POLÍTICA
30/04/2018 14:31 -03 | Atualizado 30/04/2018 14:33 -03

Os minutos que antecederam o ataque ao acampamento pró-Lula

Uma das vítimas relatou que o clima estava estranho.

Rodolfo Buhrer / Reuters
Acampamento pró-Lula próximo à sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro desde o último dia 7.

Pouco antes do ataque com tiros que atingiu o acampamento pró-Lula em Curitiba na madrugada de sábado (28), uma das vítimas relatou clima estranho. Outra vítima disse que teve uma discussão e ameaças de morte.

"Acordei à uma e meia da manhã, com uma freada brusca de carro. Ouvi gritos de 'Bolsonaro presidente', e xingamentos aos vigilantes que estavam ali, nos guardando", disse, em depoimento, a advogada Márcia Koakoski, 42 anos.

De acordo com ela, houve uma ameaça a um dos integrantes do acampamento: "Vou voltar aqui e te matar". "Sentimos o tempo todo, todas as noites, que existia essa tensão, mas as pessoas acabaram relaxando porque toda noite passava alguém gritando palavras de ordem fascistas, sobre Bolsonaro. Acontecia, mas não passava disso."

O que, segundo ela, parecia ser só mais uma ameaça corriqueira tomou corpo. Ao sair para ir ao banheiro, enquanto ouvia gritos de "tem baleado, baleado", Márcia foi atingida no ombro. Presidente do sindicato dos motoboys de Santo André, Jefferson Menezes, foi atingido no pescoço. Ele está internado na UTI do Hospital do Trabalhador na capital e há chances de ir ainda nesta segunda-feira (30) para a enfermaria.

Amigo de Jefferson, o diretor da Federação de Transportes do Estado de São Paulo, Felix de Barros, contou ao site da Veja que antes do ataque o amigo pressentiu o ambiente estranho.

"Ele estava deitado e levantou e viu algumas pessoas conversando na rua tomando chá e café e disse: 'Gente, não dá pra vocês entrarem? Eu estou achando o clima meio estranho'" (...) E aí o Jefferson viu um cara passando e fumando um cigarro. Foi esse cara que fez os disparos", disse Barros à Veja.

Em nota a Vigília Lula Livre repudiou a violência e afirma que continuará com a programação do acampamento.

"A sorte de não ter havido vítimas fatais não diminui o fato da tentativa de homicídio, motivada pelo ódio e provocação de quem não aceita que a vigília é pacífica, alcança três semanas e vai receber um Primeiro de Maio com presença massiva em Curitiba. Não nos intimidarão!"

Democracia em risco

Lideranças do PT consideram o crime um atentado à democracia.

Para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente da sigla, o ataque é resultado de perseguição ao ex-presidente Lula, preso desde o último dia 7 na Polícia Federal, em Curitiba.

"Quem incita o ódio contra a esquerda, contra os movimentos sociais, contra Lula e contra o PT, é responsável por esses tiros", diz a senadora.

Este não é o primeiro ataque à apoiadores do ex-presidente. Caravana de Lula pelo Sul do País sofreu uma onda de violência que culminou em 2 ônibus atingidos por tiros no fim de março.