POLÍTICA
24/04/2018 08:41 -03 | Atualizado 24/04/2018 08:41 -03

Afif quer ser candidato à Presidência da República, mas PSD não apoia

Filiado ao PSD, o empresário defende os valores da família, casamento só entre "macho e fêmea” e reduzir de 16 para 14 anos a idade para trabalhar.

Wilson Dias/Agência Brasil
“Resguardar os valores da família brasileira, sem deixar de acompanhar as mudanças e evoluções sociais, é essencial”, defende o empresário.

Apesar da intenção do presidente do Sebrae, Guilherme Afif, o PSD não deve lançá-lo como candidato da sigla à Presidência da República. A tendência da sigla, que também descartou o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como presidenciável, é de apoiar a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB).

Um dos nomes que ajudou a fundar o PSD ao lado de Gilberto Kassab, presidente da sigla e ministro de Ciência e Tecnologia, o empresário quer repetir 1989 e concorrer na corrida pelo Palácio do Planalto, mas o desejo não tem ressonância na cúpula do partido.

Em artigo publicado no Poder 360, o presidente do Sebrae mostra esperanças de que o cenário mude até julho. "Tenho trabalhado para que o partido confirme meu nome em sua convecção e me permita contribuir para que as futuras gerações tenham uma chance de ter um novo país", escreveu.

As siglas têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral.

No texto, Afif defende que ouvir as urnas é uma das características essenciais a um candidato à Presidência da República. Para aproximar o povo dos representantes, o empresário defende a adoção do voto distrital, em que o deputado federal é eleito de forma majoritária. Hoje, o modelo é proporcional.

Valter Campanato/Agência Brasil
Após descartar Henrique Meirelles, PSD também não encoraja intenção de Guilherem Afif em ser candidato à Presidência da República.

Defesa da família

De família católica, o presidente do Sebrae afirma que tanto brasileiros mais jovens quanto mais velhos têm como um dos valores a "defesa da família", escreveu no artigo ao Poder 360.

Apesar das mudanças sociais recentes, o apego à família é um sentimento em comum a todos os segmentos de público. É onde estão depositadas as expectativas e para onde se direcionam os desejos de realização.

Afif defende "resguardar os valores da família brasileira, sem deixar de acompanhar as mudanças e evoluções sociais".

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o presidente do Sebrae disse ser contra o casamento homoafetivo. "O mundo gay hoje consegue se manifestar com total liberdade e eu sou totalmente favorável. Mas quando se fala em casamento, o termo está errado. É um contrato, porque casamento é macho e fêmea, não tem jeito", declarou.

Desde que uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entrou em vigor em 2013, os cartórios são obrigados a realizar casamento entre casais do mesmo sexo. Foram registradas 15 mil uniões em 4 anos.

Afif também defendeu a redução de 16 para 14 anos da idade para trabalhar. "Hoje jogamos essa leva de adolescentes na mão do crime", afirmou.

Ueslei Marcelino / Reuters
De olho na Presidência da República, Guilherme Afif foi de vice de Geraldo Alckmin a ministro de Dilma Rousseff.

Afif candidato em 1989

Aos 74 anos, o descendente de libaneses e italianos tem uma trajetória longa na política, incluindo passagem por 4 partidos: PDS, Partido Liberal, PFL (hoje DEM) e PSD. Em 1980, Afif tomou posse como secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo na gestão do então governador Paulo Maluf.

Em 1981, filiou-se ao PDS, sigla que deixou em 1985, quando passou a se dedicar à fundação do Partido Liberal. Foi pela legenda que disputou a Presidência da República em 1989, quando conquistou 3,2 milhões de votos.

Na década de 1990, se filiou ao Partido da Frente Liberal (PFL), futuro DEM. De 2007 a 2010, o empresário foi secretário de Emprego do governo de José Serra (PSDB), no estado de São Paulo.

Foi eleito vice-governador em 2010 na chapa com Alckmin. No início do governo, Afif foi nomeado secretário estadual de Desenvolvimento, cargo que deixou a se desfiliar do DEM para fundar o PSD.

Se a parceria com tucanos é sólida, o empresário também teve apoio do PT. Foi nomeado ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa pela então presidente Dilma Rousseff em 2013. Em 2015, o órgão perdeu o status de ministério e Afif assumiu a presidência do Sebrae.