POLÍTICA
25/04/2018 07:43 -03 | Atualizado 25/04/2018 07:43 -03

Partidos de centro-direita podem desistir de candidaturas e apoiar Alckmin

Nos bastidores, caciques apostam que MDB não lançará candidatura e DEM irá desistir de Rodrigo Maia.

Paulo Whitaker / Reuters
Apesar de ter entre 6% e 8% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin se destaca quando comparado aos concorrentes.

Mais de 1 mês após o DEM lançar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como pré-candidato à Presidência da República e de o presidente Michel Temer admitir que pode entrar na disputa pelo Palácio do Planalto, a expectativa para os próximos meses é que os partidos de centro-direita se unam ao redor da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB).

Nos bastidores, caciques de siglas que integram a base do governo Temer apostam que PSD, PP, PR, MDB e DEM devem apoiar o tucano ainda no 1º turno. Apesar de ter entre 6% e 8% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, o ex-governador de São Paulo se destaca quando comparado aos concorrentes diretos.

Possíveis candidatos do MDB, Temer e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles alcançam, no máximo, 2% das intenções de voto. Já Rodrigo Maia oscila entre 1% e 2%.

Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas.

Sem candidato próprio após descartar a candidatura de Meirelles, a tendência do PSD é de apoio a Alckmin. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, ministro de Ciência e Tecnologia, acertou a indicação para vice de João Doria (PSDB) na corrida pelo governo de São Paulo.

Também não lançaram presidenciáveis PP e PR, mas demonstraram apoio a Maia no lançamento da pré-candidatura. "Nós, do Partido Progressista, temos muita esperança em você, de você empenhar nossas bandeiras. Sei que você vai percorrer esse país e os progressistas estarão ao seu lado", disse o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), ao lado do líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), na convenção do DEM, em março. Uma eventual desistência do democrata poderia atrair o apoio dos 2 partidos do centrão para o PSDB.

Adriano Machado / Reuters
Candidatura de Rodrigo Maia tem dificuldade de decolar e DEM pode apoiar Geraldo Alckmin na disputa presidencial.

Candidatura de Maia não decola

Logo após se lançar como pré-candidato, Maia iniciou viagens pelo País a fim de aumentar sua popularidade, mas a candidatura ainda não decolou. O ritmo do roteiro foi reduzido nas últimas semanas, quando o democrata concentrou as visitas no Rio de Janeiro, seu reduto eleitoral. No início do ano, ele mesmo afirmou que só seria candidato se alcançasse 7% nas pesquisas até maio.

Outro fator que poderia favorecer o presidente da Câmara, a aprovação de propostas na área de segurança na Câmara também não saiu do papel, apesar de a discussão ter sido iniciada após a intervenção federal de militares no Rio, em fevereiro. O conteúdo final do projeto que endurece penas para o tráfico de drogas e de armas apoiado pelo democrata ainda não foi divulgado.

Apesar das dificuldades e de conversas com tucanos, o DEM nega que irá sair da corrida presidencial. "A candidatura está mantida", afirmou ao HuffPost Brasil o senador Agripino Maia (DEM-RN), ex-presidente da sigla. O partido, contudo, defende uma unificação nas candidaturas da centro-direita.

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Candidatura de Michel Temer é vista com descrença por partidos da base aliada.

MDB pode desistir de Temer e apoiar Alckmin

Dirigentes de partidos também não acreditam que Temer irá lançar de fato uma candidatura. Apenas 5% dos brasileiros considera o governo bom ou ótimo, de acordo com última pesquisa Ibope.

Aliado do emedebista, o ministro Carlos Marun, responsável pela articulação política, não descartou a possibilidade de o MDB apoiar Alckmin, desde que ele defenda a pauta do governo. "Precisa ter posição. Quando vier a ter, pode ser incluído entre os que podem receber nosso apoio nas próximas eleições", afirmou em entrevista ao à Rádio Eldorado nesta segunda-feira (23).

O tucano, por sua vez, tem buscado dirigentes de partidos da centro-direita e defendido publicamente uma candidatura única. "É natural que se reduza o número de candidaturas, que se busque entendimento em torno de um projeto para o Brasil" afirmou Alckmin após reunião com dirigentes da FecomercioSP na segunda-feira (23).

Para o ex-governador, a fragmentação de candidatos confunde a população. "Acho que até maio ou junho, a gente precisa fazer esforço mais ao centro para afunilar", completou. Ele não citou, contudo, quais partidos estariam incluídos nesse movimento.

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