NOTÍCIAS
09/05/2018 14:59 -03 | Atualizado 09/05/2018 15:05 -03

Testemunha diz que vereador e miliciano planejaram a morte de Marielle

"Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi supostamente dito por uma pessoa que a gente nem sabe a credibilidade que tem", diz vereador.

Assassinato de Marielle completa dois meses no próximo dia 14.
Ricardo Moraes / Reuters
Assassinato de Marielle completa dois meses no próximo dia 14.

A 6 dias de completar dois meses do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista dela Anderson Gomes, uma reviravolta no caso pode levar ao autor e a motivação do crime.

Reportagem exclusiva do jornal O Globo mostra que uma testemunha procurou a polícia para contar o que sabe em troca de proteção. O homem que diz estar jurado de morte afirma que o vereador Marcello Siciliano (PHS) e Orlando Oliveira de Araújo, ex-PM preso por uma acusação de liderar uma milícia, planejaram juntos o assassinato de Marielle.

De acordo com o relato da testemunha que O Globo teve acesso, o vereador e miliciano começaram a arquitetar a morte da vereadora em junho do ano passado. A vereadora, que foi assessora do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) na CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio, estaria atrapalhando as atividades da milícia.

"A desavença entre o vereador e Marielle foi motivada pela expansão das ações comunitárias da parlamentar do PSOL na Zona Oeste e sua crescente influência em áreas de interesse da milícia, mas que ainda seriam controladas pelo tráfico", diz trecho da reportagem.

Outras duas pessoas, Carlos Alexandre Pereira Maria, o Alexandre Cabeça, e Anderson Claudio da Silva, também teriam sido assassinadas pela milícia, segundo a reportagem.

A testemunha

O delator contou que foi obrigado a entrar para a milícia e passou a ter problemas quando decidiu sair. Ele diz que instalava equipamentos de TV a cabo clandestinos na região e teve que deixar a atividade quando Orlando assumiu o controle dia comunidade da Boiúna, em Jacarepaguá.

"Em 2015, Orlando de Curicica matou um dos meus sócios e me procurou. Deixou claro que eu poderia morrer também. Entreguei tudo para ele e entrei para a quadrilha. Até acontecer um problema: pedi para sair, mas ele não deixou. Passei, então, a ser uma espécie de segurança. A tarefa principal era dirigir para o filho e a mulher dele", disse a testemunha, segundo O Globo.

O acusado

Nesta quarta-feira (9), Siciliano negou envolvimento com o caso. O vereador afirmou que está sendo usado como bode expiatório e garante que nunca se reuniu com o ex-PM.

"Gostaria de esclarecer, antes de mais nada, a minha surpresa com relação ao que aconteceu ontem, a minha indignação como ser humano. Minha relação era muito boa (com Marielle Franco), tinha um carinho muito grande. Agora mais do que nunca faço questão de que esse crime seja esclarecido mais rápido que nunca. Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi supostamente dito por uma pessoa que a gente nem sabe a credibilidade que tem. Marielle participou da festa do meu aniversário. A região da Cidade de Deus nunca foi meu reduto. Em Curicica, também não tive votos. Coisas totalmente sem pé nem cabeça. Já prestei meu depoimento. Vim me colocar à disposição. Mais do que nunca, quero que esse caso seja resolvido e tenha oportunidade de acabar isso aí porque foi horrível. Estou muito chateado."

O vereador foi um dos que fizeram homenagem à vereadora logo após a notícia de sua morte. "Apesar de opiniões e partidos diferentes, éramos, acima de tudo, amigos", disse.