POLÍTICA
23/04/2018 18:32 -03 | Atualizado 23/04/2018 18:32 -03

Os últimos dias de Aécio foram piores que os seus

Senador do PSDB virou réu no STF e se complicou em delações que revelaram propinas.

Aécio Neves virou réu no STF e está envolvido em denúncias sobre propina.
Divulgação
Aécio Neves virou réu no STF e está envolvido em denúncias sobre propina.

A vida do senador Aécio Neves(PSDB-MG), candidato nas eleições presidenciais de 2014, virou de cabeça para baixo nos últimos dias. Mais precisamente da última terça-feira (17) em diante.

Transformado em réu pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção e obstrução de Justiça na terça (17), o senador continua envolvo em novas polêmicas e suspeitas que complicam ainda mais seu futuro na política.

Na quinta-feira (19), o empresário Joesley Batista, dono da JBS, afirmou que ter repassado R$ 110 milhões a Aécio durante a campanha do mineiro à Presidência da República em 2014 – Aécio perdeu o pleito para Dilma Rousseff por uma diferença pouco superior a 3 milhões e votos.

Segundo Joesley, o dinheiro teria sido dado em troca de apoio do senador ao grupo J&F, que controla a JBS, e dividido entre três partidos (PSDB, PTB e Solidariedade), além de políticos que apoiaram Aécio nas eleições.

O mesmo empresário disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) que Aécio recebia uma doação mensal de R$ 50 mil mascarada em forma de 'serviços de publicidade' para a Rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte.

Os pagamentos, comprovados por meio de notas fiscais entregues à PGR, totalizaram R$ 864 mil entre 2015 e 2017.

Empreiteiras

Não foi apenas a delação da JBS que complicou a vida de Aécio. Duas empreiteiras – Andrade Gutierrez e Odebrecht – também alegaram ter pago propinas ao senador em troca de favorecimento nas licitações para obras.

Sérgio Andrade, um dos sócios da Andrade Gutierrez, afirmou ter pago R$ 35 milhões a Aécio Neves por meio da empresa de um amigo do senador. O dinheiro seria uma forma de agradecer por facilidades relacionadas à Usina de Santo Antônio. A reportagem foi publicada pelo jornal O Globo na última sexta-feira (20).

Já Marcelo Odebrecht informou, em sua delação, ter acertado um pagamento de R$ 50 milhões a Aécio em 2008, época em que ele era governador de Minas Gerais – 30 por meio de sua empresa e 20 por intermédio da Andrade Gutierrez – também relacionados à Usina de Santo Antônio.

Pressão na Justiça

O ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio, hoje deputado federal pelo PP, do Paraná, revelou ao jornal O Globo, na mesma terça em que Aécio virou réu no STF, que sofreu pressão do mineiro na época em que cuidava do ministério para que nomeasse delegados próximos do senador para tocar os inquéritos contra ele.

Defesa nega tudo

Assim como fez logo após a confirmação de que Aécio Neves foi transformado em réu no STF, a defesa do senador negou as declarações de Serraglio e o teor das delações da JBS e das empreiteiras.

Sobre as revelações do ex-ministro da Justiça, a defesa, representada pelo advogado Alberto Toron, garantiu que não houve "nenhuma atitude imprópria".

Ao justificar os valores citados pelo empresário Joesley Batista, o advogado de Aécio alegou que "Joesley mente para tentar manter de forma desesperada seu acordo de delação premiada".

Toron também refutou que os valores doados ao PSDB durante a campanha tenham sido em forma de propina informando que os R$ 60 milhões foram devidamente registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A participação de Aécio nas tratativas sobre a Usina de Santo Antônio foi igualmente negada pelo advogado do senador sob a alegação de que tanto o leilão quanto a construção da usina "foram de responsabilidade do governo federal, sem qualquer participação do governo de Minas".