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01/05/2018 11:03 -03 | Atualizado 01/05/2018 11:16 -03

Brilhantes que valem ouro: Figurinhas da Copa 2018 chegam a custar R$ 7 no mercado 'paralelo'

Shopping de São Paulo criou regras especiais para evitar abusos nas trocas.

MARCO BERTORELLO via Getty Images
Figurinhas do atacante de Portugal, Cristiano Ronaldo, do craque da Argentina, Messi, e o famoso cromo brilhante.

Shoppings, praças, parques, cafés, bares e até escolas de inglês. A corrida para completar o álbum oficial da Copa 2018 transformou dezenas de lugares tradicionais da capital paulista – e de várias outras cidades brasileiras – em pontos de encontro oficiais para colecionadores trocarem cromos repetidos e, com isso, economizarem na árdua missão de achar as 682 figurinhas que compõem a publicação.

Um dos shoppings da capital paulista que contam com um desses pontos de troca de figurinhas é o Central Plaza, localizado na avenida Dr. Francisco Mesquita, na zona leste da capital paulista.

Paulo Amaral
Balcão de Troca localizado no Central Plaza Shopping criou regras para evitar mercado paralelo.

A reportagem do HuffPost Brasil foi conferir de perto as instalações do local e conversou com clientes e com funcionários que trabalham no Balcão de Troca.

No bate-papo, descobriu qual o principal drama enfrentado pelos milhares de colecionadores que buscam completar o álbum antes mesmo de a competição ter seu pontapé inicial em 14 de junho: as figurinhas brilhantes.

Brilhantes valem 'ouro'

Apesar de a Panini ter assegurado que todos os cromos são produzidos em quantidades iguais, a realidade para os colecionadores é bem diferente. Em 2018 não há jogador específico que esteja sendo tratado como raro, mas uma espécie de cromo: o brilhante.

Das 682 figurinhas que formam o álbum, 50 são brilhantes – emblemas das seleções, troféu da Copa do Mundo, logotipo e mascote – e são justamente essas que têm causado maiores dores de cabeça aos colecionadores.

"Faltam 22 figurinhas para mim. A maior parte delas é brilhante", comentou Luiz Carlos Novezzi, de 62 anos, que corre para completar sua terceira edição de álbum de Copa – já fechou os de 2010 e de 2014.

André Ricardo Tucan, bancário aposentado de 53 anos, foi ao Central Plaza com uma dupla missão, mas um único drama. "Cheguei aqui hoje precisando de 88 figurinhas, sendo que 19 delas são brilhantes. Também estou procurando para meu filho e minha nora. Eles precisam de 50 para fechar o álbum, metade delas brilhante".

Ao contrário de Novezzi, que já é experiente no assunto, Tucan afirmou estar experimentando a distração pela primeira vez. E perdeu as contas de quanto já gastou em busca dos cromos que faltam.

"Antes eu trabalhava e não tinha tempo para isso. Agora que estou aposentado, até troco favores à família por pacotinhos de figurinhas. As trocas, no entanto, são uma ótima forma de economizar, pois chega uma hora em que você compra, compra e só saem repetidas. Na última vez que comprei, de 20 figurinhas só uma eu não tinha", revelou.

Bem-humorado, o colecionador novato ainda brincou ao falar sobre qual cromo falta para completar a página da Seleção Brasileira: "O Fernandinho. Mas esse daí só faz falta no álbum mesmo".

Regras contra o mercado 'paralelo'

Segundo Guilherme Henrique A. de Oliveira, 26 anos, funcionário do Balcão de Trocas, o Central Plaza foi obrigado a criar regras especiais para a troca de figurinhas por conta de um cliente que viu uma oportunidade de ganhar dinheiro em cima dos demais colecionadores.

Paulo Amaral
Funcionários do Balcão de Troca do Central Plaza Shopping também colecionam as figurinhas.

"Um rapaz trocou várias figurinhas conosco e pegou só as brilhantes. Aí começou a vender lá fora e nos causou um problema", disse Oliveira, chateado não pelo fato de o cliente ter tentado ganhar um dinheirinho extra, mas por ter estragado o princípio básico do projeto criado pelo Central Plaza.

"O foco era fazer as pessoas voltarem a se falar. Foi para isso que esse espaço foi montado", comentou, apontando para os pufes quadrados que ocupam um salão logo ao lado do check-in de entrada do espaço para troca dos cromos.

"É esse tipo de interação que dá vida ao jogo. Tira das páginas do álbum e leva para a vida real", complementou Weikyman Campos, de 25 anos, que também trabalha no Balcão de Trocas.

Os clientes que estavam acompanhando o bate-papo confirmaram as informações dos funcionários do local. "Tem pessoas cobrando entre 5 e 7 reais por cada figurinha brilhante aí fora. E muita gente paga", lamentou Luiz Carlos Novezze.

Um pacote com 5 cromos custa atualmente R$ 2.

Serviço

Quem quiser ir ao Shopping Central Plaza para tentar completar o álbum sem gastar dinheiro, é muito simples. O local fica aberto de segunda a sábado, das 12h às 21h e, aos domingos, das 14h às 20h.

"Basta vir ao balcão, anotar as figurinhas que precisa em um papel ou no aplicativo (Coleciona, disponível na Apple Store e no Google Play) e trocar com a gente", comentou Guilherme, com um único alerta.

"Agora, com o problema das brilhantes, temos regras: ou trocamos brilhante por brilhante ou damos 15 figurinhas nossas por uma brilhante do cliente. O inverso, no entanto, nós não podemos fazer", concluiu.

Para ver a lista completa dos pontos de troca em São Paulo e os horários em que os encontros estão acontecendo, basta clicar nesse link. Nele também é possível ver as listas de outras cidades do Brasil.