COMPORTAMENTO
09/05/2018 16:57 -03 | Atualizado 09/05/2018 17:05 -03

O turismo de férias está matando o planeta Terra. Entenda por quê

Atualmente, a pegada de carbono do turismo global é cerca de 4 vezes maior do que o nível estimado anteriormente.

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O turismo representa cerca de 1/10 das emissões mundiais de gases de efeito de estufa.

Sair de férias pode ser divertido, ainda mais quando se tem a oportunidade de viajar e conhecer um lugar novo. Porém, o turismo global tem alguns efeitos nada agradáveis, principalmente para a saúde do planeta Terra.

Em 2008, a Organização Mundial do Comércio (OMC) disse que o turismo é responsável por cerca de 3% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2). Porém, essa era apenas uma estimativa. De acordo com uma pesquisa recente, publicada na revista acadêmica Nature Clime Change, a pegada de carbono do turismo global é cerca de 4 vezes maior do que o nível estimado anteriormente e representa cerca de 1/10 das emissões mundiais de gases de efeito de estufa.

Normalmente, as pesquisas apenas registravam as emissões de dióxido de carbono originadas nas viagens de avião. Porém, o turismo também envolve situações relacionadas ao consumo de produtos, produção de alimentos e até mesmo as infraestruturas de acomodação em hoteis e aeroportos. No fundo, os pesquisadores sabiam que o turimos global era responsável por mais emissão de carbono do que o que estava sendo analisado. A questão é: o quanto maior é esse impacto?

O estudo recente de Arunima Malik, da Universidade de Sydney, e outros pesquisadores pode ter uma resposta.

Usando dados coletados de mais de 160 países, os pesquisadores estimam que o turismo global em 2013 foi responsável por emissões de gases de efeito estufa direta e indiretamente equivalentes a 4,5 bilhões de toneladas métricas de CO2, ou seja, cerca de 8% das emissões globais naquele ano. As viagens aéreas representaram apenas cerca de 12% desse total.

Para realizar o estudo, os pesquisadores usaram como definição de turismo alguém "fazendo uma viagem para um lugar fora de seu ambiente habitual por menos de 1 ano e para um propósito diferente de ser empregado por uma entidade residente no outro lugar". Ou seja, as bases de dados excluem as emissões de populações migrantes, por exemplo, mas inclui viagens de negócios.

Outro detalhe que a pesquisa chama atenção é que os efeitos dessas emissões são distribuídos de maneira desigual pelo mundo. Já que o turismo é uma atividade cara, as pessoas mais ricas de um país são responsáveis pela maior parte de suas emissões.

O fato é: as pessoas não vão parar de viajar.

Pensando nisso, a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas sugere que os turistas escolham destinos mais próximos de suas casas e adaptem os passeios para utilizar cada vez mais transportes públicos, por exemplo.

Para os pesquisadores, no entanto, essas sugestões não são tão efetivas. Malik sugere que a única maneira de controlar parte dessas emissões de carbono é pensar em uma estratégia de taxação sobre a pegada de carbono para que a sociedade entenda os custos de suas "férias".

Se as tendências recentes das emissões de gases de efeito estufa continuarem, a pegada de carbono do turismo global aumentará mais de 40% (para cerca de 6,5 bilhões de toneladas métricas de CO2) até 2025, expeculam os cientistas.