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01/05/2018 18:55 -03 | Atualizado 01/05/2018 19:11 -03

A história do homem que morreu tentando salvar mulheres e crianças do incêndio em prédio de São Paulo

Ricardo já estava fora do edifício quando decidiu voltar e ajudar famílias que estavam nos andares mais altos.

Reprodução/TV Globo

Ao menos um homem morreu nesta terça-feira (1) após o prédio pegar fogo e desmoronar no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo. Identificado como Ricardo, de 30 anos, ele já tinha deixado o edifício quando decidiu voltar para ajudar famílias que estavam nos andares mais altos.

Ricardo morava sozinho em um dos apartamentos do prédio há cerca de 4 anos e trabalhava no centro da cidade. De acordo com os vizinhos ouvidos pelo G1, Ricardo chegou a deixar o prédio, mas voltou para ajudar outros moradores.

"Muitas mulheres moravam sozinhas e tinham crianças. Ele voltou para ajudar no resgate dessas famílias", disse Gerivaldo Araújo, ao portal.

Por volta das 2h50 da manhã, Ricardo estava no edifício e tinha colocado o equipamento de segurança para ser içado pelos bombeiros.

"Ele dizia: 'me tira daqui, por favor' e eu respondi: 'calma, confia em mim'", relata o Sargento Diego, bombeiro que tentou resgatar o morador. "Eu pedia a todo o momento para ele ficar calmo, e sinalizava com a lanterna e gesticulava o que ele tinha que fazer. Ele estava totalmente preso já".

Apesar dos esforços, não deu tempo de salvar o morador.

"Quando a gente estava terminando essa fase [colocar equipamento em Ricardo], o prédio acabou vindo abaixo, infelizmente acabou caindo seis ou sete andares sobre ele, tencionou a corda e ela não aguentou o peso e estourou. Eu não daria nem 30 ou 40 segundos para a gente finalizar o processo", disse o bombeiro.

O homem ainda é considerado desaparecido pelos bombeiros, mas a corporação diz que as chances de Ricardo ter sobrevivido são mínimas. A corda e o cinto usados para o resgate foram encontrados nos escombros. Cães farejadores são usados para encontrar Ricardo e possíveis outras vítimas.

"A gente fica chateado, com certeza. (...) Era uma vítima, uma pessoa que precisava de ajuda, que gritava por socorro. Mas a gente tem que entender que a equipe deu o melhor", lamentou o Sargento.