maior no Congresso. Por esse ponto de vista, a candidatura de Meirelles sai na frente, pois ele tem dito que financiaria sua campanha.

O partido deverá ter uma decisão final apenas em julho. No meio de incertezas, Temer mantém a expectativa de que alguém assuma a responsabilidade de defender o legado do governo.

Existe a possibilidade de a sigla apoiar a candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). Ao HuffPost Brasil, um ministro do governo Temer afirmou que há uma avaliação de que conforme as eleições forem se aproximando as candidaturas de centro devem se reunir em torno de um único candidato.

Fragilidade do governo Temer

Ao assumir o governo como presidente interino, cargo que ocupou de maio até o fim de agosto de 2016, Temer conseguiu reunir mais de 400 deputados em sua base aliada. As políticas adotadas com pouco apelo popular, como a reforma trabalhista, e as denúncias contra o emedebista, além de escândalos envolvendo os novos ministros, entretanto, fizeram que a base ruísse em menos de 1 ano.

Em maio de 2017, já com dificuldade para votar a reforma da Previdência, o governo foi alvejado com a delação premiada da JBS. Chegou a ser anunciada uma possível renúncia do presidente, que não se concretizou. Aconselhado pelo atual ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, Temer decidiu enfrentar as acusações.

O presidente, que nega envolvimento nos casos, foi denunciado pela Procuradoria Geral da República duas vezes, uma por corrupção passiva, em julho, e outra por obstrução de Justiça e organização criminosa. No dois casos, ele conseguiu barrar na Câmara dos Deputados o avanço da investigação. Os casos voltam a tramitar assim que ele deixar a Presidência da República.

Para Perondi, as denúncias assinadas pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot foram um atentado contra a administração de Temer. "Não fizemos a reforma da Previdência porque a 'privilegiaiada' brasileira se organizou junto com o senhor Janot, que inventou denuncias e trancou a reforma, que o próximo governo terá que fazer obrigatoriamente", diz.

Em defesa do correligionário, Perondi destaca que a Presidência comandada pelo MDB, mesmo sem a reforma da Previdência, fica na história como um governo reformista.

Temer fez quatro anos em dois.

O deputado afirma que o País estava imerso em uma crise econômica, "a pior dos últimos 100 anos, a inflação alta, o desemprego altíssimo". "A perspectiva agora é de crescimento, a dívida interna está perdendo força, a taxa Selic está em queda, a inflação é a mais baixa de todos os tempos pós-real, o investimento voltou", enumera.