04/05/2018 00:00 -03 | Atualizado 04/05/2018 00:00 -03

Simone Torres, a executiva que trabalhou fora do País e respira 'adaptação'

Para Torres, a liderança feminina agrega como nenhuma outra ao mercado de trabalho: “As mulheres trazem uma forma de pensar, de olhar e desafiar diferente”.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Simone Torres é a 58ª entrevistada do projeto "Todo Dia Delas", que celebra 365 Mulheres no HuffPost Brasil.

Foram 10 anos de mudanças. E não estamos falando só de endereço. Mas sim, teve muito disso. Quatro países, novas realidades e diferentes culturas. E muitos voos. Muitos mesmo. Todo mês no avião – a trabalho ou para ver a família no Brasil, porque ninguém é de ferro. Acostumou-se. Pegou gosto até. Simone Torres, 51 anos, hoje CEO da Puratos Brasil desde março de 2017, é dessas pessoas que não vê tempo ruim. Mais do que aceitar desafios, é justamente isso que ela busca em sua carreira, clichês à parte.

Aos 38 anos assumiu pela primeira vez a gerência geral de uma empresa farmacêutica, na Venezuela. De lá para cá, passou também pela Philadelphia, Porto Rico e México, sempre em cargos de liderança e tendo que lidar com os tais desafios. "Em cada país você tem que reaprender a viver, conhecer a cultura, ver o momento que o país está vivendo, entender as pessoas."

É uma liderança diferente. As mulheres trazem uma forma de pensar, de olhar e desafiar diferente e isso agrega.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Já aos 38 anos, Simone assumiu pela primeira vez a gerência geral de uma empresa farmacêutica na Venezuela.

E era tudo muito diferente mesmo. Na época em que foi para a Venezuela o país ainda não vivia a crise de hoje, mas Simone conta que por vezes as pessoas largavam os postos de trabalho para comprar açúcar, por exemplo, porque tinha chegado ao mercado. Em Porto Rico, o gerenciamento de crise da empresa levava em consideração planos para lidar com furacões e a segurança dos funcionários nesses casos também era sua responsabilidade. "Tudo é parte do seu trabalho que é fazer negócio e lidar com as realidades de cada país."

Da parte dos negócios ela entendia bem. Aqui no Brasil se formou em administração e depois fez MBA em marketing. Assumiu cargos de liderança nessa área até chegar à gerência geral antes dos 40 anos. Aí foi momento de mostrar por que estava ali. Além de uma estrangeira como chefe, era mulher, o que sabe que é raro nesse tipo de posto. Mas nunca deixou que isso fosse algo negativo, pelo contrário. "É uma liderança diferente. As mulheres trazem uma forma de pensar, de olhar e desafiar diferente e isso agrega".

Aos poucos vencia esse obstáculo. "As pessoas podem ter resistência, mas se você chega com respeito, mostra competência, sabe comunicar suas ideias e ouvir, a barreira logo cai. Não adianta você chegar ao país e achar que você entende tudo. Tem que ouvir as pessoas, conversar, falar o que está fazendo."

Foi sempre nisso que ela apostou. "Não tem varinha mágica. É conhecimento, humildade, saber que não fazemos nada sozinhas e vai quebrando as barreiras." Até brinca que exagera e se comunica demais, mas acredita que essa é uma das formas de ganhar confiança e respeito no local em que está. Fora isso, parte do seu segredo é saber se adapta a cada cenário. "Aprendi que meu perfil em cada país não vai ser o mesmo. É muito do que precisa naquele momento... de repente ser mais dura em algum caso, mas vai ajustando com a sua personalidade o que funciona melhor."

Aprendi que meu perfil em cada país não vai ser o mesmo. É muito do que precisa naquele momento... de repente ser mais dura em algum caso, mas vai ajustando com a sua personalidade o que funciona melhor.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
"Não tem varinha mágica. É conhecimento, humildade, saber que não fazemos nada sozinhas e vai quebrando as barreiras", afirma.

E em sua carreira muita coisa funcionou e sabe que agregou durante sua trajetória. Simone conta com carinho sobre as equipes que liderou, as trocas que realizou e as vidas que ajudou a mudar por onde passou. Para ela, além do resultado da empresa, o crescimento dos funcionários também é bastante importante - e ela sabe que faz diferença no primeiro quesito. "Ver que você deixou uma marca, ajudou a pessoa a se desenvolver é muito gratificante."

É difícil ficar tanto tempo longe da família, é verdade. Nesses anos, vinha com frequência ao Brasil, mas admite que não era a mesma coisa. Com o marido só foi morar junto mesmo quando assumiu a gerência no México. Até então, os dois, que se conheceram no avião, sempre moraram em países diferentes. Mas isso tudo era só um detalhe. Porque, como já disse, são justamente os desafios que instigam Simone. E uma mudança de endereço também, claro. Hoje está de volta ao Brasil e muito feliz com o novo projeto. Mas sabe que tem uma marca. "Gosto de outras culturas, consigo trabalhar, não passei por países fáceis, me adapto muito fácil."

Gosto de outras culturas, consigo trabalhar, não passei por países fáceis, me adapto muito fácil.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Com uma bagagem (não só profissional) Simone pode ser a grande representante da junção entre mudança e adaptação.

Essa é mesmo uma grande habilidade. Adaptação. Podemos até dizer, desculpem o jargão, que é uma camaleoa. Mas não seria muito correto. Ela tem mesmo a capacidade de se adaptar com facilidade. Mas não chega aos lugares para ficar camuflada.

Ela está mesmo na linha de frente.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

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Todo Dia Delas: Uma parceria C&A, Oath Brasil, HuffPost Brasil, Elemidia e CUBOCC