COMPORTAMENTO
10/05/2018 15:44 -03 | Atualizado 13/05/2018 18:36 -03

O festival que traz cientistas brasileiros para uma conversa na mesa de bar

"As pessoas precisam se apropriar do conhecimento científico."

Divulgação/Denise Casatti
O festival Pint of Science acontece entre 14 e 16 de maio.

Eles resolveram trocar os tubos de ensaio por copos de cerveja e, entre um gole e outro, decidiram aproximar o conhecimento científico da população.

O festival Pint of Science, que acontece entre 14 e 16 de maio, convida cientistas de todas as regiões do Brasil para um encontro com os moradores de mais de 56 cidades.

Em um bar ou restaurante, o público compartilha a mesa - e os petiscos - com um grupo de pesquisadores e interessados em discutir temas que vão desde a febre amarela até a inteligência artificial.

"As pessoas precisam se apropriar do conhecimento científico. Elas precisam ocupar esse espaço. Além disso, o festival se coloca como um canal de credibilidade para o cientista falar com a população", explica Natalia Taschner, organizadora do festival no País.

Criado em 2012 por 2 cientistas britânicos, o projeto ganhou uma edição brasileira em 2015 sob o comando de Denise Casatti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP), e desde então tem se expandido pelo País.

ipopba via Getty Images

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Natalia Taschner, uma das organizadoras do festival, compartilha detalhes do evento:

Qual a importância de trazer a ciência para a mesa de bar?

Natalia Taschner: Explicar para a população que a ciência está no nosso dia a dia e influencia todas as decisões que tomamos, tanto as pessoais quanto as políticas. As pessoas precisam se apropriar do conhecimento científico. Elas precisam ocupar esse espaço. Além disso, o festival se coloca como um canal de credibilidade para o cientista falar com a população.

O Pint of Science é uma forma de democratizar o acesso à ciência no Brasil?

O Pint of Science não pode se atrever a pensar em desigualdade social. Seria muita arrogância achar que o festival funciona para isso. Para democratizar o acesso à ciência, a gente precisa de políticas públicas de educação. Primeiro, as pessoas têm que entender a ciência. Por outro lado, o que o festival faz é conscientizar uma parcela da população de que essas políticas são necessárias. Essas pessoas já tiveram acesso à educação, mas não percebem o quanto a ciência é preterida em relação a outras áreas de investimento nas políticas públicas.

Existe algum tema específico que permeia o debate nas mesas?

O Pint tenta cobrir todas as áreas de conhecimento científico, por isso os temas são bem diversificados. A única exigência é que sejam áreas científicas. Mas sempre tem os temas da moda. Nessa edição, muitas mesas vão discutir sobre a febre amarela, que é uma preocupação latente. A inteligência artificial também, que está muito na mídia. E a discussão das fake news também é um tema recorrente.

O que vocês aprenderam com o festival desde a 1ª edição, em 2015?

Acho que o 1º aprendizado é perceber que é difícil organizar um festival como esse, que vai estar presente em 56 cidades, mas que não é impossível. Depois, entendemos que o brasileiro tem muito interesse por ciência, e a gente acreditava na máxima de que o Brasil só gosta de futebol e samba. Não é verdade. O brasileiro gosta de ciência, desses temas, e vai para o bar em uma segunda-feira à noite para discutir isso. Foi uma surpresa agradável e mostra que os estreótipos do Brasil estão bem errados.

Pint of Science Brasil

14, 15, 16 de maio
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